continuaçao, e ainda falta bastante coisa
Cada membro da Resistência conjurou o próprio. Espadas de lâmina grossa, bastões com pontas afiadas, lanças, arcos e flechas e até armas de fogo surgiram na mão dos “Seres do bem”. Assim que sua arma estava pronta, eles começaram uma corrida desenfreada contra os Seres de verdade, que vinham na direção oposta. E as primeiras explosões surgiram enquanto a eficiência das armas era revelada. Thiago se manteve imóvel. Um dos Seres de áurea preta se aproximou com as garras a postos, para atacá-lo. Quando estava a poucos centímetros, Thiago conjurou um bastão que transpassou o Ser na barriga, sem o Thiago precisar se mover, pois o bastão se formou diretamente no peito do Ser. Com o impacto da corrida desembestada do Ser, Thiago cambaleou para trás e deu uma torcida no bastão, matando-o. O Ser explodiu, deixando Thiago coberto de pó, ele se desfez do bastão, jogando-o para o lado. Assim que deixou o contato com a mão dele, o bastão se desfez.
Agora ele percebera que, na confusão, que seu caminho para Baltazar fora fechado. Ele viu entre o tumulto da batalha a cabeça careca de Baltazar, estava imóvel, esperando-o. Thiago, que estava visível e não se importava muito, conjurou um outro bastão, só que de luz, e calmamente deu um passo à frente e golpeou um Ser claramente perdido, sem muita certeza se estava entre amigos ou inimigos, ou o dois misturado, hesitou em outro golpe quando viu a áurea branca dos dois à frente, que tiveram também uma súbita hesitação no ataque mútuo, se viraram, e atacaram os Ser Maligno inimigo respectivo.
Baltazar ainda estava a cinco metros de distancia, e os Seres não deixavam Thiago avançar sem um pouco de resistência, sem um pouco de luta. Em um trajeto de dois metros lhe resultou em inúmeros arranhões e cortes, que ele não fez a mínima questão de curar, já que não ofereciam riscos e se desviasse a atenção necessária poderia ser atacado sem dó.
Mas ele também não deixava barato. Desferia golpes sem culpa e sem hesitação. Toda vez que a sua frente tinha um amigo, ele lutava com outro até poder dar algum passo.
Os Seres conseguiram se situar e agora repeliam os ataques na mesma moeda, com espadas de energia negra. Por esse motivo Thiago ficara engajado em um duelo por quase quinze minutos, que só terminou quando fingiu atacar a perna-pata direta do Ser, e quando o mesmo chegou antes para aparar o golpe, Thiago subiu a espada por cima do ombro dele e lhe cortara a cabeça. Mas esses últimos segundos que precisou para tal façanha custou um naco de carne da coxa esquerda, cujo Ser arrancou, com um movimento hábil de sangue-frio, uma fatia de carne.
O corte podia ser pequeno, mas a dor era lacinante. Cada pisada que ele dava era uma onda de dor. Para poder se controlar Thiago mordeu a língua, deixando rapidamente o gosto de sangue na boca.
A única vantagem de lutar contra Seres Malignos era que eles não sangravam com cortes mortais, deixando ele limpo, salvo a mancha em sua coxa esquerda. Os únicos ferimentos causados ali nos Seres tinham a intenção de serem mortais, eram evitados cortes sem motivo, para poupar golpes. Mas isso preocupava Thiago, por que ele via poças de sangue no asfalto. E agora que percebera, havia também Seres jogados no chão, alguns deles imóveis, e todos esses tinham a áurea branca, que indicava amigos.
Quando Thiago deu por si, estava lutando com um Ser Maligno, e nas costas dele, outro Ser (da Resistência), que por sua vez lutava com Baltazar. Thiago matou o Ser mais rapidamente possível, pois sabia o fim que o membro da Resistência teria, e tentou tira-lo de lá. Mas foi tarde demais. Ele viu a ponta da espada de luz nas costas grandes e peludas do Ser, que foi jogado ao lado.
A situação de Baltazar não era melhor do que a de Thiago. Estava todo machucado e suado como ele, exceto o corte na perna que constantemente tirava a concentração de Thiago. Os dois se encararam por um tempo e Baltazar esboçou um riso sarcástico, que sumiu assim que um Ser se aproximou para matar Thiago.
- Ele é meu! – gritou enquanto emitia uma luz no monstro, explodindo-o.
O grito ecoou na avenida e silenciou por três segundos a luta. Depois, os Seres, amigos ou inimigos, se afastaram deixando três metros para a luta dos dois. Enquanto os Seres voltavam as suas lutas, tentavam evitar entrar no “circulo sagrado”.
- Meio apertado aqui não? – disse sarcasticamente
- Não muito para quem vai morrer... Ou você prefere morrer em um lugar espaçoso?
Baltazar não riu. Simplesmente deu um pulo para frente. Thiago de reflexo esticou o bastão, apontando-o diretamente no peito de Baltazar, que usou a espada de energia e desviou o bastão de Thiago enquanto erguia a mão esquerda, que esbarrou no ombro dele. Imediatamente a cena de dissolveu. Quando tudo se formou novamente, ele estava no terraço de um prédio. Ele escutou ao longe o som de luta.
Um barulho o fez virar bruscamente, custando uma fisgada de dor nas costas – por causa do músculo doído pelos movimentos usados para matar Seres – e outro na coxa. Ele viu Baltazar longe curando os ferimentos, um por um. Thiago fez uma proteção, para evitar surpresas, e foi até o beiral do terraço. Ele assobiou assim que viu a luta a quarenta andares abaixo. A aproximadamente dez andares abaixo, estava o ponto mais alto da placa de avenida que ele desprendeu do chão. O prédio em que estava era um dos dois prédios que tinham recebido a “barreira” na frente. De um lado estava a briga, do outro, os Seres desesperados para saber o que estava acontecendo, sem conseguir escalar. Thiago não sabia se era por medo ou coragem, mas nenhum deles fugiu. Thiago enviou uma mensagem mental para Lívia avisando onde eles estavam.
- Não vai curar os seus ferimentos?
Thiago se virou e deu de cara com Baltazar, do outro lado da proteção, tudo curado.
- É claro! – disse contrariado por ter que concordar com ele
A luz habitual cobriu o seu corpo enquanto se curava, e logo um alívio anestésico tomou conta de seu corpo assim que o ferimento da perna se fechou.
- Sabia que ainda há uma surpresa? – o tom de desafio em sua voz era uma das coisas que Baltazar não esperava.
Lentamente e tirou o walk-tock do bolso e apertou o botão:
- Pode atacar!
–
A espera era quase que insuportável. Thiago não dava sinal de vida. Matheus agora estava em um escritório dos mais luxuosos da cidade, no décimo andar. As cadeiras estavam vazias, já que os Toques de Recolher eram para qualquer tipo de noite. Até Baltazar foi à televisão explicar ao povo que deviam se manter em casa.
O mais angustiante era não saber o que estava acontecendo, nem sabia se Thiago morrera. Perde-lo tão logo que ele voltou não vai ser fácil.
Ele levou um sustou quando uma voz o chamou:
- Pode atacar!
E rapidamente ele quebrou o vidro-janela-parede que dava acesso à avenida e mirou sua bazuca para os Seres, e outros cem tipos de armas fizeram o mesmo. Mas a única variação eram armas de fogo.
E ele disparou o primeiro tiro.
Era um saco trabalhar para o Baltazar, ainda mais agora, que ninguém sabia o que estava acontecendo. Nisso um dos vidros de um dos prédios quebrou os vidros nem chegaram ao chão quando uma bazuca se revelou. Outros tantos de janelas quebraram, revelando outras armas. Um tiro ecoou na avenida, que veio da primeira bazuca. O míssil foi direto ao chão, explodindo. Mas em vez da esperada chama vermelha, um brilho branco revelou um dos seus temores: Luminosfato. Os Seres foram engolidos pelas chamas, enquanto quem estava próximo ficava em coma, por ter sido ofuscado pela luz. Explosões como essa ocorreram ao longo da avenida, elevando rapidamente uma fumaça resultante das mortes e do fogo. Acima desse barulho veio outro pior: tiros. Ele se virou a tempo de ver uma rajada vir em direção a ele, acertando outros Seres e o chão. Um tiro o acertou no ombro, mas não penetrou fundo na carne.
Ele tirou a bala cravada no ombro e viu que a ponta dele tinha um led vermelho que piscava constantemente, meio ofuscado pelo sangue. Assim que as piscadas ficaram mais rápidas ele viu flashes de luz em uma trilha, vindo em sua direção, semelhante aos tiros. Quando ele percebeu era tarde demais: a bala em seus dedos expandiu em luz, matando-o na mesma hora.
Depois de três mísseis lançados ele parou, pegou uma granada do seu estoque de dez e a lançou janela afora. Matheus a ficou espiando para vê-la em ação. No momento em que tocou o chão expandiu-se uma onda de combustão em meio aos flashes, amputando os Seres em um raio de dez metros, e um segundo depois, uma grande bola de luz engoliu os mesmo Seres amputados antes de sumir. Deixando uma enorme cratera no chão. Esse processo se repetiu na avenida. Outros seres avançavam. Era a melhor manhã de sua vida.
–
A cara de Baltazar se contorceu de raiva enquanto via as explosões de luminosfato, flashes de balas e bolas de fogo. Em sua súbita raiva ele desfez a proteção de Thiago em um só movimento, trazendo uma enorme agonia ao corpo de Thiago, uma dor de origem no meio da espinha que se espalhou por todo o corpo, que só foi superada pelo soco no estomago que levou logo depois, jogando-o dois metros para trás, chocando-o na porta da “casinha” que dava acesso às escadas do prédio, destruindo-a. Thiago por puro instinto tentou se agarrar à parede, porem a força do golpe e o estado de conservação dos tijolos tivessem provocado o desmoronamento total. Ganhando uma nova coleção de arranhões e cortes – principalmente na palma da mão direita e nas costas – ele caiu de para trás nos degraus logo abaixo e, com um escudo na forma de cone, fez com que os destroços não caíssem nele.
continua...
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