Continuação
Os velhos e os aparentemente doentes ou incapacitados se aprumaram, as mulheres pararam de fingir, junto das crianças. Todos em posição de luta.
Baltazar recuou dois passos ao ver o montante de gente erguer o braço, não esperava que tivessem poderes, seu rosto expressava medo, medo que seu plano fosse por água abaixo. Mas parou para caçoá-los assim que formaram bolas de luz nas palmas. Numa “imitação” do supermercado.
- Bobões inúteis – disse às gargalhadas.
Logo após a ofensa de Baltazar, todos ergueram o braço para cima, numa inclinação clara que o alvo não era a linha de frente. Thiago percebera Baltazar provavelmente se xingando de burro, por não perceber que eles esperavam a ofensa e a usariam como sinal. Mas logo sua atenção foi puxada pelas bolas de luz, que voavam em direção aos Seres mais pro meio. Assim que elas tocavam o chão, se expandiam para mais de cinco metros de diâmetro, engolindo Seres Malignos e deixando mentalmente incapacitados aqueles que estavam perto demais da luz. E assim que elas chegavam ao seu máximo, se contraiam num pontinho de luz do tamanho de cabeça de alfinete e sumia.
Antes mesmo da ultima luz se extinguir, Thiago deu o próximo ataque:
- Agora! – Baltazar baixou o olhar para ele. Estava branco.
A segunda fileira da Resistência deu um passo à frente, passando pela primeira, empunhando arcos e flechas de luz. Dispararam uma saraivada de flechas horizontalmente, acertando os Seres à frente, explodindo-os como normalmente faziam, e uma segunda para cima, que descreveu um arco no céu. Enquanto os Seres eram pegos desprevenidos. A formação voltava a ser o que era antes e Thiago não pôde deixar de notar a fumaça de poeira que se elevava dos Seres atingidos. Baltazar parecia desnorteado.
Thiago conjurou uma bola de luz acima de sua própria cabeça, que foi alimentada por todos os outros, deixando-a com dez metros de diâmetro, e então ele a jogou para frente. A bola de luz girou verticalmente no próprio eixo no ar, e desceu em direção aos Seres, rolou enquanto os destruía, como se fosse uma bola de futebol rolando sobre varias peças de dominó posto em pé, e por fim impactou-se com o chão, produzindo um leve tremor. A luz tornou-se forte ao ponto de olhá-la ser insuportável e sumiu. Baltazar gritava ordens de costas a Thiago, mas não fora totalmente imprudente: tinha um escudo transparente protegendo-os.
Antes de dar o próximo passo o walk-tock de Thiago o chamou novamente:
- Thiago?
- Sim?
- Tenho algo horrível pra te contar.
- Então conta!
- Eles estão se matando! Os Seres Malignos estão matando os seus iguais, que estão incapacitados – Thiago se sentiu ligeiramente nauseado – podemos atacar?
- Não. Mantenha o plano. Ele estará preparado para ataques-surpresa. Deixe que eu te chame. Ele não esperara nenhum ataque surpresa depois que supostamente pararmos.
E Thiago tinha razão. O olhar de Baltazar estava esperando o próximo ataque. Um surpresa. Mas não do nível que Thiago providenciara. Ele elevou os braços acima da cabeça, e se concentrou o máximo que pôde.
–
Ele sabia o que estava acontecendo. Ele sabia que Thiago, o garoto desprezível a sua frente, estava fazendo. A cara de concentração o denunciava. Mas a questão era o que ele exatamente estava tentando fazer. Não havia nenhuma turbulência no ar, nada que indicasse que ele estava usando poder. A noite que se instalara momentaneamente dificultava sua visão, que só era auxiliada pelas lâmpadas que iluminavam a rua. Foi quando seus olhos se depararam com um vulto enorme se erguendo atrás da Resistência. Ele tinha que concordar. O garoto tinha uma inventibilidade que era admirável.
–
Seu próximo passo nasceu num momento de inspiração. O chão tremera rapidamente enquanto o pedaço da Avenida Capitalismo, atrás da Resistência, se desprendia da Terra. E ele ficou feliz de ver a cara de surpresa de Baltazar. Indicava que dera certo. Já que não tivera certeza que daria certo.
Thiago jogou os braços para frente, indicando o caminho a ser feito pelo pedaço de avenida que flutuava a suas costas. Ele sentiu uma lufada de ar e pingos de água quando o enorme pedaço, de uns trinta e três metros de comprimento, passou por cima de sua cabeça e se cravou alguns metros adiante, separando por volta de três mil Seres Malignos para lutarem com a Resistência. E ele tivera o maior cuidado de deixar o concreto do lado dos outros Seres, tornando mais difícil deles se juntarem aos companheiros escalando a barreira. Enquanto uma fumaça que juntava a da terra e os restos mortais dos Seres que foram esmagados se elevava, Thiago gritou:
- Acionem a Visão Diferenciadora de Personalidade! – e ele próprio o fez, e quando ele abriu os olhos, à sua frente havia vultos de um negrume que superava a noite, e os prédios estavam salpicados de estrelas negras e brancas; ele próprio olhou para as próprias mãos, com um temor infantil para saber aonde se encaixava, e se aliviou ao ver que ele desprendia uma luz branca, assim como os membros da Resistência. Mas os seus brilhos eram sujo, meio acinzentado, se comparado ao de Lívia, que ele viu quando olhou na direção que ela estava escondida – e agora... Transmutar!
Os membros da Resistência se contorceram, se transformando. Parecia uma cena de filme de lobisomem multiplicada varias vezes. Thiago não se transformara por que queria ser visível para Lívia, que achou que numa confusão de Seres Malignos duas pessoas seriam mais visíveis do que uma. Ao final da transformação Thiago gritara, mas fluentemente, uma vez que Baltazar e os Seres estavam paralisados, a ultima ordem da manhã:
- Armas e atacar!
continua...
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário