domingo, 7 de fevereiro de 2010

DESAPARECIMENTO

Thiago foi dormir dez e meia, e assim que trancou o quarto, vedou-o com um poder Contra-Auditivo, para impedir que qualquer som saísse de lá. A finalidade disso é que agora ele iria ligar o computador, para ver onde será o próximo ataque, e os pais dele deixaram uma regra em casa: “nada de computador ligado depois das nove e meia”.

Parte 3

O parque da cidade é composto de Três mil metros quadrados de área arborizada...no meio do parque há um lago...7h30min da manhã...

Ele desligou tudo depois de ler essas informações. Preciso acordar as quinze para sete. Fico lá esperando... Mas os portões do parque só se abrem as oito... Dã, eles não querem publico.
Ele programou o despertador do celular para despertar quinze para sete e foi dormir, embalado pela expectativa.

Ele andava no corredor do prédio abandonado, em direção à Sala de Reuniões. Andrews repassava tudo o que teria que falar agora. Ele tinha adorado a repercussão que tinha tido o primeiro ataque, ainda mais a cara de bobo do apresentador do jornal quando viu a imagem aérea.
Andrews não gostava muito do que estava fazendo, atacar a própria cidade, mas era necessário. Ainda mais agora, que começaram. Tinha deixado de ser brincadeira quando os três rapazes tinham se unido naquele quarto, no dia 15 de agosto de 2008, uma sexta-feira. Ele se lembrava de tudo.
O local era um Centro de Tratamentos Psicológicos filiada à empresa de manipulações genéticas Corpus, apesar deles não terem nenhuma doença mental.
Na tarde daquele dia, 15 de agosto, ele e mais dois rapazes, Jorge e Bruno, de vinte um anos de idade cada, foram chamados à diretoria do Centro, e eles passaram vários minutos discutindo sobre medicina com o diretor. O que os mantiveram prestando atenção no diretor do Centro foi à primeira frase que ele disse: “Vocês vão descobrir o porquê de estarem aqui”.
No meio da conversa apareceu um homem esquisito de 36 anos, que pediu desculpas pelo atraso e perguntou se ele tinha contado.
- Não – respondeu o diretor.
Então quem tomou o rumo da conversa foi o outro, que se disse dono da empresa Corpus. Ele deu uma aula rápida de como é feito o corpo humano, e Andrews achou que era pelo mesmo motivo do diretor: não saber outro tipo de assunto, a não ser medicina. E depois de um pequeno discurso sobre um grupo de estudos, revelou a eles o verdadeiro motivo de estarem ali.
O choque inicial foi substituído por uma raiva imensa e, à noite, os três se reuniram, planejando destruir a cidade que tinha destruído o sentido da vida deles.
Eles fugiram na mesma noite e, depois que se instalaram naquele prédio abandonado, começaram a juntar pessoas à sua própria causa. Alguns eram mauricinhos endinheirados que patrocinaram a maior parte dos equipamentos (ilegais). Tanto que todos que estavam lá, com exceção dos três, era por motivos de revolta com o sistema político, e não vingança.
Ele abriu a porta do cômodo, e foi recebido por varias repetições do seu próprio nome. Ele localizou Bruno e Jorge na sala, e depois notou os outros trinta que levavam o terrorismo deles à sério.
- Está indo tudo de vento em polpa. Tanto que ganhamos um nome da polícia: Invisível. Sinceramente eu gostei do nome. Agora, falando dos ataques, a nossa idéia deu mais que certo. Todo mundo ta doidinho. Mas parece que temos um problema.

Thiago acordou com o segundo toque do celular, e se perguntou como os seus pais não acordaram com a barulheira. O poder Contra-Auditivo. Me esqueci de tirá-lo.
Ele se trocou correndo, já que faltavam cinco para as sete. Quando estava pronto, desceu silenciosamente as escadas e saiu de casa sem fazer nenhum barulho. Olhou para a rua com um momento de “o quê que eu faço” e lembrou para que direção era o parque.
Ele parou assim que deu o primeiro passo. Se eu for a pé só vou chegar lá umas oito horas. Ele pensou em uma alternativa e riu dela. Se eu pegar o carro do meu pai ele vai arrancar meu couro... Como eu chego lá? Ele olhou para as próprias mãos, Poder.
Ele fechou os olhos e quis estar no parque.
Depois de contar até cinco, abriu os olhos, relutando em voltar a dormir. Preciso voltar a acordar cedo, senão não vou acordar quando as aulas voltarem.
A ultima vez em que ele tinha estado no parque foi quando ele tinha nove anos, num passeio. Por isso ele mal se lembrava do parque. A uns três metros dele tinha um mapa do parque, com um ponto totalmente visível a Thiago escrito “você esta aqui!”. Ele se aproximou e gravou o melhor lugar para chegar mais rápido no lago. Vai ter que ser pela mata fechada.
Ele caminhou por cinco minutos entre as árvores, indo sempre em direção reta, para não se perder. Enquanto andava, ele viu um vulto passar entre duas árvores a uma distancia considerável:
- Quem está aí? – perguntou.
Um silêncio respondeu de volta. Foi uma ilusão. É de manhã, to com sono, e estou coberto por árvores, dá pra se confundir. Ele sentiu-se obrigado a segui-lo, mas olhou no relógio: 7h18min.
Mais um pouco de caminhada deu no lago de cem metros de distancia, de uma margem a outra. Ele estava numa depressão no solo, cercado por várias colinas que, em relação ao lago, chegavam a quarenta metros de altura. Onde estava Thiago era o final da área arborizada, e o começo da graminha que se estendia morro abaixo até as margens do lago. Pela hora da manhã, poucos raios de sol atingiam o lago, impedidos pelas arvores, deixando o lago preto-amarelado. Velejando nele ia um barquinho de um metro de comprimento, ele se mexia de acordo com o vento, que o levava para o meio do lago. Thiago pensou ter visto outra sombra, mas negou a si mesmo. To com sono.
Ele olhou no relógio: 7h22min. Ele se acomodou numa das raízes de uma das árvores da borda e fechou os olhos.

O bip do relógio o acordou. Ele olhou para o pulso: 7h29min15seg. Ele se desencostou do tronco e se manteve sentado na raiz, mas sem encosto.
Demorei só quinze segundo para acordar? Que milagre.
Ele olhou para o lago, depois que o relógio marcou 35 segundos. Ele se xingou baixinho por não ter lido o passo três até o final. Ele pensou que seria um míssil, já que o lago era raso o suficiente para a explosão. Mas por que o lago? E se não for explosão? E se for uma radioatividade?... To viajando. Mas se for algo não visível?
Sua conta mental chegou a 50.
Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois...
O barquinho que estava no meio do lago explodiu, e com a explosão uma onda de calor se chocou contra Thiago, o derrubando para trás, no mesmo instante que um som cem vezes mais forte de explosão comprimiu seus tímpanos.
Sentindo que seu corpo foi esfolado, ele abriu os olhos, para ver uma chuva de folhas caindo das copas das árvores, que voltavam à posição original, lembrando o final de uma ventania.
Ele se pôs de pé com um pouco de dificuldade, e olhou para o lago, para ver o que aconteceu. Assim que viu o lago, percebeu que o preto-amarelado da água não era cor original, mas era óleo. Gasolina.
O lago inteiro estava em chamas, com labaredas amarelo-ouro que ultrapassavam setenta metros. O calor lá estava insuportável, e as chamas começavam a avançar pela grama.
A consciência de Thiago o mandava apagar o fogo antes que ele incendiasse o parque inteiro, mas a razão o mandava voltar para casa. Não podia correr o risco de ser descoberto.
Desculpe-me mata, mas não dá.
Ele configurou o relógio dele para 7h28min naquele mesmo dia, e imaginou o próprio quarto. A fumaça o envolveu. Assim que ela cessou, ele estava novamente em casa. Thiago colocou o pijama novamente e deitou na cama.
Um som grave ecoou no quarto, vibrando as janelas. Era o som da explosão, pois o rádio-relógio marcava sete e meia. Mas não fazia lógica, uma vez que a casa deles ficava a dois quilômetros do parque.
A imagem das labaredas o lembrou que a explosão foi em nível do barulho.
- Thiago? Você está aí? – perguntou a mãe dele enquanto batia na porta.
- To. – respondeu.
- E você ouviu?
- Sim. – ele se levantou e abriu a porta.
- O que você acha que foi?
Ele balançou a cabeça negativamente.
- Tomara que não foi um posto de gasolina. – Thiago reprimiu uma risada. Mães tinham a mania de achar que tudo de ruim pode acontecer.
- Vou dormir. – ele respondeu.
- Você se revirou pouco essa noite, hein.
- Por quê?
- Ta todo descabelado.
Ele fechou a porta e, antes de voltar a dormiu, foi ao banheiro verificar o que sua mãe tinha dito. Mas eu penteei o cabelo antes de sair de casa e...
Thiago verificou que sua mãe não havia mentido: estava todo descabelado. A explosão deve ter me descabelado... Preciso cortar o cabelo, daqui a pouco o gel não vai dar conta.
Ele voltou para debaixo das cobertas.
Amanhã... Hoje, sem falta, eu entrego esse cd. Está tudo compatível.
Eu entrego, e me livro das responsabilidades.

ESTÁ TUDO MAL

Thiago acordou às oito da manhã, não podia se atrasar.
Sara e Gabriel estavam sentados na mesa, tomando café.
- Como é ter quatorze? – perguntou seu pai.
- Bom – respondeu simplesmente – e como foi à convenção.
- Pode conversar com a gente, mas não grite – pediu Sara.
- Desculpe – sussurrou – como foi?
- Foi bom. Bebemos a quantidade de cerveja de graça por um ano inteiro. Teve um cara que bebeu além da conta e destruiu o estoque de uma das barracas, inundou o chão de cerveja. O cara teve que pagar mais de dois mil pelo prejuízo e mil de fiança. Mas, além disso, tinha um cara lá muito suspeito.
Thiago tomou o café e saiu de casa, dando uma desculpa que ia andar com a Mariana. Ele foi até a casa dela e tocou a campainha, e enquanto esperava olhou no relógio: 09h15min.
A porta se abriu, e apareceu Mariana de regata e shorts de uma antiga calça jeans que fora cortada, a sua altura era o meio das coxas.
- Sim? – perguntou ela, meio constrangida.
- Oi Mariana, posso te pedir um favor?
- Claro – ela respondeu, abaixando inutilmente o short.
- Eu quero caminhar um pouco sozinho, mas eu falei para os meus pais que eu ia sair... Andar com você, e eu precisava que, caso meu pai ou minha mãe pergunte para seus pais eles confirmem.
- Pode deixar – Ela tentou abaixar o short novamente – mas para aonde você vai?
- Na praça.
- Ta bom. – ela bateu a porta, finalizando a conversa e o constrangimento.
Ele foi até a praça, confirmar se o cd era verdadeiro.

Dez horas. Praça central da cidade.
A praça era um monumento, para se falar a verdade. Bem no meio dela havia uma estátua de um Desbravador apontando para uma das direções cardeais, que Thiago não sabia especificar. Ela tinha cinco metros de altura. A uns quinze metros da estátua tinha uma fonte. O estrago da convenção de bebidas ainda era visível. As barraquinhas, agora evacuadas, se instalaram em volta da estátua, então tinha lixo para todo lado, junto de dezenas de litros de cerveja espalhados para todo lado. Tinha um homem da prefeitura jogando sabão liquido no chão, ele colocou a garrafa no carrinho ao seu lado e começou a esfregar. Parou um pouco e foi para o próximo metro quadrado. As marcas do pequeno ritual dele cobriam quase toda a cerveja. Um cheiro extremamente forte de álcool pairava no ar. O faxineiro olhou no relógio, olhou para os lados a procura de um superior e então guardou o esfregão e foi fazer uma boquinha num carrinho de cachorro-quente. Thiago olhou no relógio: dez e onze.
Ele bateu os pés na cerveja já impaciente, querendo que aquilo acabasse logo. Um cachorro parou para beber a cerveja e percebeu que ela estava indigesta, então voltou abanando o rabo para o dono. Dez e quatorze.
Ele esquadrinhou o horizonte a procura do míssil. O achou imediatamente em forma de um ponto. Esse mesmo ponto cresceu e tomou forma, voando em direção à estátua. Thiago se preparou para o barulho.
O míssil atingiu o braço da estátua, que se transformou em uma bola de fogo. O barulho veio instantaneamente, desnorteando Thiago, o calor o esfolou. O indicador da estátua pendeu para baixo, com o cotoco incandescente e a parte final do braço amputado, aparentemente só unidos por uma viga de metal. Ele se partiu com um estrondo, fazendo o braço cair apontando para baixo. O pedaço deslocado da estátua se chocou com o chão, parecendo uma tocha, se inclinou, fazendo as chamas tocarem a cerveja.
Uma explosão de calor irrompeu pela superfície da cerveja espalhada pelo chão. Thiago deixou o instinto reagir por si próprio, que ativou um poder Temporal, parando-o instantaneamente.
Depois de alguns segundos o Thiago abriu os olhos, para olhar em volta. Uma onda de chamas amareladas cobria boa parte da cerveja. As chamas estavam a apenas três metros de distancia dele, o fazendo agradecer por ter parado o tempo. As chamas lambiam o carrinho do faxineiro, que tinham provocado um buraco por onde todo o sabão líquido iria sair naquele exato instante. Thiago achou estranho o fato de haver uma bola de fogo no lugar da garrafa que estava sendo usada para jogar o sabão no chão, uma vez que, pelo que Thiago sabia, sabão não é tão inflamável assim.
Ele só entendeu o que estava acontecendo quando olhou para o funcionário do governo. O cara ostentava uma cara de satisfação, como o que estava acontecendo era o esperado, no lugar de uma cara normal de “o que está acontecendo? Meu carrinho”. E algo a mais veio à sua cabeça. O cara suspeito na festa do dia anterior nada tinha a ver. Pois os terroristas iriam precisar de um pretexto para o liquido inflamável. O verdadeiro culpado era o bêbado, não o suspeito. Ele olhou para os próprios pés, confirmando as suas suspeitas.
A cor da cerveja em que pisava era a mesma cor da cerveja em reação com o “sabão”. Ou seja, era inflamável. Seu cérebro trabalhou rapidamente para resolver a questão. As pessoas iriam achar estranho ele sair do fogo sem nenhuma queimadura. Também achariam estranho ele evaporar e aparecer do outro lado da praça, ou nem aparecer. Ele teria que se salvar e não ficar muito na cara como conseguiu aquilo. A solução veio rapidamente.
Ele secou o chão à sua volta com calor puro, e assim que estava a uma distancia boa, ele se agachou um pouco, simulando que já tinha se abaixado. Ele fez o tempo rodar.
O calor o envolveu como numa cúpula, enquanto ele se transformava numa bolinha no chão. Ele olhou em volta e viu o fogo o fechar, queimando com o calor a pele exposta. Uma voz gritou ao fundo:
- Meu Deus do Céu! Tinha um garoto lá no meio.
Alguém – uma velha – gritou:
- Tinha. – seu tom de sarcasmo irritou Thiago de tal forma que, assim que as chamas não ofereciam perigo de queimá-lo, ele se levantou.
- É o filho do demo! – Gritou a velha novamente.
- Cala a boca! – gritou o homem, que devia ter uns trinta anos. – você está bem? – gritou para o Thiago.
- Sim – gritou em resposta. Ele olhou para o carrinho, e viu que o fogo lutava para entrar, mas a corrente de água, por mais inflamável que fosse, impedia o acesso. Depois de duas tentativas o fogo entrou, explodindo o carrinho. Um fogo líquido se espalhou para todo lado.
- Fica calmo – continuou o homem – nós já chamamos os bombeiros e...
Uma sirene o interrompeu, vinda de longe. Em menos de um minuto depois o fogo já estava sendo apagado.
- Você teve muita sorte de estar justamente na parte seca da cerveja, - continuou o homem para Thiago, depois que ele foi para um lugar seguro – deixa só a TV te pegar...
- A TV está vindo? – interrompeu Thiago, se seus pais o vissem na praça sozinho, estava frito.
O homem acenou positivamente.
Thiago agradeceu às pressas e saiu correndo de volta para casa, assim que a equipe do jornal estacionava o furgão. O trajeto não demorou mais de cinco minutos.
Quando ele virou à esquina da própria rua, ele decidiu ir primeiro à casa de Mariana:
- Já? – ela perguntou, quando abriu a porta. Sua cara se contorceu na hora em que ela viu o estado dele – o que aconteceu?
Enquanto tomava fôlego ele a empurrou casa adentro, levando-a para a sala.
- A TV... Explica... Melhor.
Ela pegou o controle remoto e ligou a televisão e colocou no canal em que passava o jornalismo naquela hora. O apresentador encheu a sala com a sua voz:
-... Urgente. Fui informado nesse exato instante que aconteceu um atentado aqui na capital. Isso mesmo, atentado igual aos de filmes de ação. Vamos trazer as imagens do helicóptero que está sobrevoando a área. É com você Tales.

Tales estava com o microfone em uma das mãos e com a outra ele apertava o fone na orelha, tentando diminuir o barulho da hélice. O câmera-man que veio junto segurava uma daquelas câmeras-jumbo, que estava fixada em um tripé que estava fixado no chão do helicóptero. Plugado à câmera estava um cabo que a ligava a uma telinha de doze polegadas que exibia exatamente o que estava sendo gravado, auxiliando para que ele narrasse a noticia. No momento o que se via era uma vista panorâmica da cidade, tremeluzida pelo calor que emanava lá de baixo.
-... Que está sobrevoando a área. É com você Tales. – anunciou o fone. Ele respirou.
- É isso mesmo, um ataque aqui na cidade até então pacata. Testemunhas afirmam que o braço explodiu sozinho.
- Você esta com uma imagem do estrago?
- Sim. Pode mostrar – sussurrou longe do microfone para o câmera-man, mantendo o olhar fixo na telinha para poder narrar.
A câmera abaixou, mostrando uma visão aérea do estrago. Ele se calou, prendendo a respiração.
Santo Deus!

Thiago, Mariana e a mãe dela (que viera da cozinha para lá e agora estava encostada no batente da porta, com um pano de prato na mão) mantinham o olhar fixo na TV, acompanhando uma imagem aérea da cidade, e assim que a câmera apontou para baixo, eles prenderam a respiração, assim como o apresentador do jornal e todas as casas da cidade.
No meio da tela estava a estatua com o seu cotoco. E a sua volta estava um triangulo grosso de fuligem. Mas não era fuligem do fogo, pois a marca estava incrustada no concreto exatamente onde o “faxineiro” tinha esfregado. Na base do triangulo via-se uma bolinha branca, o exato lugar onde estava o Thiago.
A mente de Thiago foi direto à única linha de raciocínio que centenas de pessoas estavam fazendo: o grupo terrorista Invisível.
O nome Invisível era cortesia da polícia, uma vez que eles mataram o prefeito embaixo do nariz deles.

A noite, depois da janta, a família de Thiago se juntou na frente da TV para ver o jornal, que passou uma reportagem especial.
Nela todas as testemunhas narraram a própria versão da historia – todas com um garoto que por milagre se salvou – e todas eram falhas no mesmo ponto: a primeira Explosão. Todos afirmavam e juravam que a primeira explosão fora quase “espontânea”. E o jornalistas até defenderam isso. Mas num certo ponto um tape foi chamado.
O tape era uma gravação da câmera de segurança de um prédio vizinho. A gravação dava direto na estatua. Num certo ponto, um clarão branco – a imagem, como qualquer outra de segurança, era preto-e-branco – iluminava o canto da tela. O apresentador, em pé e em frente à tela de exibição, pediu para que inúmeras vezes o vídeo fosse reprisado. Depois da enésima vez – segundo as contas de Thiago – o apresentador notou um pontinho marrom que piscava na tela. Depois é que perceberam que o pontinho era um míssil. Coisa que não melhorou em nada o clima, que era só um.
Medo.
Medo do próximo ataque, aonde vai ser, quando.
E Thiago podia acabar com isso.
Só mais uma vez, jurou a si mesmo, se o próximo ataque for compatível, eu entrego o cd a polícia.
Só mais uma vez.