terça-feira, 18 de agosto de 2009

A BATALHA DO CAPITALISMO

realmente esse capitulo ficou muito longo... por isso será dividido em algumas partes... coisa que tambem aumenta a ansiedade

Thiago acordou e o sol ainda estava pintando o quarto dele de vermelho. Ele olhou para o relógio e viu que ainda eram cinco e meia. Como ele já perdera totalmente o sono, ele se levantou. Uma pontada de dor na barriga o obrigou a ir à cozinha, e enquanto descia as escadas, via que mais ninguém tinha acordado. Ou pelo menos não levantara.
Assim que ele chegou à cozinha viu que tinha cinco garotos, com idades de quatorze a dezessete anos, conversando, cada um com um copo de leite com chocolate à mão. Ele foi até a geladeira, pegou um copo de leite, colocou duas colheres de chocolate, ferveu com um poder e se sentou na outra ponta da mesa, que geralmente é usada para cortar alimentos ou hora do almoço dos cozinheiros, que almoçam meia hora depois dos outros.
Os garotos ficaram em silencio até que o mais velho falou:
- Pode vir aqui... Se quiser.
Estava na cara que eles também estavam meio sem graça, tímidos. Thiago se levantou e se sentou no lado que só tinham dois, para fechar o grupo de seis.
- Nervosos? – perguntou, puxando assunto depois de cinco minutos de silencio.
- Um pouco – responderam ao mesmo tempo – nós dividimos o mesmo quarto – continuou o mais velho – e todos nós acordamos mais cedo do que o combinado, a propósito, meu nome é Jonathan. Esse é o Fábio e tem dezesseis, esse é o Silas e tem quinze, e esses dois são os gêmeos Gustavo e Carlo, de quatorze.
Thiago deu uma risada:
- Acho que todos vocês conhecem meu nome.
Pela primeira vez no dia ele e os garotos riram. E, em cinco minutos, todos estavam “amigos”. No que, de perto, parecia uns garotos nervosos e ansiosos com a batalha por perto, de longe pareciam garotos normais conversando sobre besteiras. E por uns minutos Thiago até se esqueceu que dia era aquele.
Duas cozinheiras passaram por eles levando bandejas de pão para os refeitórios. Thiago e os garotos mais novos olharam espantados já que ninguém tinha as visto entrando na cozinha:
- Elas passaram sim – respondeu o Jonathan, antes da pergunta – elas passaram há quinze minutos. Acho que já deu o horário combinado.
Eles rumaram para o refeitório, lá tiveram uma surpresa: todos já estavam vestidos, com exceção do Lucas, que veio ao encontro deles:
- To vendo que nós fomos os únicos que acordamos agora.
- Na verdade – Thiago o corrigiu – nós acordamos há algum tempo, e viemos direto para a cozinha passar um tempo. A única diferença é que eles se trocaram.
Em todo o café-da-manhã Thiago e os garotos se mantiveram em silencio, com o rosto ardendo de vergonha por estarem só de pijama.
Dando sete horas Thiago foi para o quarto se trocar. Ele pôs uma calça jeans, uma camiseta vermelha e uma blusa de moletom, que ele fez questão de deixar o zíper aberto, por questão de estilo. Ele se olhou no espelho, era agora ou nunca, era dessa vez que Baltazar ia pagar.
Ele deu uma ultima olhada no quarto, e seus olhos se deparou numa gaveta, a única, que ele nunca teve a mínima vontade de mexer. Ele a abriu, e lá dentro havia um envelope, endereçado a ele.
Thiago virou o envelope para ver de quem era, e tomou um susto ao ver o seu próprio nome de novo. Ele tirou a carta que tinha dentro e começou a ler:
Oi Thiago.

Se você achar essa carta antes do dia do eclipse, pare de lê-la, pois o poder que eu usei contra o choque-temporal só funciona nesse dia.
Mas se não, pode continuar a ler.
Eu escrevi essa carta para poder te contar algo que você precisará para a batalha da Avenida Capitalismo. Primeiro: não se deixe abalar com o que Baltazar irá te contar em cima do prédio; segundo: eu lancei em você, quando a gente se conheceu, um poder que você carrega até hoje. Esse poder só chegou e te envolveu quando você apareceu no meu quarto, e esse poder irá parar o tempo para que você possa fazer uma escolha. Pois essa escolha envolve um perigo. Não posso especificar por que comigo foi um perigo, e com o Diogo que eu conheci foi diferente. Resumindo: é um perigo diferente para cada Thiago.
Terceiro: você terá, uma hora, que fazer uma escolha. Essa escolha não é uma escolha qualquer, pois vai mexer com o que você acha que é certo e sua personalidade. E eu lhe peço, por favor, se mantenha firme. Não faça o que eu fiz. Não falhe. Foi por esse erro que eu tive que passar por tudo, foi por esse erro que você teve que passar por tudo.
Mais do que isso eu não posso lhe contar. Por tanto, eu termino fazendo uns pedidos a você: não se abale com o que Baltazar disser; faça a escolha certa, e, se optar por ela, vá com mais velocidade, e se mantenha na mesma opinião.
Não vou pedir para que entenda tudo isso agora, mas tudo irá se esclarecer na devida hora.
Cuidado. Algum Thiago tem que ter uma vida melhor.

Thiago Vinicius Ribeiro.

Thiago terminou de ler a carta com uma pontada de carinho, alem de um sentimento de “eu vou fazer o melhor”. Ele sentia como se aquele fosse um momento único da sua vida, um momento que iria definir sua vida. Um momento em que a musica que estava escutando na hora que ele achou a carta, “When Love Takes Over”, se encaixa perfeitamente.
Ele pegou a essência, que estava guardada numa das gavetas do armário e amarrou uma corrente nela e, certificando-se que não ia se soltar, a pendurou no pescoço, embaixo da camisa. Assim que terminou de se aprontar, ele desceu até a frente do prédio, esperou até a ultima pessoa chegar e então rumaram para a Avenida Capitalismo.
O sol da manhã banhou a todos, dando um ar de esperança à caminhada.
Baltazar ia pagar, com certeza.

Sete horas, cinqüenta e cinco minutos da manhã. Cinco minutos para o eclipse.
Todos os membros da Resistência empenhados na batalha estavam agora na Avenida Capitalismo, lotando-a em uma faixa de trinta metros. Thiago, na primeira linha, olhava ansioso do céu para a avenida e de volta ao céu. A lua estava bem próxima do sol e quase a tocava. Ele pensou pela ultima vez em seus pais e olhou para o relógio: sete e cinqüenta e nove.
Seus olhos subiram direto para o eclipse. Ele sabia muito bem que Baltazar não ousaria trazer à avenida os seus Seres Malignos antes que um último fiasco de sol sumisse. Com um poder ele tirou qualquer impureza dos vidros em um raio de seis quilômetros.
A lua tocou o sol. Uma onda de ansiedade passou por todos, tanto com relação a grande batalha que se aproximava e com o eclipse. O dia começou a escurecer, apesar de ser oito horas da manhã. Assim que o último raio de sol se escondeu, dando um ar de noite ao dia, instantaneamente um borrão cinza se materializou à sua frente. O walk-tock de longa distancia que tinha ficado com Thiago chamou pelo seu nome com o novo tom de voz de Matheus:
- Thiago?
Depois do susto inicial Thiago respondeu:
- Sim?
- Relatório, e dos mais alarmantes.
- O que aconteceu?
- Os Seres apareceram; só que eles lotaram a avenida até o seu final, que é muito longe, creio que assim que vocês mataram um, este vai ser logo substituído.
- Alguma estimativa de números?
- Alguma coisa entre dois milhões a dois milhões e meio. É difícil de saber.
- Muito obrigado – disse sem muita convicção – continue com o plano.
- O.k.
- O.k. – e desligou.
Baltazar se aproximou para começar a negociação. Coisa de praxe vindo dele. Romeu já tinha avisado que o melhor jeito de humilhar e pôr o corpo fora era esse: humilhava por que “mostrava” quem manda e punha o corpo fora pela desculpa “eu tentei negociar, mas ele não aceitou”.
- Típico – resmungou Romeu uns minutos antes – ele gosta de ser mal e deixar bem claro o fingimento de bonzinho, mas siga a carta, não se deixe abalar por nada que ele disser...
- Mas aqui ele só recomenda tomar cuidado em cima do prédio... – e apontou para a carta.
- Você não entendeu? Ele vai fazer chantagem emocional!
Então Thiago se preparara para qualquer chantagem envolvendo Resistência, família e amigos.
Baltazar parou dez metros à frente e falou com calma. Uma calma que alarmava.
- Está em tempo de desistir, assim ninguém irá morrer! – um sorriso desdenhoso se formou.
- Com receio que eu mate os seus servos? – repetiu no mesmo tom.
- Os meus Seres vão trucidar a Resistência. E você vai assistir isso tudo de camarote! Ou será que você acha, por algum acaso, que poderá me vencer sendo que eles – ele apontou para a Resistência – estão sem poder?
- AGORA! – todos da Resistência entenderam. Chegara à hora.

continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário