sábado, 8 de agosto de 2009

REENCONTRO

Mudando de assunto Romeu falou.
- Dá uma olhada nisso.
Ele esticou um jornal eletrônico para o Thiago. Ele o pegou e viu a pagina inicial do jornal.
- Coloca no caderno de astronomia.
Thiago pressionou o botão astronomia. Uma tela se abriu, no meio da pagina tinha um esquema do sistema solar, com a terra, a lua e o sol alinhados, e o titulo: eclipse de maior duração acontecera nesse milênio.

Na semana que vem acontecera um fato raro, um eclipse “demorado”. Nesse tipo de eclipse, que só acontece a cada dois mil e cem anos, a terra e a lua giraram juntos por cinco horas. Isso foi comprovado por estudos do solo, que encontraram uma parte correspondente a 65 a.C. com vestígios desse tempo sem sol.
“Nós teremos um grande privilégio” diz o astrólogo Renato de Assis “nunca que um ser humano que não acha que o sol é um de seus deuses viu esse fato. Em 65 a.C. as pessoas achavam que esse eclipse era mal, que eles tinham que oferecer sacrifícios aos deuses; já que em cinco horas dá pra perceber que tem algo “errado”. Nós agora que somos cientistas, vemos de outro ângulo, isso pode responder a várias perguntas”.

A reportagem continuava, mas a informação que ele precisava estava lá. Um eclipse de cinco horas! Um bom fato para os seres...
Thiago chamou Lívia, Liza, Lucas e Romeu para a sala no ultimo andar.
Ele os acomodou. Enquanto todos se sentavam, ele procurava as estimativas de horário.
- Tenho um plano melhor!
- Que tipo de plano? – perguntou Romeu.
- A tacada final em Baltazar. Eu tinha pensado num plano, que era bom, mas agora tenho um melhor.
- Do que você esta falando? – agora foi a Lívia.
- Estou falando que na semana que vem nós iremos acabar com o Baltazar.
- Como assim? – dessa vez foi Liza
- Semana que vem não vai ter o eclipse? – todos afirmaram – então, esse eclipse vai demorar cinco horas para passar, vai começar lá pelas oito da manhã e vai terminar ao meio-dia. Nesse meio tempo, os Seres poderão andar livremente pela rua.
- Ta, mas como fazer para nós nos encontrarmos?
- Nós vamos mandar um aviso para ele que nós vamos estar lá. Ele deve mandar todos os Seres Malignos existentes para lá, para agente acabar com eles de uma só vez.
- Como? – perguntaram em coro.
- Como vai estar escuro, todos os Seres vão poder andar livremente, e vamos usar isso contra eles. Na hora do ataque, nós, os membros da Resistência, vamos nos transmutar para ficarmos iguais aos seres, porém vamos deixar avisados a todos para ativarem a Visão Diferenciadora de Personalidade, para que nós, os membros da Resistência, não metemos nossos amigos. Isso os confundirá, por que eles não vão saber se o Ser Maligno da frente é um Ser de verdade ou um inimigo. Para piorar a situação nós vamos usar “espadas” de campo-de-força, que vai ser grossa o bastante para ferir os seres, e leve o bastante para todos a usarem, e caso você a deixe cair, pode produzir outra. No escuro ela vai ficar invisível para eles. Mas é claro que se alguém quiser fizer algo diferente, tipo bastão ou arco e flecha ou até armas pode, o importante é enrolar eles.
- Pra que? – Lucas foi mais rápido do que Romeu, todos estavam tentando absorver tudo, era muita coisa.
- Por que, quando terminar o eclipse, a luz... – ele refletiu um pouco – A, eu não contei a parte melhor! – e pulou da cadeira que estava sentado, estava tão ansioso que tremia – eu, um pouco antes do eclipse vou limpar todos os vidros do centro, já que no centro da cidade, envolta da Avenida Capitalismo, não há nada de diferente do que prédio. Todos eles são de vidro, não tem nenhum que tenha algo junto do vidro, exteriormente, assim que o eclipse acabar, a luz vai se refletir nos prédios, se espalhando para todos os cantos, acabando com todos os seres. Enquanto isso, eu e Lívia vamos tentar dar um cabo no Baltazar.

Depois de um tempo, Thiago escreveu todo o plano no computador e o pediu para o Romeu fazer uma copia para cada membro da Resistência. E pediu para que todos se encontrassem no salão principal.
Quando todos estavam lá, Thiago começou.
- Membros da Resistência, semana que vem nós vamos entrar em ação, e será tudo ou nada. Há uma hora eu bolei o plano que vocês tem em mãos, porem o que vocês tem ai é mais detalhado. Eu posso ter bolado o plano, mas depende de vocês a vitória. Durante o tempo que nós temos até o dia do eclipse, vou pedir a vocês que treinem suas habilidades, tanto físicas quanto poderisticas. Eu, com um poder, retirei o mato que tinha lá atrás no terreno e fiz um campo para vocês treinarem o uso das armas que vocês decidiram usar. Para vocês se treinarem, vocês poderão criar Seres Malignos de mentira para treinarem, quem escolher armas de fogo, de campo-de-força, é claro, fará os testes um pouco mais longe dos outros, para não machucar alguém. E a transformações em Seres Malignos também deverá ser treinada. Baltazar irá pagar por tudo!
Os membros gritaram. Thiago sentiu um entusiasmo tomar o seu corpo. O apoio deles era melhor do que qualquer remédio. Ele agora iria fazer Baltazar pagar.
Uma sirene tocou. Todos saíram correndo para o próprio quarto, menos Thiago, Lucas, Lívia, Liza e Romeu.
- O quê que é isso? – perguntou Thiago
- Lembra que nós temos a melhor tecnologia da região? – Thiago afirmou – então, essa sirene quer dizer que pessoas que não fazem parte da Resistência estão perto demais do prédio, perto o suficiente para ver que está habitado.
- Mas e eu e a Lívia? Nós entramos aqui e não teve sirene nenhuma.
- Mas você é o próprio Diogo, que criou esse sistema de segurança, e a Lívia foi a sua convidada, eu vi no sistema de segurança você dizendo: “vem fazer parte da Resistência” – tornou a responder Romeu
- E o...
- Gente! – interrompeu Lívia – depois você conversa sobre tecnologia de ponta, mas agora vamos impedir que invadam aqui, essa sirene ta me enchendo!
Thiago pareceu acordar para vida, tinha se esquecido completamente que estavam tentando invadir o prédio. Para compensar o fato ele saiu correndo na frente de todo mundo, os outros pegaram o pique dele.
Todos menos Thiago e Lívia tinham preparado uma bola de energia em cada uma das mãos, Lívia, por sua vez, emparelhou do lado de Thiago e abriu as suas asas.
Quando estavam todos no saguão principal, Thiago tirou a placa APSE da frente da porta, jogando-a para o lado. Todos saíram e ficaram um do lado do outro, quando deram de cara com por volta de cem pessoas.
Só que essas pessoas eram pessoas comuns, não eram soldados. Na frente delas tinha um homem da idade de Diogo, que Thiago jurava que conhecia. Esse homem deu um passo à frente e começou a falar:
- Nós viemos em paz. – sua voz também era familiar a Thiago – não queremos confusão, nós vimos o que fizeram com os Seres na avenida e queremos nos juntar à vocês e... – ele parou assim que notou o rosto de Thiago – não é possível... – sussurrou
O homem saiu correndo em direção a Thiago, o Romeu tentou impedi-lo porem foi jogado para o lado como se fosse três vezes mais leve do que parecia, Lívia tacou um poder no chão a frente do homem para tentar impedir dele continuar, porem ele pulou por cima e continuou. Assim que estava perto o suficiente deu um abraço bem apertado em Thiago e começou chorar num misto de alegria e mágoa profunda.
- Nem acredito que é você Thiago – falou o homem – nós achamos que você havia morrido! Sua mãe sofreu bastante, eu também sofri, nós éramos tão amigos, olha só pra você, não envelheceu nada desde o dia que sumiu e eu agora sou um adulto...
- Matheus! – Thiago agora o havia reconhecido o seu colega de infância – Romeu acomode todo mundo no salão, eu vou conversar um pouco com ele.
- Mas quem diria – exclamou Matheus – de um colega sumido para líder com uma amiga anja.
- De novo essa baboseira de anja – resmungou Lívia – to vendo que logo, logo vou ter que explicar mais uma vez.
- Vamos lá para cima. – Thiago se apressou em dizer, antes que rolasse um quebra-pau entre Matheus e Lívia.

- E aí? – perguntou Thiago
- Depois que você saiu? Sua mãe ficou muito aflita, mas nunca perdeu as esperanças, ela foi à televisão, nas rádios, jornais, sua mãe ficou conhecida no país inteiro. Aí, o seu corpo foi encontrado, nossa, como ela sof... – Matheus engoliu o comentário – eu mesmo não consegui acreditar, mas o enterro aconteceu, aí ela ficou abalada. Um dia minha mãe foi visitá-la, e, bem, acho que você sabe o que aconteceu.
Matheus podia ter crescido, mas ainda era o garoto que Thiago conhecia.
- Agora a minha versão dos fatos – Thiago repôs os fatos em ordem – eu sumi no dia para vir aqui me juntar a eles, eu queria voltar assim que possível, mas acho que não deu; o Baltazar, aproveitando que eu estava longe, usou um corpo qualquer e o modificou para que parecesse eu, provocando o suicídio da minha mãe...
- Mas logo você vai voltar para ela e vai viver feliz, não é?
Thiago agradeceu a intervenção do colega.
- Vocês querem entrar para a Resistência? – Romeu cortou o assunto
- Queremos – Matheus se virou para ele – vamos fazer o máximo que der para ajudar.
- Então – Thiago já se recompôs – Romeu, você vai ter que reimprimir mais cópias do manual.
- Que manual?
- É que nós da Resistência vamos atacar Baltazar na semana que vem, e vamos ter que seguir uma ordem de ataque, quase uma apresentação.
- Mas é que nós temos um trunfo nas mangas.
- Qual? – Thiago estava realmente interessado
- Um dos caras que veio com agente tem um estoque enorme de Luminosfato.
Thiago fez uma cara de interrogação.
- Luminosfato é uma substância encontrada recentemente, ela agora faz parte da construção de lâmpadas de baixo consumo elétrico. E adicionado a outras substancia combustíveis, como por exemplo, a pólvora, torna a chama branca. Coisa que seria bom...
- Contra os Seres Malignos – completou Thiago – vocês terão um manual diferente. Tenho um plano na minha cabeça, daqui a pouco eu chamo vocês para falar.
Thiago enxotou todo mundo da sala, trancou a porta e sentou na frente do computador.
- P l a n o d o s p r é d i o s, o s... – as idéias fervilhavam tanto na cabeça dele que ele não conseguia para de falar enquanto digitava.
Esse era o melhor plano de ataque que Thiago já fizera na vida, incluindo resgate de brinquedos confiscados até assinaturas para passeios.

Thiago abriu a porta trinta minutos depois, acomodou eles e então começou:
- Só para situar você – ele apontou para Matheus – nós... Você não vai querer que eu fale o plano inteiro, quer?
- Fala minha parte agora, depois eu leio o tal “manual”.
- É o seguinte: preciso que vocês fabriquem mísseis, e coloquem na composição o Luminosfato...
- Mas como que você quer que nós fabriquemos uma quantidade razoável de mísseis com Luminosfato em uma semana?
- Poder-do-universo. Tenho ainda um estoque para as cem pessoas. Aí vocês fabricam os mísseis, e na hora metade usa os mísseis e a outra metade usa armas.
- Então teremos que avisar ao Baltazar que nosso “contingente” aumentou? – Romeu perguntou tão ingenuamente que Thiago teve cuidado para responder.
- Na verdade, não. Porque Baltazar só vai se concentrar na gente. Por que ele acha que as únicas pessoas que tem peito para bater de frente com ele vão lutar. Assim que eu der o sinal e eles aparecerem explodindo tudo, ele vai hesitar, aí o esmagamos. – ele entoou o final da frase batendo a mão uma na outra.
A próxima hora foi de debates, discursos e preparativos. Essa rotina de preparos se estendeu para o dia seguinte, depois para o outro e logo menos faltavam dois dias para o eclipse.

Thiago estava separando as roupas que ele iria usar no dia do eclipse, quando o Matheus entrou no quarto.
- Oi Thiago! Pensei que eu não te acharia.
- Por quê?
- Ah... Por que você parece bem atarefado... – disse meio encabulado.
- Nem parece que você tem quase trinta anos, parece que você ainda tem treze anos.
- É por causa de você... – ele se calou.
Porem Thiago já tinha percebido. Ele devia ter feito uma falta quando “morreu”.
- Tudo bem.
- Como é que eles confiam tanto em você? – quando a resposta não veio ele tentou novamente – é que, tipo, eles confiam em você, sendo que tem gente com cinqüenta anos de idade, e você só treze.
- É que na verdade o meu eu cuidava daqui antes de mim; então eu só “herdei” o cargo. Eles confiavam em mim.
- Mas como você lida com tudo isso? – ele indicou com os braços o prédio – quer dizer, como você consegue liderar todos dessa sua forma? Contaram-me o que você fez. Parece até ficção.
- É por isso! – ele apontou para Matheus – na minha cabeça tudo tem um quê de absurdo, um quê de historia de livro. Ai os meus planos saem meio... Grandiosos. Se eu estivesse no nosso tempo, duvido que fosse sair desse jeito.
- Posso te falar uma coisa, mudando de pato pra ganso?
- Pode!
- É que eu vou te ensinar a história que só vai ser descoberta em 2022!
- Pode começar!
- Não tem os bruxos que eram queimados pela inquisição, na idade media?
- Sim – ele se interessou
- Eles tinham poderes de verdade!
- Como?
- É que a essência é natural. E tinha uma reserva logo abaixo de um lençol freático lá na Espanha. Essa reserva subiu e transformou um lago inteiro em essência. Só que esse lago era bem escondido, então só um grupo de pessoas conhecia ele, e só essas pessoas tomaram dela. Tornando-os bruxos. Ou melhor, “com poderes”. Por isso, adoravam a natureza, pois foi dela que ganharam poderes.
- Mas, e as varinhas?
- Quando o rio virou de água para essência, todas as árvores receberam na sua dose diária em vez de água, essência. E as pessoas achavam que ficava mais bonito agitarem varinhas em vez de usar a mão. E para ficar mais chique, diziam que tinha núcleo mágico.
“Acabou que, quando o grupo de pessoas tomou a essência, encheram o organismo de essência; de tanto passaram de geração a geração os poderes, e as varinhas.”
Thiago nem piscava.
- Mas, chegou uma geração que não queria uma varinha com poderes, ou elas quebravam, as fazendo sumirem do mapa. E conforme as gerações passavam, a concentração de essência sumia dos corpos, fazendo com que ninguém mais tivesse poder.
- Mas e o lago?
- Depois de tantas chuvas a essência acabou se diluindo, sumindo. E como as pessoas não acreditavam em “bruxaria”, as árvores foram derrubadas. Hoje podem existir casas com paredes com poderes; moveis com poderes; e ninguém para usá-los. Mas, teve um cara que achou prudente ter uma reserva.
- Reserva do que?
- O cara pegou uma garrafa e encheu de essência. Para guardar para ocasiões que necessitassem. Acabaram de sua família, os netos ou tataranetos, precisarem. Mas um garoto, de sete anos, achou legal guardar a essência num frasco. Um frasco que um oitavo de mundo quer durante oitocentos anos. E todo o mundo quer há vinte anos. E tem gente que mataria para consegui-lo
- Baltazar... – murmurou Thiago.
- E você, entre oito bilhões de pessoas no mundo, tem. Tome muito cuidado com ela.
- Por quê?
- Por que tem um boato que se ela cair no chão, pode acontecer uma mega-explosão. E eu não quero estar por perto para confirmar o fato.

O dia seguinte passou de grande emoção e ansiedade.
Todos estavam ansiosos para o eclipse, tanto de interesse acadêmico como por ansiedade de salvar o dia.
E Thiago percebia o primeiro, tanto que falou com Romeu.
- É uma pena que nós tenhamos que arrastar todos para isso. Perder o eclipse...
- Para salvar o dia! Alegre-se, é um momento único! Nem as cruzadas superam isso.
Todos já estavam com as habilidades ok. Mas no nervosismo Thiago mandou todos treinarem mais uma vez. Romeu, escondido, passou por cima e cancelou tudo. Depois teve uma conversa com Thiago, o fazendo decidir que para se desculpar dando um banquete na janta. Com tudo que se tem direito para se desculpar. (com as pessoas a mais, somou-se um andar aos outros três para as refeições, o que tornou o clima mais agradável, já que nesse andar as pessoas tiveram que comer em tapetes macios, pufes e almofadas, que junto de televisões transforma tudo em alegria).
E para finalizar o dia, Thiago mandou – com jeito – eles dormirem cedo. Apesar dele mesmo não conseguir dormir depois de meia hora.
Thiago estava sentado numa poltrona vermelha. O resto do lugar era um nada branco.
Thiago girou a poltrona e se deparou com Baltazar sentado numa cadeira.
- Pra que isso? – perguntou
- Para te dizer que você está dando muita dor de cabeça para o meu chefe.
- Pensei que você só obedecia a si mesmo.
- Mas eu tenho que obedecer ao meu criador – disse num tom calmo
- Seu pai?
- Amanhã você entenderá. Boa sorte – disse num tom amável.
- Espera um pouco! Você não é o Baltazar.
- Está na hora de você ir, e, a propósito, não, eu não sou.
Thiago nesse momento acordou. Tinha alguém tentando ajuda-lo. Alguém que queria sua vitória. Mas agora era hora de dormir. Meia-noite. Quem sabe daqui a doze horas o mundo esteja a salvo?

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