sábado, 4 de julho de 2009

A ESSÊNCIA

peguem um lenço antes de ler esse capitulo.

Depois do sucesso do ataque aos seres malignos, os membros da Resistência começaram a tentar falar mais com o Thiago, tanto que ele teve que mudar de andar mais três vezes. Que conseguiu sossego no décimo quinto andar.
Thiago estava lendo uma revista quando Lucas chegou.
- E então? – perguntou para o Thiago.
- Ninguém falou para você? – disse Thiago depois de entender do que ele perguntou.
- Falaram, mas eu quero saber de você! – Lucas apontou para ele - você teve uma idéia que foi...
Thiago sentiu como se tivessem puxado ele por um túnel. Então o quarto dele se dissolveu.
Quando a fumaça se solidificou, no lugar ele estava num campo de futebol.
Do outro lado do campo, a sete metros, estava Baltazar.
Assim que Thiago acabara de chegar, Baltazar levantou o braço direito e tacou algo no chão diante de Thiago, no meio do caminho Thiago pôde ver que aquilo que foi jogado brilhava. Era uma pedra. A pedra de dois centímetros do ser.
Assim que a pedra bateu no chão diante de Thiago o gramado pareceu explodir. Uma densa nuvem de terra subiu enquanto Thiago caía para trás.
Baltazar se aproximou e ficou bem ao lado de Thiago:
- Como!? – gritou na orelha de Thiago – Como é que você pode conseguir vencer novecentos seres com apenas trinta homens?
Baltazar entoou a ultima palavra com um soco na barriga de Thiago.
- Eu – continuou – não consigo acreditar que você possa ter feito isso!
Baltazar levantou o braço como se tivesse socando algo logo acima de sua cabeça, e então Thiago sentiu uma pancada nas costas e ele foi atirado alguns metros a frente. Quando Thiago conseguiu olhar de volta para o Baltazar, viu um enorme braço de terra, que com certeza era o que Baltazar havia produzido.
- Por que você não me deixa revidar? – foi o que ele havia conseguido falar, cortando o Baltazar – ta com medo que eu te vença?
Baltazar ficou vermelho e lançou uma luz direto em Thiago, que produziu um escudo transparente em forma de calha e em formato circular. O poder de Baltazar entrou por um lado da calha, fez a volta e caiu no chão. Foi só assim que Thiago percebeu a força do poder, que rachou o chão.
Aproveitando que o Baltazar se distraiu, Thiago quis estar de volta no quarto.
O campo e o Baltazar se dissolveram, a fumaça então se solidificou e ele estava de volta ao quarto.
Thiago sentiu escorrer um filete de sangue do canto de sua boca, suas costas estavam doídas, assim como sua barriga. Assim que Lucas percebeu o estado de seu amigo ele se assustou.
- Você foi para aonde? – enquanto perguntava ele colocou a mão na cabeça de Thiago, então uma luz cobriu todo o seu corpo, enquanto uma sensação de alivio percorria seu corpo. Assim que o Lucas terminou nem parecia que Thiago estivera numa luta.
- O Baltazar recebeu a pedra – Lucas se espantou – e ficou uma fera – Lucas percorreu o olhar pelo corpo de Thiago, ligando os fatos – mas isso é bom... Quer dizer que o plano está nos eixos!
Lucas fez uma afirmativa com a cabeça. Era claro que dera certo, Thiago conseguiu uma façanha na noite anterior, matar novecentos seres com apenas trinta homens. Não é coisa que se consegue com pouco tempo de pratica. Thiago era excepcional, ele conseguira coisas tão... Impossíveis.
- Me disseram que você não sabia sobre “memória comunicativa”.
Thiago fez cara de “quê...?”.
- Memória comunicativa é uma pedra azul que nós expelimos quando queremos preservar alguma memória. Ela é muito útil para comunicações secretas.
Thiago sem pestanejar tirou do bolso a pedra de Diogo.
- Isso foi o Diogo... Eu... Deixou para mim, antes de morrer.
Lucas paralisou. Parecia que Thiago tinha tirado do bolso alguma relíquia egípcia, grega, romana ou qualquer civilização antiga.
- E o quê que ele fala? – Lucas parecia encantado
- Der, eu descobri ontem que a pedra podia ter memórias. – Thiago olhou para o Lucas – você conhece melhor do que eu – e estendeu a pedra, oferecendo.
Os olhos de Lucas faiscaram, mas ele se conteve.
- É só girar bem rápido.
Thiago então com o poder levantou no ar a pedra, parando-a a quinze centímetros da palma, e com o indicador fez movimentos circulares, a pedra obedeceu e fez os mesmos movimentos circulares, conforme Thiago aumentava a pedra também aumentava a velocidade, até o ponto de a pedra ser só um borrão.
Com um barulho entrecortado, um disco prateado de luz irrompeu da pedra e ficou na sua “linha do horizonte”, então ela subiu a uns quinze centímetros da altura da pedra e se contraiu em um ponto só. Fios prateados saíram da pedra e se ligaram ao ponto.
A essa altura Lucas sentara ao lado de Thiago – o ponto se expandiu e apareceu a imagem do Diogo refletida no espelho, junto do seu próprio quarto, ao fundo.
- Bem... Se você está vendo essa mensagem, eu já devo estar morto.
Thiago teve um muxoxo. Pensara que Diogo tinha sido heróico ao ponto de produzir a pedra sob pressão. Mas na verdade tinha sido com calma.
- Eu fiz essa lembrança para poder responder a algumas de suas perguntas. Vamos à primeira.
Thiago foi abrir a boca quando se lembrou que aquilo era só uma lembrança.
- Eu não te revelei nada por que outros fizeram à besteira de fazer isso – ele abaixou a cabeça – eu gostaria de ter chegado a você e ter falado “oi eu sou você!”, mas outros de nós quando fizeram à mesma coisa distorceram o plasma conót... Depois você saberá. O importante é o seguinte, você terá que lidar com uma morte.
Thiago prendeu a respiração.
- Eu fiz o que pude para mudar o futuro...
-Você foi de cabeça baixa para o abate! – gritou Thiago, uma lagrima ameaçou cair.
-... Mas o resto depende de você. Sei que você falou algo do sentido “você podia ter continuado vivo!”, mas você tem que pensar uma coisa, eu mudei alguns detalhes do futuro, mas o básico continuou o mesmo: eu ia morrer de qualquer jeito. E você precisará fazer uma duas escolhas. A primeira é a mais difícil, já a segunda nem tanto. Uma dica: se você continuar, vá com mais velocidade... A imagem tremeu, Eu fiz essa lembrança para poder responder a algumas...
Thiago liberou o poder e a pedra desceu como se fosse uma furadeira, Thiago tirou a mão do caminho e a pedra quicou no chão.
- Ele tinha que morrer?! – gritou por fim
- Você viu o que ele disse, ele ia morrer de qual...
- Justo quando eu pensei nele como um pai?
Lucas ficou quieto. Pensou um pouco e depois perguntou.
- Do que morreu o seu pai?
- Ele foi encontrado morto na sala, de madrugada, falaram para mim que ele tinha tido um infarto à noite, por que ele não foi pro quarto e minha mãe não percebeu por que foi dormir logo. O que eles não queriam que eu soubesse é que, mesmo com oito horas morto, ele ainda estava com o tórax quente.
Lucas refletiu um pouco
- Tem cara de plano maléfico do Baltazar... Qual era o nome do seu pai?
- Gabriel Ribeiro
Lucas ficou atordoado
- Marido da Sara da Silva Ribeiro?
- Como você sabe? – perguntou Thiago
Lucas ficou meio sem jeito.
- É que... – então ele fez uma cara de concentração – veja você mesmo. – e encostou a mão no Thiago.
O quarto se dissolveu. E Thiago sentiu de novo que estava sendo puxado por um túnel. Quando a cena se solidificou, ele se viu em um cemitério.
O cemitério do futuro não era em nada diferente do presente, túmulos de mármore, nomes, datas, fotos, flores novas, flores muxas, flores mortas, e em alguns túmulos, só o vaso.
Lucas começou a andar. Thiago percebeu que estavam no corredor principal do cemitério. Após a primeira curva que eles fizeram Thiago perguntou.
- O que estamos fazendo aqui?
Lucas demorou um pouco para responder.
- No dia do enterro da minha mãe e do meu pai, eu percebi que – eles viraram à direita – do lado do tumulo deles tinha uma construção muito bonita... – ele parou um pouco para pensar – é eu não usei o termo certo... – ele voltou na linha de raciocínio – e eu nunca me esqueci dos nomes que tinham lá... E mudando um pouco de assunto, você quase matou a Liza.
- Por quê?
- Porque ela já tinha aparecido no jornal. Baltazar iria reconhecê-la. Sorte dela foi ela ter parado para pensar um pouco. Ela foi pra lá disfarçada.
Thiago se sentiu mal. Podia ter matado ela. Vou começar a pensar mais.
Lucas subitamente parou, eles estavam agora numa “clareira”, e do outro lado, a quinze metros, tinha um mausoléu feito de mármore.
Thiago se aproximou, e quando estava perto o suficiente para ler o que estava escrito, sentiu uma pontada de dor no peito.

Gabriel ribeiro 25/11/2007
Sara da silva ribeiro 02/03/2010

A morte é um parente que não tem dó

Sua mãe estava morta. Até dela Thiago tinha se esquecido. Mesmo com a calmaria que ele teve, um tempo de paz e sossego, ele se esquecera de ver sua própria mãe.
Thiago sentiu um desespero subir do fundo do estomago até a garganta. Se controlando para não gritar de desespero, pediu:
- Quero ir até a biblioteca.
Lucas deu um passo à frente e colocou a mão no braço de Thiago. E a fumaça subiu.
Quando ela cessou, ele se viu na frente da biblioteca. Um prédio antigo – nos padrões de Thiago. Thiago começou a ir até o interior do prédio. A sua cabeça estava entorpecida. Como sua mãe poderia ter morrido? Logo ela, que ele sempre desejara que ficasse viva para sempre.
Dento da biblioteca era a mesma coisa. Um prédio “contemporâneo” a Thiago.
Ele caminhou até os centos de consultas e digitou a data que girava em sua memória: 02/03/2010. E do lado colocou um “- jornal”.
No momento que ele apertou o enter, apareceu na tela vários títulos de jornais, e Thiago viu no canto da tela que eram mais de três mil jornais que se tinha naquela biblioteca daquele dia. Thiago pensou um pouco e digitou ao lado de jornal o nome da cidade. A busca enxugou os resultados para cinqüenta jornais. E no topo da lista estava o jornal mais respeitado da região. Não se segurando mais Thiago colocou o dedo na tela e foi até a seção.
Rapidamente Thiago pegou uma caneta que estava do lado dele e escreveu as coordenadas na palma da mão, então ele chamou Lucas e eles foram até os jornais.
As prateleiras estavam lotadas de caixas com jornais. Mas Thiago foi direto à seção 10, prateleira quatro. Lá estava o que ele procurava: JORNAL A REGIÃO. EDIÇÕES DO ANO DE 2010.
Thiago pegou a caixa e a colocou em uma mesinha lá perto. Dentro da caixa tinham subdivisões de acordo com o mês. Thiago achou o mês de março, então retirou de lá de dentro os jornais. Eles estavam dobrados ao meio e tinham a aparência antiga, apesar de ainda nem serem publicados para o Thiago.
- Aproveita e pega os resultados da mega-sena pra quando você voltar. – brincou Lucas
- Se eu voltar. – emendou Thiago. Por causa da perda sua voz falseou.
Thiago retirou da pilha o jornal do dia dois, mas nem chegou a olhá-lo. Pensou um pouco e retirou o jornal do dia três.
Na capa do jornal tinha uma foto de Sara. Ela estava sorrindo e seu cabelo castanho brilhava. Decididamente era a foto do aniversário dela, que eles comemoraram no ano de 2006. Ao lado dela estava o pai dele, o Gabriel, rindo, nem ligando para a pose da foto, e do outro lado estava Thiago com nove anos de idade, pequeno e olhando para o outro lado. Em baixo estava a legenda: Sara em seu aniversário com a família, a sua direta está Thiago, o seu filho desaparecido, e a esquerda seu marido Gabriel, que morreria de infarte um ano depois.
Só aí que Thiago olhou para o titulo da reportagem: mulher morre após a descoberta do corpo do filho desaparecido.
Thiago caiu sentado na cadeira. “Corpo?”
Ele desdobrou o jornal e começou a ler a matéria. Lucas se aproximou para ler também.

Foi encontrada morta à mãe do garoto desaparecido que chocou o país.
Após ter ido à imprensa e movido a população com o caso do desaparecimento do seu filho, e depois que o seu corpo foi encontrado, em que falamos no fim do mês passado...

Thiago remexeu dentro da caixa. Retirou o bolo referente à fevereiro e dele retirou o ultimo jornal: nada. Tirou o penúltimo: nada. Só no quarto jornal que Thiago achou o jornal que ele queria.
Na capa dele tinha a foto de um matagal e uma mulher chorando. Sua mãe.
O titulo dizia: encontrado morto o garoto desaparecido.
Thiago foi direto a matéria:

Hoje foi encontrado morto Thiago, o garoto que mobilizou a população.
Seu corpo foi encontrado num canteiro de obras abandonado, seu corpo estava todo ferido, tinha três ferimentos a bala no peito e estava sem uma das mãos, sua mãe, que tinha...

Thiago sentiu uma ânsia. Deixou o jornal de lado e voltou para o que estava lendo.

... Sara foi encontrada morta em casa pela sua vizinha, mãe do melhor amigo de Thiago, quando ela foi lhe fazer uma visita. A policia suspeita que ela possa ter cometido suicídio. Apesar de a sua vizinha ter dito que ela era incapaz disso. Exames médicos encontraram vestígios de chumbinho na corrente sanguínea.
A policia declarou...

Thiago não agüentou mais. A imagem se dissolveu. Mas um pouco antes Lucas agarrou seu braço. Ele não se importou. Quando a fumaça cessou Thiago agachou e vomitou. Tudo que estava engasgado pareceu fluir. Agora só uma coisa girava em sua mente. Era obvio que o Baltazar armara aquilo. Era obvio que o Baltazar arranjara um corpo e o modificou com que se parecesse com ele. Era obvio que ele tinha provocado o suicídio de sua mãe.
Não aquentando mais vomitar, Thiago tombou para o lado e encostou-se na parede do banheiro. Só agora reconhecera onde estava. No banheiro do seu quarto na Resistência. Lucas respeitosamente abaixou a tampa da privada e deu a descarga. Thiago limpou a boca com as costas da mão. Um pensamento passou pela sua cabeça. Sara precisava de uma homenagem. Mas antes...
Thiago se levantou e escovou os dentes. Quando terminou ele pegou no braço de Lucas. A fumaça subiu.
Quando ela cessou Thiago se viu numa rua abandonada. O asfalto estava todo rachado, e das rachaduras saiam mato. As casas estavam todas caindo aos pedaços. Tinham algumas que estavam pela metade. Thiago viu o numero da casa ao seu lado. Faltavam cinco casas até a dele.
Nunca foi tão difícil chegar à própria casa. Haviam arvores tombadas, rachaduras que mais pareciam crateras e o mato impedindo a passagem.
Thiago parou. A sua frente estava à própria casa. Um flash rápido passou na sua memória. Do dia em que ele saiu de casa. O dia em que ele tomara uma decisão. Uma decisão difícil. Abandonar a casa. Abandonar a boa vida. Abandonar a mãe. Uma outra lembrança veio subitamente: E você precisará fazer uma duas escolhas. A primeira é a mais difícil...
Thiago entrou na casa. Passou pela sala, que estava sem uma das paredes, pelo corredor cheio de entulho, subiu a escada meio desconfiada e chegou ao próprio quarto. Tudo estava como ele havia deixado: o computador, a cama, o armário. Numa das paredes tinha um adesivo meio solto, e dava para ver uma marca de prego retirado.
- Vamos embora – disse por fim.
Lucas encostou-se a ele e então o quarto se dissolveu. Quando a fumaça cessou, eles estavam de volta ao cemitério.
Thiago caminhou até ficar a três passos do mausoléu, se ajoelhou e começou a rezar. Quando terminou, ele se levantou e foi embora. Por ultimo, deu uma olhada para onde sua mãe agora estava enterrada. Que cripta bonita.
Thiago estacou. Algo relanceou em sua cabeça. “Na cripta de mármore branco”. A primeira frase da mensagem de grande valia.
Thiago voltou até a cripta e com um poder a abriu. Nisso Lucas chegou.
- O quê que você está fazendo! – gritou
- Antes de vir para cá eu recebi uma “mensagem de grande valia”, e nela estava escrito: “na cripta de mármore branco; seu destino se selará; quando tudo se encaixar; sua essência se revelará”!
Lucas deu uma piscada e entrou na cripta puxando Thiago pelo braço.
- Aonde você acha que ela está?
- Não sei... – Thiago foi interrompido por um barulho ensurdecedor.
Tudo escureceu. A porta da cripta estava fechada. Thiago tentou abri-la, mas nada aconteceu. Lucas ascendeu uma luz com um poder. Thiago tentou mais uma vez. Nada.
- Seu destino se selará. – murmurou
- Isso já está me assustando. – falou Lucas.
Thiago deu dois passos para trás tentando pensar numa saída. O seu segundo passou soou diferente. Ele se agachou e colocou a mão na junta dos blocos. Uma corrente de vento! Um piso falso!
Sem pensar duas vezes Thiago soltou um poder para destruir aquilo. O barulho do mármore partindo encheu o ambiente, juntamente de outro: o de blocos rolando.
Assim que Lucas aproximou a luz Thiago pode ver o que tinha lá dentro. Assim que sua visão se acostumou ele sentiu uma onda de excitação. Uma escada.
Produzindo sua própria bola de luz, Thiago desceu a escada, que não era muito longa. Chegando ao final ele aumentou a intensidade e finalmente pôde ver onde estava: numa salinha. Todas as paredes eram de mármore e na parede oposta tinha uma porta, que era a origem da corrente de vento. Mas o que chamou a atenção dele foi o que estava no meio da salinha. Uma pilastra.
A pilastra tinha um metro de altura por trinta centímetros de diâmetro, o topo era liso e no meio tinha um circulo oco de meio centímetro de altura, o buraco do meio tinha dois centímetros e dentro tinha uma curva. Um lugar perfeito para uma pedra.
Thiago começou a apalpar todos os bolsos possíveis, mas se lembrou que tinha deixado à pedra no prédio da Resistência. Fazendo o mesmo que Baltazar, Thiago quis que a pedra estivesse na sua mão. Depois de um formigamento na palma da palma da mão, uma fumaça se solidificou na palma e lá apareceu a pedra. Thiago a girou para conferir a mensagem, aparecendo o rosto de Diogo Thiago parou de girar a pedra e a colocou no buraco. Nada. Raivoso por ter se enganado, Thiago socou a pedra. Ela afundou e junto soou um barulho de fechadura.
- Quando tudo se encaixar – murmurou.
O tampão levantou um pouco e apareceu uma fresta na parte superior da pilastra. Thiago a levantou. Estava tudo escuro. Thiago desceu um pouco a luz. Assim que ela iluminou Thiago pôde ver seu conteúdo. Havia um frasco que tinha um liquido cremoso e dourado. A essência.
Thiago a pegou do fundo e a elevou na linha dos olhos.
- Sua essência se revelará! – gritou

Se eles não estivessem tão entusiasmados, teriam percebido que quem tinha trancado eles havia aberto a porta, e com isso deixando a luz do dia entrar naquele mausoléu, e iluminado o pequeno quartinho. E teriam percebido que essa mesma pessoa tinha entrado e ficado de pé na entrada do cômodo.
- Larguem isso aí agora! – gritou para os dois garotos lá embaixo.

Thiago estava tremendo, finalmente estava tudo no jeito que tinha que estar. Ele com a essência. Ele um passo a frente de Baltazar.
- Larguem isso aí agora!
Thiago se assustou e quase deixou a essência cair. Ele se virou. O quê que uma voz feminina esta fazendo...?
Thiago quase deu um grito, não sabia se era de horror ou espanto. Por que no alto da escada, envolta por uma luz – Thiago não sabia como, já que a porta estava trancada – estava uma mulher, loira, com uma roupa de couro branco (combinando com o ambiente), e... Asas! E para ficar mais ameaçador o indicador dela estava apontado para os dois.
- Acho que eu vou ter que repetir. Largue isso aí!
Uma faísca prateada saiu da ponta de seu dedo. Não ia ter terceiro aviso.
- Isso é a Essência, e ela é minha! – retrucou Thiago, pondo a essência junto ao corpo.
- Eu não deixo qualquer um pegar a essência.
- Eu não sou qualquer um!
A estranha ergueu o braço para tacar algo em Thiago. Mas foi interrompida por Lucas.
- Nós não arrombamos o “cofre”!
Só nessa hora ela olhou para a pilastra e deteve a atenção nela.

A pilastra estava inteira. O garoto que acompanhava o que se dizia dono da essência apontou para a pilastra. O tampão estava levantado. Ele pôs a mão atrás do mesmo e retirou uma pedra de dois centímetros azul. O tampão abaixou-se. Era verdade. O garoto, Hiago ou algo parecido, era verdadeiro. Ela se lembrava da ultima conversa que teve com o Diogo. A única pessoa que ela conhecia e era a oposição suficiente à Baltazar. Essa conversa foi na época que ela ainda estava se acostumando com as asas.
- Lívia, eu tenho um segredo para te contar – ele falou meio aflito.
- O que foi?
- Eu vou morrer – Lívia fez uma cara de “eu também, bobo”, mas Diogo explicou – é que, quando eu era criança, adolescente, eu recebi uma visita do futuro, esse cara, depois de um tempo morreu, e eu, pouco tempo depois, descobri que esse cara era eu mais velho – Lívia se espantou – e depois eu descobri que esse cara também teve uma vida parecida com a minha, ou seja, logo, logo eu vou morrer, e um outro eu mais jovem virá pro meu lugar, ele vai aparecer na primeira semana de maio do ano de dois mil e trinta e seis, se não me engano, ele aparecerá na cripta de minha mãe, ele vai estar com um outro garoto. Mas não é só por isso que você vá parar de desconfiar nas pessoas ta certo?
- Mas você mesmo não disse que lá dentro tinha um cofre...
- Que só se abre de um só certo jeito, sim, falei, mas não quer dizer que não dá para abri-lo de modo violento. E o que o abre é isso – Diogo tirou do bolso uma pedra de memória rachada – é claro que a dele vai estar mais nova, mas ela vai ter o mesmo formato.
- Como? – perguntou Lívia – são meio impossíveis duas pedras de memória ser iguais.
- Pensa comigo um pouco – pediu Diogo num tom de professor – não “somos” a mesma pessoa, nós que estamos mais velhos, aos Thiagos jovens?
- Sim.
- As memórias não são as mesmas?
- São.
- E as situações?
- Iguais.
- Ou seja?
- As pedras são as mesmas – concluiu Lívia
Agora, de volta à cripta, Lívia estava diante de Diogo jovem. Ele havia morrido. Depois de quase um ano sem contato, ela descobriu que ele havia morrido.

Thiago percebeu que a tal “anja” estava tendo algumas lembranças. Ele relanceou o olhar por Lucas e viu que ele estava se preparando para atacar a moça.
Ainda não, vamos ver se ela é do bem! Interrompeu mentalmente Thiago.
Só mais um contato. Retornou Lucas.
- Você é o Hiago, ou algo assim? – perguntou a moça antes de Thiago.
- Sou – falou de volta – e quem é você?
- Eu sou Lívia, amiga de Diogo, ele me disse que viria.
- Mas como... – a resposta veio antes do fim da pergunta.
Mas como ele sabia? Ele tinha passado por isso.
Vendo que eles não eram uma ameaça, a tal Lívia abaixou o braço.
- Essas asas são suas? – perguntou Lucas
- Sim. – respondeu.
- E essa luz? – foi à vez de Thiago
- É lá de fora. – respondeu quase rindo
- Mas como?
- Eu abri a porta, agora venham isso ta me deixando nervosa.
Sem aviso as asas se esticaram para cima o máximo, para depois se contraírem e sumirem. Lucas começou a subir a escada e a falar.
- Você sai daquele jeito na rua?
Ela riu.
- Não, eu as deixo assim, recolhidas.
- Mas você é uma...?
Ela riu mais uma vez. Seu riso era tão bonito para o Thiago.
- Uma “anja”? Não, eu não sou uma.
- Mas então... – insistiu Lucas apontando para aonde estavam às asas dela.
- O quê que eu sou é um tipo de “meio-a-meio” – explicou – eu dediquei a maior parte de minha vida para o bem, tipo, fazendo boas ações, e então passei em ano só me sustentando de muita bondade, até eu ganhar as asas. É mais comum do que parece.
- Mas como eu, que sou desse tempo, não sabia? – rebateu Lucas.
- Porque nós mantemos segredo. – respondeu Lívia dando um toquinho com o indicador no nariz dele.
Assim que todos fizeram silencio, Thiago sentiu um calafrio. Que foi forte o suficiente para fazer todos os pelos de Thiago se eriçar e os braços dele se balançarem. Mas o que ele percebeu foi que Lívia e Lucas também sentiram.
Era um perigo. Um perigo grande. Grande o suficiente para que a intensidade fosse alta e que alarmasse três pessoas ao mesmo tempo. Percebendo o olhar de Thiago, Lívia e Lucas disseram ao mesmo tempo.
- Também senti!
Os três saíram correndo da cripta e quando estavam a dez metros da cripta eles olharam de volta para ela. Menos de um minuto depois um jato passou rasante pelo cemitério, exatamente em cima da cripta, um segundo depois um míssel caiu na cripta.
Uma bola de fogo a engoliu completamente, ela continuou subindo, formando um cogumelo de fogo antes de sumir. No lugar só sobrou um monte de escombros pegando fogo.
Thiago caiu de joelhos no chão. No mesmo dia perdeu a mãe e o ultimo lugar aonde ela poderia estar. Baltazar mexeu numa ferida. Na pior ferida que podia ter mexido.
Uma mão macia tocou seu ombro. Era Lívia, ela o levantou e o abraçou.
- Sei o que você ta sentindo, mas tudo vai acabar bem, vamos vencer Baltazar e você vai voltar para lá antes dela se suici...
Lívia se calou. Thiago estava tão triste que nem prestou atenção na indelicadeza dela. Para ele tanto fazia em falar da própria morte, enquanto as pessoas evitavam a palavra “morte”, ele falava dela sem medo. E com certeza Lucas contara para ela o que tinha acontecido com a própria mãe. Agora ele era um órfão. O futuro não está totalmente escrito.
Ele enxugou as lagrimas totalmente decidido.
- Quer nos acompanhar? – perguntou para Lívia
Ela pensou um pouco. Estava selando seu destino. Seu corpo deu uma tremida de excitação. Estava participando da reta final. Ela ia ajudar a decidir um futuro melhor.
Thiago estendeu a mão. Ela a apertou.
- Sim. Vamos acabar com Baltazar.

Baltazar estava sossegado. Estava na sua sala no primeiro distrito. Estava com os pés encostados na mesa. Essa era a vida que ele sempre quis. Agora só falta matar o Thiago... Parece-me que ele é órfão. Uma idéia lhe passou. Deixe-me confirmar o fato.
Ele pegou o próprio relógio e o configurou para dois anos antes de Thiago receber a carta que Diogo havia lhe falado em uma de suas lutas.

Assim que a coluna de fumaça cessou, ele estava na casa de Thiago. Estava de noite e a casa estava fechada como se os moradores estivessem fora. Uma luz entrou pela janela e passou de canto a canto na parede oposta. Um carro estacionou. Baltazar rapidamente ficou invisível.
A porta abriu e entraram na casa um garoto e um casal. Thiago e seus pais. A mãe vai se suicidar daqui a três anos, então meu alvo hoje é o pai.
A mãe falou.
- Filho, vá escovar os dentes e vai dormir.
O Thiago subiu as escadas de dois em dois degraus, chegou lá em cima e trancou a porta. O banheiro era dentro do quarto. Coisa que Baltazar nunca teve.
Os pais de Thiago se abraçaram e deram um beijo apaixonado. Coisa que enjoou o Baltazar.
- Eu vou ficar mais um pouco aqui em baixo – explicou o pai – vou tomar um comprimido contra ressaca.
- Ta, mas não demore. To te esperando – pediu a mãe.
Ela começou a subir as escadas, e Baltazar a seguiu, ela trancou a porta. Depois de dois minutos saiu de camisola e foi pro quarto de Thiago, deu duas batidas. Ele não respondeu. Ela voltou para o quarto e deu uma ajeitada na cama. Ela deitou e pegou um livro no criado-mudo. Mas assim que ela o abriu na pagina que estava Baltazar a colocou num sono profundo.
Ele desceu de volta para a sala e encontrou o pai de Thiago no meio dela indo em direção as escadas. Ele se fez visível.
- Quem é você? – perguntou assustado.
- Eu vim te matar – o pai de Thiago ficou branco – mas só são negócios.
Sua palma brilhou e o poder voou direto para o peito do pai de Thiago. Ele por sua vez só desabou no chão. Baltazar se aproximou do corpo e balançou a cabeça negativamente.
- Tão jovem ter um infarto desses!
E a fumaça o levou de volta para o seu escritório.

Thiago se viu então na frente da APSE. Lívia havia o trazido até lá, ou o Lucas, ele não estava conseguindo raciocinar direito. Lívia então falou.
- Bom... Eu já vou indo. – entoou batendo uma palma.
- Não! – gritou Thiago – quer dizer... Não vai – tentou mais baixou, ele estava com as bochechas ardendo – vem fazer parte da Resistência, nós juntos podemos vencê-lo.
Lívia pensou um pouco e respondeu.
- É claro.
Thiago a puxou pelo braço, levando-a para dentro. Lá estavam Liza e Romeu conversando. Thiago então apresentou a Lívia.
- Gente, essa daqui é a Lívia, amiga de Diogo.
Os deram um “oi” bem desanimado.
- O que foi gente? – perguntou
- Fui demitida – explicou Liza – fiz tudo que você pediu primeiro fui empregada num cargo bem alto, aí o Baltazar revistou minha mente, mas ele só ficou sabendo do que agente queria que ele soubesse, aí ele pediu uma conversa em particular com ele e... Bem, nós lutamos.
Thiago sentiu o sangue sumir do rosto.
- Mil desculpas... – tentou se apressar Thiago
- Não, tudo bem – explicou Liza – eu pelo menos pude descontar a minha raiva. Se não existissem os poderes, ele estaria roxo agora.

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