quinta-feira, 23 de abril de 2009

RESISTÊNCIA

Duas semanas depois Thiago já estava recuperado, visivelmente ele havia adquirido a aparência de antes, porém sentimentalmente ele estava ainda abalado.
Thiago olhou para Sara:
- Mas mãe... Você não pode me levar?
- Não filho... É uma viagem de negócios, bem que eu gostaria de te levar... Mas o chefe quer que eu venda o apartamento logo, você não aproveitaria nada, só ficaria preso no hotel o dia todo, mas não se preocupe, eu volto amanhã.
Thiago abaixou a cabeça
- E eu faço o que?
- Eu já deixei o almoço e a janta pronta – ela olhou no relógio na parede, eram 11h32min da manhã – daqui a pouco eu tenho que sair, mas me prometa uma coisa.
Thiago levantou a cabeça:
- O que?
- Você não fale com estranhos, não passe trotes, não bota fogo na casa e se você quiser se trancar no quarto pode, não fique na internet o dia todo e, por favor, coma, é só preparar o prato e por no micro-ondas.
Sara se curvou e deu um beija na bochecha de Thiago:
- Você é um amor de filho, espero que você encontre uma mulher bem bonita... – ela pensou um pouco e completou – e de preferência de cachos.
Thiago riu, pois a família sempre fora de cabelo liso.
Ela então saiu pela garagem e Thiago foi para a porta da frente, ela tirou o carro e fechou a garagem. Ela se aproximou de Thiago:
- Te amo.
Então deu um ultimo beijo e entrou no carro.

Thiago olhou entre as mensagens do e-mail dele, viu um: coisas surpreendentes. Ele abriu o anexo e estava escrito:

Olá, você é uma das dez pessoas mais importantes para mim, por isso você esta lendo essa mensagem.
Mande-a para dez pessoas, incluindo eu, depois conte até dez devagar, e por fim aperte F10, e uma mensagem de grande valia aparecerá para você.
Não esqueça que você tem dez minutos desde que você enviou a primeira mensagem.
É surpreendente.

Thiago olhou para aquela mensagem e decidiu continuar, e em dez minutos já tinha enviado ela para os dez amigos.
Ele contou até dez e apertou F10.
A tela do computador escureceu de repente, e do mesmo modo ela ficou azul-esverdeada. As letras apareceram uma a uma da cor preta:

NA CRIPTA DE MÁRMORE BRANCO
SEU DESTINO SE SELARÁ
QUANDO TUDO SE ENCAIXAR
SUA ESSÊNCIA SE REVELARÁ.
Thiago gelou. “Essa não pode ser a essência que eu procuro, não mesmo, isso deve ser outra coisa.”
Thiago apertou Esc, a tela escureceu de novo e no lugar apareceu a tela de mensagens.
Ele olhou de novo para a tela e fechou tudo, desconectou da internet e desligou o computador.
“Deixa para outro dia.”
A campainha tocou.
Thiago olhou pela janela e viu que tinha um carteiro na porta.
Thiago correu pelo corredor e chegou à escada, desceu ela até o oitavo degrau, nele Thiago deu um pulo até o fim da escada.
Ele levou um susto por que um pulo desses poderia ter quebrado as pernas dele, porem ele estava inteiro.
“Será que é o poder do universo?”
Ele abriu a porta:
- Sim?
- O senhor Thiago Vinicius Ribeiro está?
- Sou eu.
A moça do correio olhou para ele
- Esta carta é para você.
Ele olhou para a carta nas mãos dela.
- Vou precisar assinar?
Ela afirmou com a cabeça
- E vai precisar do numero do RG?
Ela afirmou de novo
Thiago deu um suspiro e virou para pegar RG quando o numero veio subitamente à cabeça. Ele assinou a lista e pegou a carta, trancou a porta e foi para o quarto.
- Esse poder do universo é melhor do que se esperava.
Ele abriu a carta e começou a ler:

Olá Thiago, nós somos da resistência, um grupo de pessoas que luta contra o Baltazar. Meu nome é Romeu.
Nós sabemos que você também é contra ele e queremos a sua ajuda.
No dia em que você explodiu o salão antigo eu fui informado que alguma atividade poderistica estava ocorrendo no salão, por esse motivo eu fui para lá verificar o fato, (é uma contradição, pois nós temos a melhor tecnologia do estado, porém ninguém tem poder, por falta de uso) e quando eu estava perto aconteceu à explosão, e então vi Baltazar ser jogado e depois ir embora – eu tenho certeza que era Baltazar, pois ele é a única pessoa que consegue se tele transportar com facilidade, de um jeito que parece que esta dissolvendo, já que todos os humanos se contentaram com o relógio – fui até o salão e acionei o simulador de situação baseativo, (um aparelho que mostra o que ocorreu, se baseando em histórico de poderes lançados, movimentos usados, etc.) e vi que mais uma pessoa estava no salão, então eu usei mais algumas maquinas até chegar a você, depois foi só fazer uma pesquisa e achar seu endereço.
Peço em nome de toda a resistência que você venha nos liderar, precisamos de alguém que substitua nosso antigo líder, Diogo.
As coordenadas são: 11h30min, dia 04/05/2035, loja abandonada da APSE.
Por favor, nos ajude.


Thiago ficou meio abalado com a carta.
“Então a luta não está perdida, ainda a como vencer!”
Thiago caiu na cadeira assim que parou para pensar: “Eu vou ser o líder, ‘alguém que substitua nosso antigo líder, Diogo. ’ Esse alguém sou eu no futuro!”.
Então uma lembrança veio subitamente.
“Sim, nós... Eu a escondi...” ele ia falar nós. Ia falar a resistência.
Thiago ficou orgulhoso dele mesmo.
Foi quando ele sentiu sede.
Thiago foi até a escada a fim de descer para a escada, foi quando ele tropeçou em algo e ele começou a cair da escada.
Foi quando o tempo subitamente parou. Ele estava tendo uma divagação momentânea.
Foi como se alguém tivesse pausado o tempo, e nisso Thiago percebeu que seus olhos podiam se mexer, algo raro.
“Eu estou tendo uma divagação momentânea, é esquisito”.
Ele sentia isso por que ele estava completamente inclinado de um jeito completamente desconfortável, mas estava sentindo como se estivesse descansando.
Ele mexeu os olhos e pode ver na direita a folha da resistência parada no ar caindo para o andar de baixo, já que ele estava encostado no corrimão no topo da escada. E no lado esquerdo... Um corpo se dissolvendo!
Era isso mesmo, um corpo se dissolvendo, “pois ele é a única pessoa que consegue se tele transportar com facilidade, de um jeito que parece que esta dissolvendo” essas palavras passaram na cabeça dele.
“Então ele quer me matar?”
Thiago sentiu que a divagação estava passando, e para não cair, fez um poder que iria funcionar assim que ele voltasse ao normal.
De raiva, ele quis se transportar para o quarto.
O tempo voltou a rodar.
Thiago girou no corrimão da escada e começou a cair para o primeiro andar.
Então que tudo parou por meio segundo.
Então a imagem se dissolveu, virando fumaça, desde as bordas até o centro do campo de visão de Thiago.
Ele sentiu que estava girando, a fumaça que a imagem virou também girava, foi quando ele – que estava deitado no ar – subitamente foi virado e ficou de pé, então a imagem começou a se solidificar nos pés dele até ele se ver no quarto dele.
- Baltazar não é o único a se teletransportar então? Ele vai pagar por estragar a minha vida, do futuro e de agora, de ter me matado e...
Thiago foi até a cômoda e abriu a primeira gaveta, tirando uma imagem de anjo que ele havia desenhado no mês passado, que ficara ultra-realista – apesar dele nunca ter visto um anjo – e colocou a mão direita sobre o desenho, que era de uma “anja” loira e bonita.
- Eu juro que vou fazer Baltazar pagar pelo que fez. – ele fechou os olhos – prometo que vou fazer Baltazar pagar pelas almas que matou fazer pagar por me tirar do meu sossego, fazer pagar por matar o Diogo... Faze-lo pagar por tudo que ele fez as pessoas do tempo dele, faze-lo pagar por o que ele tenha feito transformar o futuro numa Idade Média. Nem que eu tenha que contar com ajuda de lá de cima, nem que eu tenha modificar o fogo, nem que eu sofra com mais mortes, nem que eu tenha que lutar contra criaturas da noite, nem que eu tenha que... Nem que eu tenha que falar com a própria morte. Eu juro que vou mudar o futuro para melhor.
Thiago não viu, mas da mão dele e do papel saiu uma luz, então Thiago levantou a cabeça, se ergueu e começou a juntar coisa que ele precisaria para o futuro dentro de uma bolsa.
Entre esses itens ele incluiu todos os poderes do universo que ele tinha. “Eles vão precisar mais do que eu”, protegendo-os com poder para não quebrar.
Terminada a arrumação ele trancou toda a casa, fechou a porta da frente e foi para uma distancia que dava para ver a casa inteira.
- Eu não voltarei mais, portando, eu te deixo.
Falando isso ele se virou, preparou o relógio e começou a atravessar a rua.
Um caminhão que vinha vindo buzinou.
Thiago virou o rosto, que já tinha uma lagrima e então a fumaça subiu.
O mundo começara a mudar.

domingo, 19 de abril de 2009

DESCOBERTA

Thiago naquele dia não comeu.
Só no dia seguinte Sara havia chegado (três horas mais cedo). Ela pegou Thiago abatido e sem animo, tentou perguntar para Thiago o que aconteceu com Diogo e ele respondeu:
- O tempo dele acabou ele foi embora com o relatório.
Três dias depois Thiago se encontrava sozinho de novo, pois a mãe foi na festa de inauguração da loja APSE.
No dia seguinte Sara pediu para Thiago comprar um xampu na loja APSE, que ela havia esquecido de pegar.
Chegando lá, ele se impressionou com o tamanho dela, coisa que ele não havia percebido antes: quinze andares de loja.
Lá dentro tudo tinha jeito de shopping, até o elevador tinha espaço para o carrinho de compras.
Thiago foi ao andar de higiene, pegou o xampu da mãe, pagou e saiu.
Quando tomou o rumo de casa percebeu que o cadarço estava desamarrado, ele se abaixou para amarrar. Nesse momento um caminhão chegou, e dele saíram policiais.
Foi nisso que um barulho de vidro quebrando, chegou aos ouvidos de Thiago.
Thiago gelou quando uma lembrança veio subitamente:

“Pegou uma pedra e tacou na vitrine da loja, ela acertou em cheio a vidraça.
- Por que... – Diogo estava com cara de bronca
- Por causa dele! – apontou para o garoto – a culpa vai cair totalmente nele, distraindo os policiais.
- Ele sou eu!”

Thiago teve uma leve tontura, tudo girava em sua cabeça.
Frases, expressões, comportamento, tudo se encaixava. Diogo era Thiago adulto.
Por que então ele escondeu isso? Por que ele não lhe contou algo tão importante?
Será que ele julgava que isso não tinha importância?
Os policias terminaram a bronca – que Thiago não ouviu uma só palavra – e foram para trás do caminhão e exclamaram, eles haviam sido roubados.
Enquanto voltava para casa Thiago ruminava o assunto.
Diogo era ele mesmo! Ele sabia o que ia acontecer lá, por isso estava estranho, por isso sabia que não ia voltar!
Outra frase veio a sua cabeça:
“-Meu nome é T... Diogo, meu nome é Diogo, e o seu?”
Ele ia falar Thiago!
Por isso ele tava chorando.
“– eu... Você não merece chorar por mim de no...”
Por isso do “de novo”! Por que já havia acontecido!
Eles eram a mesma pessoa! O tempo todo eles eram a mesma pessoa.


Thiago ao chegar à rua chamou o Matheus e o levou junto para a casa, entregou o xampu para a mãe, dizendo que o Matheus estava lá para ver um programa que ele havia baixado e ambos esperaram que ela ligasse o chuveiro.
Assim que ele estava ligado Thiago começou:
- Matheus! Você não sabe o que eu descobri...
- É sobre o seu amigo? Se for eu já vou dizendo que eu não acredito que ele exista...
Como Thiago não tinha tempo a perder ele levantou a mão como se tivesse segurando algo e quis que tivesse uma chama na sua mão.
Mas algo estranho aconteceu.
Por causa das emoções confusas, a pilha de nervos que ele estava e todos os acontecimentos, a pressa que tudo se resolva, ele mal estendeu a mão o fogo apareceu, ele mal quis que o fogo viesse e ele veio. Ele podia até jurar que nem precisava querer.
Por isso ele mesmo, junto de Matheus, levou um susto.
- Meu Deus! Então é verdade...
Então Matheus começou a bambear
-... Nossa! To com tontura...
Thiago reconheceu que tinha longe demais, por isso colocou a mão na cabeça de Matheus, e puxou a tontura da cabeça dele, o que durou alguns minutos.
- Melhorou? – perguntou meio nervoso depois que terminou
- Sim... Mas acho que sua mãe desligou o chuveiro.
Thiago apurou o ouvido, tinha se esquecido completamente da mãe, ela agora estava enxugando o banheiro.
Com a pratica que tinha levou rapidamente o pulso para configurar o relógio, se concentrou na sala e pegou no braço do amigo. A fumaça subiu.
Quando ela cessou os dois estavam sentados no sofá da sala.
Matheus quase perdeu o equilíbrio:
- Nossa!... Por que aqui e não no quarto?
- Para nós nos encontrarmos e acontecer algo... Não. Nós nesse momento estamos no meu quarto conversando.
- Nossa!...
- Matheus! É o seguinte... – cortou – eu e Diogo somos a mesma pessoa!
- Como?
Sem pestanejar Thiago pegou novamente na cabeça de Matheus e lhe passou as lembranças de quando eles foram para o futuro pegar o poder do universo e o incidente da pedra, e depois disso o que tinha acontecido hoje de manhã, contando até com o que Thiago sentiu, a mesma reação do amigo.
- Só não consigo entender uma coisa – falou Matheus – se o que você adulto disse é verdade... Não era para acontecer um raio ou sei-lá-o-que?
- Parece que o futuro está armando algo para que eu ganhe... – o relógio apitou – pegue no meu braço – pediu assim que começou a mexer no relógio.
- Para quê? – perguntou depois de obedecer
- Pra isso! – então a fumaça subiu.
Eles apareceram sentados na cama do outro lado que estavam antes.
Do outro lado tinha no lugar uma coluna de fumaça.
Thiago olhou para o computador espontou para ele, e no mesmo instante ele ligou do nada com uma janela já aberta.
- Preciso que você vá de vez em quando à minha casa – brincou Matheus – meu computador é daqueles que ligam depois de meia hora de espera, dá até para tomar banho.

Tiago subiu correndo as escadas depois que trancou a porta para mãe, chegou ao quarto, trancou a porta e pegou o relógio.
Fazia quatro dias que descobrira o “segredo” de Diogo, e durante esse tempo estudou formas de ter um encontro com Baltazar. E no dia anterior descobrira que Baltazar ficaria sozinho no dia doze às treze horas.
A fumaça subiu. E nisso o relógio já colocou em primeiro plano uma configuração que Thiago tinha colocado como “secundária”.
Thiago apareceu num escritório vermelho sangue, com Baltazar de pé e de costas na sua frente, e a porta acabando de ser fechada.
Mal Baltazar percebeu que Thiago tinha aparecido e ele o tocou, fazendo a fumaça aparecer novamente.
Quando a fumaça cessou eles apareceram num salão abandonado, nas paredes haviam pregado quatro extintores, um em cada parede, que na verdade tinha algo inflamável, que Thiago não sabia o que era, já que o tempo tinha apagado a etiqueta, o que era visível era o desenho de fogo e uma de caveira. O chão do salão estava coberto por uma camada fofa de cinco centímetros de poeira acumulada. Que com a chegada dele levantou levemente.
Baltazar rapidamente se virou e fez uma pequena condensação de ar e a expandiu, jogando Thiago longe. Quando ele aterrissou levantou uma faixa de poeira.
- O que você espera me trazendo aqui? – perguntou com um tom de sarcasmo
Thiago evocou uma super-velocidade e, em um segundo, cobriu a distancia de dez metros – levantando outra faixa de fumaça – e deixou que a inércia fizesse o resto, jogando o impulso todo em Baltazar – a freada dele também levantou a poeira – que voou metros para trás, caindo numa parte de poeira mais alta – elevando-a cinematograficamente.
Baltazar com raiva fez o mesmo, porem Thiago havia calculado que ele faria o mesmo, por tanto, evocou uma combustão sem fogo.
Além de ela ter jogado Baltazar com tudo em uma parede (que vinha com a super-velocidade, e tinha batido na parede de combustão feita por Thiago, que vinha na direção contraria), levantou toda a poeira acumulada de anos sem uma vassoura, obscurecendo a visão.
Baltazar aproveitou essa distração e jogou um poder de energia.
Thiago viu uma luz vindo na sua direção e desviou, o poder bateu em um dos frascos de metal que continham gás inflamável, que explodiu, tirando o equilíbrio de Thiago e derrubando mais uma vez o Baltazar. Além disso, derreteu os cabos de plástico dos extintores das paredes ao lado, abrindo um buraco em cada uma e jogando o gás para dentro do salão.
Thiago percebeu um cheiro de gás, e convocando uma visão diferenciadora de gases, viu que os gazes inflamáveis tinham sido soltos. Ele então fez um poder que fez que Baltazar não percebesse. Alem disso ele viu que a fumaça abaixava.
“Tenho que agir rápido” – pensou
Lenvantando-se rápido, Thiago fez uma bola de campo de força, alimentou-a de oxigênio e então produziu uma chama, nisso arrumou o relógio.
Baltazar o percebeu.
Ele acionou o relógio.
Então tudo aconteceu num segundo.

Ele estava cansado, para chegar à casa velha tinha que subir uma colina mal-formada, além disso, não tinha certeza se o alarme não era outro falso. As pessoas costumavam a inventar fatos para ficar esperançosa.
- Povinho... – o que ele viu tirou o fôlego dele

Baltazar mal viu Thiago ele ficou desconcertado.
Thiago assim que deixou o salão ficou longe demais para segurar o campo de força, que se dissipou, deixando que o gás entrasse em contato com o fogo, explodindo tudo.
A força da explosão foi tão forte que levantou todo o pó e jogou Baltazar para trás, contra uma parede, quebrando-a em circulo da onde ela a pegou, e quando a placa de concreto tocou o chão Baltazar rolou três metros, antes de ficar de pé e ver que, da parte que ele voou e rolou a grama tinha ficado coberta de pó, e que tinha acontecido uma segunda explosão.
Baltazar ficou contente por conseguir ser transportado sem a ajuda de um relógio, então a imagem se dissolveu.

O que Romeu viu foi uma explosão na casa velha, que destruiu com metade dela, e da outra metade, em uma das paredes, saiu um pedaço da parede – seguido por um rastro de fumaça – e quando tocou o chão uma pessoa rolou e ficou de pé, como um militar, a tempo de ver uma segunda explosão, então a pessoa se dissolveu.
“Só uma pessoa consegue se dissolver desse jeito!”
Ele engoliu a seco, Baltazar!
Romeu terminou o trajeto correndo e quando chegou ao topo da colina pegou o simulador de situação baseativo e verificou o que aconteceu.
Uma briga!
Uma briga que Baltazar perdeu. Pois não havia corpo.

Thiago assim que chegou a casa ouviu um carro chegar.
Sua mãe esquecera algo.
E ele estava todo coberto de pó.

“Minha bolsa, como fui esquecer a minha bolsa?”

Thiago rapidamente recorreu ao poder, puxando todo o pó que ele trouxe da briga – limpar o quarto em dois minutos e deixa-lo brilhando era meio estranho – fazendo uma bola de quinze centímetros de poeira.
A mãe abriu a porta da frente.
Rapidamente Thiago correu até a pia do banheiro e levitou a bola de pó em cima, e a transformou em água, soltando-a ralo abaixo.
“A água do mundo não estará totalmente perdida, afinal!”
Foi só nesse momento que ele sentiu uma dor nas costas, ele se virou de costas na frente do espelho e viu as costas. “Nossa!” exclamou assim que viu que as costas inteiras estavam roxas. “Ainda bem que eu tenho poder”, então ele curou as costas.

sábado, 18 de abril de 2009

RECUPERAÇÃO TRÁGICA

Duas semanas depois eles se encontravam sozinhos em casa. A mãe foi numa viagem de negócios e só voltaria no dia seguinte.
Eles se trancaram no quarto, para não correr riscos, e então Diogo começou:
- É o seguinte Thiago: não é seguro que eu volte.
- Por quê?
- Não é em sentido de “segurança”, mas eu não tenho certeza que eu irei voltar.
Thiago ficou confuso. O plano era bem simples, ir, pegar a Essência, e voltar.
- Por quê?
Diogo bufou:
- Eu acho que Baltazar não vai deixar barato o que nos conseguimos fazer. Por isso eu não vou voltar.
-... A... Por quê?
Diogo se descontrolou:
- Caramba! Hoje é por acaso o dia do “por quê?”? Se eu disse que não tenho certeza se vou voltar, é por que eu não tenho certeza que vou voltar, Baltazar não é do tipo que deixa as coisas sem ter a parte dele de satisfação, se foi para a gente ter roubado o poder do universo, é por que nós roubamos. Já faz duas semanas ou mais que roubamos os frascos e ninguém veio até nós, e não foi por falta de endereço, se ele não atacou vai atacar. E se eu digo que não tenho certeza se vou voltar, é por que eu o conheço, e sei do que ele é capaz. Eu já te disse: ele não tem limites, se for para ele explodir a Avenida Capitalismo ou me tacar meio prédio, ele faz isso sem medo. Agora se por algum acaso, – acaso viu? – eu não voltar, não quero saber de tristeza – Diogo começou a chorar, alguma magoa esquecida havia sido cutucada – eu... Você não merece chorar por mim de no...
Diogo tentou disfarçar, mas Thiago sabia que o final da frase era um “de novo”.
- Diogo... Vamos de uma vez?
Digo aceitou bem a mudança de assunto.
- Vamos – sua voz voltou ao normal – de uma vez, não quero perder tempo para salvar a humanidade.
- Humanidade? – Thiago não conteve a pergunta
Diogo olhou serio para ele.
- Você acha que ele vai se contentar com essa cidade?
- Por que essa cidade?
- Por que é aqui que o presidente mora... No futuro.
- Aqui?
- Sim, é a cidade natal dele, ele instalou uma verdadeira capital aqui. Mas como eu ia dizendo, você acha que ele ia se contentar com essa cidade? Ele com certeza vai querer depois o estado, depois o país (que já deve estar no poder dele mesmo) e depois, o mundo. Não é tão difícil quanto parece.
- Cara... To pasmo – disse Thiago
- Guarde seu passismo (palavra nova) para mais no futuro. Ele tem mais coisas t te esperando a cada esquina.

Quando a fumaça cessou Thiago se viu na frente o primeiro distrito.
Eles entraram discretamente, rumaram para os elevadores e de lá para o décimo andar.
- Diogo... Você realmente deixou a essência aqui?
- Sei que parece coisa de burro, mas sim, foi.
Eles então entraram numa sala toda climatizada, fecharam à porta. Nesse momento Diogo deixou cair uma lagrima.

Chegou o meu fim, não posso deixar que isso mude... Me dá uma dó... Ele terá que ser forte.

Diogo parou a meio caminho da parede e abraçou Thiago, um abraço de despedida, todo o carinho possível foi passado.
Thiago, sabendo no fundo do coração, porem se consciente não soubesse o porquê, retribuiu o abraço e ambos choraram a despedida.
Diogo se livrou do abraço, de cara inchada, chegou à parede e a abriu com um poder, retirou a essência, pos no bolso e deu um outro, o “ultimo”, abraço em Thiago.
- Que lindo! – Thiago estremeceu por causa da voz.
Ele se virou e olhou para a porta.
Nela estava Baltazar.
- Deixe a essência no chão e a empurre na minha direção.
Meio hesitante pegou e essência e fez o que lhe foi mandado.
- Muita audácia a sua colocar a essência justamente aqui, no primeiro distrito. – zombou – por isso eu vou matar você primeiro.
Baltazar então ergueu o braço direito e soltou uma bola de energia na direção de Diogo, Diogo por sua vez se jogou para o lado e rolou pelo chão. A bola espatifou a parede.
Diogo então revidou, jogando uma placa de mármore preto do teto na direção de Baltazar, que fez uma finta e desviou da placa, que espatifou na parede deixando uma rachadura.
Baltazar jogou uma bola de água na direção de Diogo, que a poucos centímetros de Diogo se transformou em gelo. Porem ela transpassou o corpo dele com se ele fosse uma sombra.
Diogo fez uma conjuração e a liberou em forma de combustão, que esbarrou em Baltazar tacando-o na parede, mas em Thiago só fez cócegas.
Baltazar se recuperou do choque e soltou uma luz sólida na direção de Diogo, jogando-o na parede.
- Você é patético! – gritou Baltazar
Reconhecendo essa frase Diogo deixou cair uma ultima lagrima.
Diogo gritou “Thiago” e tacou algo. Que Thiago pegou no ar de reflexo.
Com rapidez assustadora Baltazar pegou a arma e deu um tiro certeiro no coração.
Diogo caiu no chão agonizante, com o peito vermelho, deu um ultimo suspiro e morreu.
Só nessa hora que Thiago olhou para o que tinha nas mãos.
Era uma pedra de dois centímetros azul, e o relógio de Diogo. Que marcava: 9, 8, 7, 6,5...
- Agora você... – sentenciou Baltazar.
3, 2, 1,0.
O relógio apitou assim que o gatilho foi acionado.
A fumaça o tirou dali.
Quando ela cessou estava no quarto, sozinho, na casa até o dia seguinte.
Thiago correu pela casa inteira gritando o nome de Diogo, foi quando olhou pela janela e viu Matheus, ele abriu a porta e foi correndo de encontro ao amigo.
- Você ficou aqui o dia inteiro? – a pergunta era tosca, já que ele foi enviado para o mesmo minuto que ele e Diogo tinham saído.
- Fiquei.
- Você viu Diogo sair?
- Não.
Thiago não agüentou e caiu sentado na escada da frente da casa do Matheus e começou a chorar.
Matheus atônito pela reação do amigo, pegou-o e tentou a muito custo levanta-lo.
Cinco minutos depois – com Thiago ainda corando – Matheus conseguiu convencê-lo a ir para casa.
Chegando lá Matheus o levou direto para o quarto e o deitou na cama.
- O que aconteceu?
- Não... – outra crise de choro – sei se devo contar...
- Corro perigo?
- Sim.
- Então eu vou correr.
Thiago então contou tudo desde o dia em que ele achou a carta.
Para sua surpresa Matheus não sofreu do choque temporal.
- O que você acha? – perguntou Thiago que já tinha se acalmado
- Se o que você me disse é verdade...
- E é!
-... Então meu conselho é vingar o seu amigo.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O PODER DO UNIVERSO

- Diogo... – chamou baixinho.
Eles haviam chegado e ido direto para o quarto, se trancando. (apesar de a mãe estar longe)
- Oi – respondeu meio cochichando
- Estamos há meia hora com isso, não bebemos nada! – reclamou
- Então decifra isso! – levou um manual – isso foi feito para quem merece, e faz tempo que eu li! – esbravejou.
Thiago pegou o manual e entendeu o porquê daquilo:

: OÃÇIRCSED

; òs elog mu ed rebeB
Saroh otio ed mujej ed E

… àritnes êcov

Thiago parou por aí, pois o que importava estava em negrito: òs elog mu ed rebed Saroh otio ed mujej ed e.
Thiago pensou na gincana do ano passado: mudar ordem das letras, correrem na esteira ao contrario e... Letras no espelho!
Thiago foi correndo no banheiro e voltou com o espelho à tira colo, sentou-se na cama e falou em voz alta, embriagada de felicidade:
- Descrição: beber de um gole só; e de jejum de oito horas.
- O que? – perguntou Diogo, que estava meio avoado.
- Eu li! Olha através do espelho!
Diogo pegou o espelho e o manual, realmente estava de trás para frente.
Eu não me lembro disso. Baltazar deve ter mudado isso para nos atrasar... Cachorro.
- Quando nós comemos da ultima vez? – perguntou Thiago
- Faz sete horas. Nesse meio tempo nós podemos arrumar o seu quarto viu?
Thiago ficou meio encabulado, porem se manteve e foi ajeitar o quarto.
Uma hora mais tarde Diogo falou:
- Pronto, podemos beber. Depois vamos ao campinho treinar os novos dons.
Diogo então pegou o frasco de liquido vermelho, tirou a tampa e entornou o conteúdo todo garganta a baixo. Terminado ele baixou o braço o olhou meio embriagado para Thiago. Por fim teve um calafrio.
Thiago pegou o frasco, olhou meio desconfiado para ele tirou a tampa com um pouco de dificuldade por causa da ansiedade, e entornou.
Primeiro de tudo a garganta dele arranhou, assim que o liquido tocou o estomago Thiago se sentiu entupido de sensações, foi quando olhou no espelho e viu que tava com cara de bêbado, por fim, ele sentiu tudo clarear e uma energia nova dentro dele, tão nova que... O fez tremer.

Eles chegaram ao campinho:
- E se chegar alguém? – perguntou Thiago
Então Diogo levou as mãos acima da cabeça e se concentrou.
Uma coluna transparente (Thiago sabia que ela estava lá por que viu a coluna subindo, dando uma “tremida” no ar) subiu a partir de toda a volta do campinho, criando uma copula neles:
- Quem estiver lá fora não vai ver nada aqui dentro, e quem quiser entrar vai perder a vontade. – ele fez uma pausa, tossiu e disse – pode fazer o que você quer. Não parece, mas eu já tive a sua idade.
Thiago se lembrou de uma das lições “queira. Você só precisa querer, inconscientemente ou não.”.
Se concentrando ao máximo, ele quis se elevar.
Com uma sensação vertiginosa, Thiago se elevou de uma vez sete metros no ar.
Parando, ele deu um suspiro. Se recompondo, ele inclinou o corpo e foi para frente. Deu umas voltas no campinho.
- Diogo! – gritou Thiago quando parou três metros acima de Diogo – posso tentar algo? Estou muito curioso para tentar isso!
Diogo pensou um pouco
- Pode. Mas cui... – ele foi cortado pelo Thiago.
Thiago juntou todo o seu querer e se encolheu numa bolinha no ar, sentindo todo o calor no ar ele o liberou esticando o corpo.
Thiago então se transformou em um homem de fogo. Jogando a roupa queimada metros ao longe.
A sensação era maravilhosa.
Então ele sentiu uma tontura, escutou meio ao longe Diogo gritar “não!” e o chão começar a desaparecer.

Burro! Vai arruinar tudo!
Conjurando o poder dentro de si, Diogo pegou com poder uma pedra solta no campinho e atirou, não para machucar, mas para distrair, ela na cabeça de Thiago.

Thiago beirou a inconsciência quando uma pedra bateu na cabeça e Thiago caiu no chão, no mesmo instante o fogo se apagou.
Diogo quase perdeu o equilíbrio, mas teve tempo de conjurar uma bola de ar que jogava algo na atmosfera dentro da meia bola do campinho.
Depois de um minuto, Thiago percebeu que Diogo estava jogando oxigênio lá dentro, para repor o que Thiago havia desfalcando produzir fogo.
- Que isso sirva de lição – disse Diogo – nunca produza fogo dentro de um lugar fechadíssimo, sem entrada de ar nenhuma, se caso você precise derreter algo, produza só calor assim você ficará vivo...
Diogo se calou e ficou vermelho, e rapidamente se virou.
No momento Thiago não percebeu o porquê disso, foi quando abaixou o olhar e viu que a roupa dele havia se queimado completamente.
Ficando mais vermelho que Diogo, Thiago levantou todos os fragmentos da roupa natural – um quarto dela – e quis restaurá-la, uma luz a cobriu e no lugar dela apareceu a roupa intacta.
- Quando você ficar experiente – por fim disse Diogo, que havia se virado assim que Thiago se vestira – você não precisara mais querer, vai virar instinto.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

COMEÇAM AS AVENTURAS

Thiago repassou o plano novamente, estava tão ansioso que tremia, o relógio indicou onze horas, era à hora.
O plano consistia em ele e Diogo irem ao futuro no primeiro distrito policial recuperar o relógio e voltarem para a casa.
Para sair eles dependiam do humor da mãe de Thiago e da rotina de todos os sábados: Thiago acordando as onze.
Agora ele já estava na cozinha, na mesa estava Sara servindo o café e Diogo tomando, ambos na mesa, ele pegou o final da frase.
-... Ele morreu há dois anos e... – ela olhou para Thiago – bom dia dorminhoco, se não fosse à visita eu já teria ligado o radio!
- Vocês estavam falando do pai? – Thiago, que em outras ocasiões teria tremido a voz de ansiedade, tremeu em um quase-choro.
- Filho... – ela parou quando Diogo levantou meio sem graça e disse “vou escovar os dentes”

- Sara? – perguntou lentamente Diogo
Ela olhou para ele e parou de cortar a carne
- Sim? – só agora ela percebeu Thiago
- Bem eu vim avisar que eu vou para o campinho com o seu filho. – ele parou e se dirigiu para o Thiago – Thiago, vai lá buscar as coisas. – Thiago entendeu a deixa, quando ele sumiu Diogo retomou a conversa – então Sara... Eu vou com o seu filho para o campinho, no caminho de ida e volta vou lhe fazer algumas perguntas, do estilo “você sempre briga? Por que você brigou?”, mas por enquanto ele acha que só vai ser um passeio.
- Tudo bem. – respondeu Sara, que por alivio de Diogo não foi acionado o radar. – eu vou fazer compras mesmo.

Como havia previsto Thiago, o campinho há àquela hora estava vazio, eles se posicionaram no meio Diogo acionou o relógio. A fumaça subiu.
Quando ela cessou Thiago quase perdeu o equilíbrio.
No lugar do campinho, prédios pequenos e a praça da cidade de Thiago se viam agora uma grande avenida, que ia de horizonte a horizonte, e tinha quatro faixas de uma mão e quatro de outra, e prédios enormes.
- Nossa...! – disse Thiago, fascinado.
De vez em quando passava um carro ou outro, só tinha uma pessoa além deles a pé.
- Gostou?
- A-do-rei.
Thiago ergueu a cabeça mais uma vez e viu um poste de sete metros segurando um letreiro digital transparente escrito: Avenida Capitalismo.
Um vento passou e Thiago sentiu um papel no pé, o que mais parecia uma tela de computador.
- As pessoas davam mais valor quando ele era comprado. – disse Diogo antes de se abaixar e pegar o papel – Jornal eletrônico – explicou
Thiago leu: Romeu e Liza são soltos depois de confirmado que provas são falsas.
Diogo tentou esconder um sorriso.
Então retomaram caminho para o prédio mais alto de todos, inteiramente de vidro exteriormente.
Ao entrarem Thiago sentiu um calafrio, pois todo o interior do prédio era de mármore preto, tinha também duas estatuas uma de leão feito de mármore preto com a pata ameaçadora, de frente para eles, e a outra de ouro puro, de uma águia levantando vôo.
Eles foram para o elevador, subiram até o décimo quinto andar, pegaram vários corredores e entraram numa sala cheia de caixas de madeira:
- Ali! – disse Diogo apontando para uma caixa de um palmo de altura.
Ele a abriu e tirou o relógio, que assim que foi tocado brilhou, colocou no pulso e disse: “vamos embora”.
Thiago começou a andar quando foi barrado por Diogo.
- Thiago, deixa ver seu relógio.
Thiago o mostrou, então Diogo desconfigurou o relógio dele.
- Você devia ter me perguntado!
- Por quê?
Eles recomeçaram a andar.
- Porque não da para sair do prédio... Aqui... Do prédio através de relógios, por... Aqui... Causa de sistemas de segurança que acionam e... Ali... Impedem de sair.
Thiago olhou pra ele
- E...?
- Põe ai o relógio para ser acionado daqui a quinze... – ele parou bruscamente.
Eles estavam na ponta do corredor, e da outra ponta, a quinze metros, estavam dois policiais parados, com as armas a postos.
Diogo olhou para Thiago e percebeu que ele tava com a mão no relógio.
- Thiago... Discretamente configure o relógio e põe para daqui a quinze segundos, porém não o trave.
- Vamos correr? – perguntou meio entre dentes
- Só quando eu gritar, as armas deles estão a postos... Você topa dar a volta no prédio?
- Sim.
- Já está configurado?
- Já.
Mal Thiago deu a resposta Diogo gritou “corre”, e se virou, Thiago meio atrás dele também fez o mesmo, eles começaram a curva – que estava logo atrás deles – e correram.
Thiago olhou para trás, a tempo de ver os tiros pegar onde eles estavam:
- Não se preocupe, nós temos quinze metros de vantagem.
As portas passavam tão rápidas que mal dava para lerem o que estava escrito.
Quando eles chegaram à curva do corredor, os policiais aparecerem e começou a atirar, um tiro passou raspando pela cabeça de Thiago, perto do braço dele, outro espatifou um quadro na parede ao lado dele, quando ele ouviu um grito.
Era Diogo.
- O que aconteceu? – perguntou sem parar de correr
- Eles... Hum... Pegaram a minha perna. – disse com um pouco de dificuldade
Thiago ameaçou parar
- Não pare! – gritou Diogo meio bravo, eles dobraram o corredor, só faltava mais um – Estou feliz pela preocupação, mas não, o tiro só pegou de raspão, não é nada grave.
Os tiros recomeçaram quando eles dobraram de novo o corredor. O elevador apareceu.
- Mas os policiais não vão estar nos andares acima ou abaixo de nós?
- Mas não na tubulação.
Thiago quase perguntou o que significava, mas viu Diogo tirar do bolso um sinalizador.
Ele então o apontou para a grade de tubulação de ar, e, com um tiro certeiro, explodiu a grade, uma densa nuvem de fumaça se espalhou. Diogo gritou “se prepara” e pulou com os pés voltados para a tubulação para lá dentro, só faltava meio corpo entrar quando ouviu.
- Trava.
Thiago travou e pulou.
Ele sentiu Diogo segurar a perna dele e gritar
- A tubulação tem quinze segundos de distancia.
A queda era vertiginosa, as demarcações da solda eram só borrões indistinguíveis, e a mão de Diogo o puxava para mais perto a cada possibilidade.
Foi quando ele sentiu uma curva que quase o quebrou no meio, então ele teve uma visão de tirar o fôlego.
A saída da tubulação era no teto do segundo andar do prédio, o que supera qualquer medo da vida de alguém, ainda mais se a queda é na rua e esta vindo um caminhão rapidamente na sua direção, como era o caso.
Alguns centímetros perto do chão, a coluna de fumaça apareceu.

Thiago sentiu um tranco assim que a fumaça cessou.
Também não havia adiantado nada, por que a poeira do campinho subiu assim que eles pousaram – embolados – mas em segurança.

Mal chegaram um péssimo pressentimento se apossou de Diogo, do tipo que acontece em quem experimenta – pelo que seja só uma vez na vida, nem precisa estar com ele ativo – o poder do universo. Rápido pela pratica, pegou o relógio e o travou assim que ouviu:
- Atirem!

Thiago ouviu um ruído de armas e logo após um grito conhecido:
- Atirem!
Era Baltazar.
Porem antes de o primeiro barulho ser acionado, a fumaça subiu.

Quando a fumaça re-cessou, um tiro – que entrou na influencia do relógio – rebateu na parede do quarto.
- Quanto tempo? – perguntou Diogo
- De cinco a dez minutos – se referindo a mãe
- Pega o aspirador.
Enquanto Thiago fio pegar o aspirador, Diogo pegou um quadro na parede e tirou o prego.
- Você tem algum livro de capa dura? – perguntou
- Terceira gaveta!
Diogo retirou o livro e posicionou o prego, uma batida só foi o suficiente para afundar metade do prego, ele pegou e guardou-o na gaveta, Thiago chegou nesse momento.
- E agora?
- Aspira o pó que ficou na nossa roupa.
Assim que Thiago começou Diogo olhou pelo quarto: as etiquetas! Exatamente como antes.
- Thiago... Você tem alguma etiqueta de sobra?
- Tenho, por quê?
- Para tampar o furo do prego
Thiago assim que terminou de aspirar Diogo apontou para a gaveta do meio, e começou a se limpar.
Pegando uma etiqueta media, assim como as outras na parede, ele colou bem em cima do furo.
Um barulho chamou a atenção.
Sara havia chegado.

Um sentido dizia “ele esta aprontando”, ela trancou o carro e se dirigiu a casa.
Assim que ela entrou, foi direto para a cozinha deixar as compras. Dez minutos que eu quero voltar. O meu “radar” nunca foi tão estúpido.
Ela começou a subir as escadas, chegando lá em cima deixou a bolsa na cama e foi para o quarto de Thiago.

Os últimos preparativos estavam na metade: arrumar o quarto para que parecesse que tudo estivesse bem, a qualquer momento ela iria abrir aquela porta...

Que cara cansada.
Pensou Sara, assim que viu o próprio rosto no espelho do corredor, ela se aproximou mais do espelho.
Esse radar estúpido vai ter de esperar mais uns minutos.
Ela tocou a pele, tentando ver o que havia de errado...

Diogo quase capotou quando tropeçou na mochila de Thiago, porém Thiago o segurou pelo braço e girou no próprio corpo para jogá-lo na cama. Com o giro e o peso de Diogo, ele caiu em cima dele...

Sara finalmente soltou o cabelo e caminhou para o quarto, pegou na maçaneta e a abriu.
-... Então quer... Sara! – exclamou Diogo assim que viu ela
Ela fechou a porta e começou a descer
Radar estúpido.

As semanas – três – passaram voando, nesse meio tempo Diogo deu varias instruções.
Contou para Thiago sobre a historia – coisa que era necessária, já que ele precisava saber de tudo.
Contou sobre eventos da vida dele que poderiam ajudar na luta.
Técnicas de combate usando poder. Além disso ensinou Thiago tudo sobre os poderes que ele poderia ter – se ele quisesse inventar podia.
E contou sobre os efeitos mais esquisitos do poder do universo:
- O poder do universo, quanto mais tempo de uso tem te dá efeitos esquisitos, como por exemplo a “sensação”, que você sente se vai acontecer algo de errado e “divagação momentânea”, que a pessoa, durante um segundo, tem o raciocínio rápido. Teve uma mulher que teve “uma hora” de divagação.
O treinamento também era físico. Diogo o treinava para ser flexível – coisa que não cria muitos músculos, não chamando tanta atenção.
Foi quando o prazo terminou.

Dando outro passeio, Diogo convenceu Sara a aceitar.
- Tem certeza que ela não esta alarmada? – tentou se certificar Thiago
- Absoluta.
Eles chegaram ao campinho e Thiago suspirou: tinha gente jogando.
- E agora? – perguntou meio incrédulo
Diogo fechou os olhos como se lembrasse.
- Aqui tem banheiro?
- Sim
- Me leva até lá – pediu.
Eles foram numa velocidade meio-rápida, foi quando avistaram o vestiário, e do outro lado os banheiros.
Eles entraram no banheiro, e então Diogo configurou o relógio e disse:
- Segure no meu bra... – ele foi interrompido pela porta que abriu.
Rapidamente eles foram cada um para um banheiro, fechando a porta e escutando a pessoa: um bêbado.
Foi quando Thiago percebeu o pé de Diogo embaixo da divisória do banheiro. Rapidamente ele encostou o pé no de Diogo – quase do mesmo tamanho 38 – e a cortina de fumaça subiu.
Eles então viram, quando a fumaça cessou, que estavam de pés encostados, de frente a uma casa, do outro lado à loja APSE, – Armarinhos, Presentes, Souvenir e Escolares – e um garoto saindo da loja.
- Levei a gente para algum tempo no futuro – o garoto parou para amarrar o tênis.
- Percebi, pois a loja ainda esta em construção, por que aqui?
- Por causa do carregamento que vai chegar à loja, essa é a data que ele – o p.d.u – começou a ser comercializado.
Um caminhão chegou.
Dele saíram policiais.
Thiago pegou uma pedra e tacou na vitrine da loja, ela acertou em cheio a vidraça.
- Por que...
- Por causa dele! – Thiago apontou para o garoto – a culpa vai cair totalmente nele, distraindo os policiais.
- Ele sou eu!
Diogo se calou. Agora fui longe demais! Dei a dica! Quando o dia chegar... Ele irá perceber de vez!
- Desculpe... – pediu meio sem graça.
- Tudo bem, a idéia é boa.
Com uma descrição enorme, Thiago e Diogo caminharam até o caminhão, dali puderam ver os policiais brigando com o Diogo garoto.
Eles pegaram uma caixa de vidrinhos de poder do universo, e foram até um beco.
- Desculpe... – pediu Thiago antes de a fumaça subir
Diogo havia levado eles para instante que saíram, por isso, a fumaça foi duas vezes mais volumoso. O bêbado, completamente entupido gritou:
- Jeshus, me acode! O demônio ta chhegando!
E saiu correndo.
Eles não puderam evitar voltar para casa rindo do bêbado.
Uma das ultimas ocasiões que eles iriam rir.

sábado, 4 de abril de 2009

BALTAZAR

- Tem como impedi-lo? – perguntou Thiago, temeroso da resposta se não.
- Ele vai me caçar, (isso é obvio), por que eu lidero... Por que eu sou seu maior problema, e com viagens ao futuro e outros meios... Preciso voltar ao futuro com você para buscar meu relógio, para começarmos a ser independentes uns dos outros.
- Mas quando?
- Pode ser...
Ele foi interrompido por uma campainha
- Vamos ver quem é? – perguntou Thiago enquanto abria a porta
- Vamos – respondeu Diogo
Eles se agacharam no chão e foram para perto da escada, onde podiam ver sem ser vistos. Da posição onde eles estavam podiam ver claramente a sala, aonde Sara deixava entrar um homem alto – para Thiago – careca, porem de bigode e cavanhaque rentes e ligados.
- O conheço do meu tempo – falou friamente Diogo – ele é o Baltazar
- O que?
- Shhh – indicou
Agora Baltazar já estava acomodado e então começou a conversa.
- Como já lhe disse – sua voz era meio parecido com a de Diogo, porem era mais dura – eu sou um comandante de policia e seu filho foi pego roubando.
- O que? – gritou Sara e exclamou sussurrado Thiago
- Vamos contar para minha mãe quem é ele e quem você é! – disse ele depois que Baltazar começava a contar uma mentira de todo inventada
- Tem certeza? – disse ironicamente – Se sua mãe ficar sabendo vai acontecer um fenômeno conhecido por choque temporal.
- Choque temporal?
- É quando a pessoa encontra-se com algo do futuro, se esse algo é também uma pessoa, as duas sofrem.
- Sofrem?...
- Um choque mais potente que um raio, há quem sobreviva, mas nisso não estão incluídos os velhos, as crianças e nem mulheres. Só homens, e assim só os saudáveis.
- Isso quer dizer...
- Sua mãe ó... – disse Diogo passando a mão reta sobre a garganta
- E por que eu não...
- Você não espera que eu saiba de tudo...
- THIAGO!
O grito veio da mãe:
- Faça o que fizer, não diga a ele que eu já achei você, quanto mais ele achar – a mãe deu outro grito – que eu não fiz contato ainda melhor.
- Por que ele – a mãe deu mais um grito – acharia isso?
- Ele já não esta aqui?
Thiago desceu as escadas
- Sim? – perguntou como se tivesse no quarto
- Você fez algo de errado hoje?
- Como...? – perguntou mais uma vez fingindo ignorância
- Roubo – completou Baltazar
- Se eu tivesse você saberia – disse se referindo ao “radar”
- É verdade... Mas mesmo assim você esta de castigo. Ele me falou que você não chegou a roubar... Mas cadê o inspetor? Ele precisa ter uma conversa com o comandante... Você esta encrencado! Diogo!
Um grito desses não da para se disfarçar, então com a menção do nome Baltazar contorceu a cara, e contorceu mais ainda quando passos ressoaram na escada. Thiago desviou o olhar do “inimigo” ao ouvir Diogo falando na maior calma:
- Sim?
- Este moço... – Sara parou assim que percebeu a porta batendo e que Baltazar sumira. – estranho... Mas mesmo assim, você esta de castigo.
E sem nenhuma palavra foi para a cozinha
- Ela não devia ter dito meu nome – falou Diogo
- Não mesmo – completou Thiago.


Eles haviam voltado para o quarto e re-trancado a porta, com um suspiro Thiago se afundou na cama, e Diogo na cadeira da mesinha do computador. Diogo falou:
- Thiago, está na hora de você saber que tem sim como vencer Baltazar.
- E qual é?
- Eu não me lembro direito, mas já foi publicada a edição 23 do gibi guerras no mundo de poder?
- Sim, foi o que eu mais gostei, foi nessa que eu tinha entendido o significado “guerras de poder”, foi massa os humanos soltando poderes junto de...
- Já chegou ao ponto que eu queria – cortou Diogo – o fato é, você lembra como os humanos ganharam poder?
Thiago pensou um pouco
- Poder do universo? – chutou
- Isso! O poder do universo, quando esse gibi saiu, os cientistas ficaram entusiasmados com a idéia de poderem fazer o liquido que da poder
Thiago meditou um pouco:
- Mas para que?
Os olhos de Diogo faiscaram
- Você não sabe?
- Não.
Os olhos faiscaram ainda mais
- É por causa de um outro tipo de liquido, mais poderoso, a essência.
Thiago fez cara de “e...?”.
- O poder do universo dá para as pessoas a possibilidade de soltar qualquer poder, usando palavras ou não. A essência também.
- E o que as diferencia?
- O poder do universo, se você não utilizá-lo durante duas semanas, nem um pouco, o poder se auto-extingue. A essência não, se você ficar cinqüenta anos sem usá-lo, quando você pegar para fazer de novo, ele esta lá, mais forte, até.
“O poder do universo é só um meio para se chegar à essência,dizem até que se você tiver precisando, dá para se evocar a essência do mundo, mas deve ser besteira” zombou “o importante é saber que Baltazar também quer a essência”.
- Droga! Mas, Diogo, a essência existe?
Diogo se perguntou se estava indo longe demais, mas continuou:
- Sim, nós... Eu a escondi secretamente no cemi... Primeiro distrito policial do futuro.
- Vamos pega-la! – exclamou Thiago, feliz pela aventura estar no caminho.
- A é? Com só você de relógio? Esta mais fácil me colocar numa bandeja de prata com maçã na boca! Vamos pensar Thiago! – falou mais bravo – o que você faria se fosse Baltazar, agora que estamos juntos?
- Nos pegaria daqui a alguns dias, por que essa seria a nossa medida.
Diogo se surpreendeu melhor impossível
- E nos esperaria nos estoques, por isso vamos pegar o relógio amanhã e esperaremos algumas semanas antes de voltarmos para o futuro novamente, eles vão pagar o dia em que tiveram que fazer nós nos encontrarmos!

À noite, enquanto observava o corpo volumoso de Diogo – que estava dormindo no quarto dele, já que o quarto de hospedes estava precisando de limpeza – subindo e descendo com a respiração, pensava sobre os acontecimentos do dia.
Fui ao futuro, conheci um homem de lá, já estou sendo caçado e tem poderes e uma essência! Tudo num só dia! Cara... Se eu pudesse saber que ele é confiável... Fui estúpido... Mas algo diz que ele é confiável. Um dia! Um dia e minha vida esta dando volta como num carrossel... Espero que não cheque a uma montanha russa.
Mal ele sabia que só estava começando.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O RELOGIO DE THIAGO

Passara três dias antes de Thiago achar o relógio que ganhara três anos atrás, na festa de aniversario de dez anos.
Ele pegou o relógio nas mãos e olhou para a carta na cômoda (limpa), respirou e disse bem alto – já que a mãe não estava em casa – a frase:
- Relógio meu, serás meu transporte via espaço tempo!
O relógio na mão dele tremeu e ascendeu, como se fosse um farol, antes de apagar e voltar a ter a aparência normal.
Acreditando cada vez mais no estranho, ele pegou o relógio e colocou as coordenadas para aquele mesmo dia, há um minuto, durante três segundos, se concentrado no próprio corredor na frente do quarto. Ele travou o relógio.
Uma cortina de fumaça o envolveu completamente, e quando cessou, ele se viu no corredor, rapidamente ergueu o braço e bateu na porta.
Só que o tempo se esgotou, levantando de novo a coluna de fumaça, e cessou novamente.
Thiago abaixou o braço ainda levantado, respirou fundo e caminhou até a porta.
Uma fumaça entrou por debaixo da porta, então ele ouviu darem uma batida na porta e a fumaça aumentar.
Rapidamente ele abriu a porta a tempo de ver a coluna chegar ao teto e se dissipar.
Então é verdade!
Porém um barulho chamou a atenção dele. A mãe dele havia chegado.
Com uma pressa que atrapalha, pegou a carta e configurou o relógio, se concentrou no endereço e travou o relógio, depois de trancar a porta do quarto.
A fumaça subiu mais uma vez, e cessou.
No lugar do seu quarto estava um quarto de hotel médio, vivível, como costumava dizer, e na sua frente estava o dono da carta.
Era um rapaz de vinte nove anos, como havia dito, mas aparentava ser cinco anos mais velho do que realmente era, tinha cabelos castanhos e olhos escuros, era alto.
- Quem é você? – perguntou para o estranho
- Meu nome é T... – ele se calou, sabendo que estava indo para um mau caminho – Diogo, meu nome é Diogo, e o seu?
- Thiago, você que me mandou a carta?
- Sim...
- Por quê?
- Te respondo assim que estivermos seguros; a pol... – ele foi interrompido por uma explosão.
A parede direita havia desmoronado, e da fumaça saíram dez policiais.
Diogo gritou um “configura” antes de se jogar em cima de Thiago, no momento em que tocaram o chão, Thiago percebeu que os policiais estavam atirando, eles aparentemente se assustaram e mudaram a mira para o chão.
Porém a coluna de fumaça apareceu levando os dois.

Assim que a coluna cessou Diogo percebeu que estavam no quarto de Thiago, seus olhos brilharam por um instante, porem ele fechou os olhos antes que Thiago percebesse:
- Da próxima vez avisa que você... – ele foi interrompido por batidas na porta e a mãe gritando “Thiago, o que você esta aprontando?”.
Thiago soltou um “O radar” antes de perguntar
- E agora?
Diogo fechou os olhos como se estivesse se lembrando:
- Você que mora aqui, diz você.
Thiago ficou vermelho, nesse momento a mãe fez de novo o mesmo ritual de “abre a porta agora”, e ele percebeu que Diogo estava de social e tinha uma mala.
- Você que é o mais velho e... – ele olhou para a janela, ele sabia que tinha uma varanda bem próxima dela, que ele tinha usado uma vez quando a maçaneta havia quebrado... – a janela! Tem uma varanda do lado!
Diogo deu um sorriso “ta tudo certo” e cumpriu a ordem.
Assim que ele sumiu Thiago abriu a porta
- O que você estava fazendo mocinho? – perguntou enquanto entrava no quarto
-... Nada... – disse Thiago num tom “desculpe, já estou me sentindo culpado por estar fazendo nada, não precisa brigar”.
Ela olhou para ele e começou a falar algo quando a campainha tocou:
- Salvo pela campainha! – por fim disse ante de sair do quarto
Thiago caiu na cama.

- Sim? – perguntou do jeito mais polido que conseguia
- Você é a mãe do Thiago Vinicius Ribeiro?
- Sim. – respondeu meio desconfiada – O que aconteceu?
- Bom dia, eu sou T... Diogo Rodrigues, inspetor de ensino, foi enviado pela escola de seu filho para ficar aqui por uns dias – ele engasgou um riso. Só uns dias mesmo. Pensou antes de prosseguir – pois me disseram que seu filho se envolveu em uma briga hoje de manhã.
- Foi assim tão feio?
- Não fui informado, sou na verdade de outra cidade, a senhora – ela tremeu por causa da palavra – poderia me informar onde tem um hotel aqui perto?
Ela o encarou. Tomara que isso não tenha saído do circulo
- Você pode ficar aqui – disse ela deixando espaço para ele entrar
Quando ela fechou a porta deu um grito
- Thiago! Vem aqui! Tem um inspetor dizendo que você brigou na escola!
- Mas mãe... – disse ele, que tinha escutado tudo.
Ele então se calou quando viu Diogo, ele deu uma piscadinha.
- É verdade? – perguntou para ele
- Mas... – Thiago se virou e subiu as escadas correndo e bateu a porta, para parecer contrariado.
- Adolescentes! – exclamou
- Senhora...
- Sara – cortou antes que começasse a se irritar com “senhora”
- Sara – repetiu Diogo – posso pedir um favor?
- Sim
- Enquanto eu estiver aqui eu posso vestir uma roupa menos quente?
- Claro! Depois que a raiva dele passar ele mostra para você onde poderá dormir, ta?
- Esta bem.
Sem esperar mais ela se virou para a cozinha.
Diogo suspirou. Até aqui tudo certo.

Passadas duas horas Thiago “concordou” com a estadia de Diogo, ele “recebeu” no quarto e eles haviam se trancado.
- Agora você pode falar – começou Thiago
- A historia é longa
- Estou disposto – afirmou Thiago
- Esta bem... – disse Diogo preparando o tom de voz monótono – no futuro as pessoas são pressionadas a ficar na “linha”, não fazer nada de errado aos olhos do governo, pelo próprio.
- O governo? – disse Thiago com cara de incrédulo
- Aí esta o ponto da questão – falou Diogo mais entusiasmo – o que responde a governo na verdade é Baltazar, o comandante da policia do futuro, irmão do presidente...
- Quantos anos têm o presidente?
- Ele é o mais novo da historia, tem 26, mas voltando ao assunto, eles são irmãos, e Baltazar faz tudo, exatamente tudo, em nome do governo, ele é extremamente opressor, e... Aí que vem o que se chama de thananãns. – disse Diogo quase gritando, Thiago quase pediu para ele para de gritar.
Ele fez uma pausa de cinco minutos, foi aí que Thiago percebeu que tinha que perguntar:
- E qual é?
- Você não percebe?
- Não.
Diogo ficou triste
- Mesmo?
- Mesmo
- Ta né, fazer o que? – disse ele depois de um suspiro – é o seguinte, quando Baltazar faz algo... Por exemplo, faz um ataque a uma casa, diz que eram “perigo mortal ao presidente” – disse gesticulando – o presidente em questão não pode demiti-lo, pois também esta em perigo de morte.
“Ou seja” continuou “O presidente na verdade não tem domínio sobre Baltazar, e ele próprio não faz questão de esconder isso”.
Thiago arregalou os olhos
- Quer dizer que...
- Baltazar é totalmente independente de governo para fazer qualquer coisa, pra falar a verdade, ele próprio é o governo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

continuaçao do primeiro capitulo:

....
Ele mal trancou a porta e lançou a mochila no sofá branco da mãe, pegou o mp3 do bolso e colocou na rádio, só para então subir as escadas (já que a casa, como todas da rua, era de dois andares) e ir para o quarto.
Ele estava quase na porta do quarto quando escutou um barulho, um barulho forte suficiente para abafar o som da rádio, porém fraco o bastante para só quem estivesse na porta do quarto – ele – escutar.
Thiago pegou os fones e guardou no bolso, olhou para os dois lados e só então deu um passo. Respirando devagar olhou pela porta entreaberta, viu uma fumaça preto-transparente subindo pela cama. Ele entrou no quarto e foi para a cama para ver de perto o que aconteceu, só assim ele pode ver que o que causara a fumaça era uma carta – intacta – rodeada de fuligem. (na coxa branca)
- Minha mãe vai me matar – disse quando viu o estrago.
Ele esticou um dedo e encostou-a na carta, antes de puxar a mão rapidamente, a carta estava normal.
Ele a pegou de novo e a abriu, revelando o seu conteúdo:


Olá, você de qualquer época.

Sei que é meio difícil de acreditar, mas eu sou do futuro, eu estou correndo perigo mortal, por favor, ajude-me.
Se você for do passado, escreva “passado” no verso desta carta, se não for, escreva “quais as coordenadas”, ajude-me.

Thiago não conseguiu acreditar no que ele acabara de ler, pois ele acreditava ser obra dos seus colegas. Eles fazem isso o tempo todo, só por que eu acredito em quase tudo.
Mas dentro dele uma voz dizia “você não tem nada a perder”, e com coragem, pegou uma caneta e escreveu:

Passado

A carta nem se mexeu.
Descontente por ter sido feito de palhaço, ele jogou a carta ainda aberta na cômoda.
Assim que a carta deixou de tocar a pele dele ela se dobrou sozinha, como se quisesse ficar dobrada, assim que ela tocou a cômoda, ela explodiu. Como Thiago estava na beirada da cama, com o susto ele foi para trás e caiu de costas no chão. Retomado do susto, pegou um pano úmido e limpou a cama, e depois que ela já estava limpa ele se dirigiu para a cômoda, para então ser interrompido por outra explosão.
A carta havia voltado:

Bem, se é assim, você com certeza não sabe como ter uma máquina do tempo, ou sabe? De qual ano você é? E por fim, você tem medo de isso ser uma pegadinha?
Obs.: responda uma de cada vez separada por vírgulas, e de preferência seja direto.

Ele olhou para a carta meio sem entender, por fim pegou a caneta e escreveu no verso, já limpo:

Não sei, 2009, sim.

E soltou a carta, que se dobrou e explodiu.
Mais um minuto se passou antes de vir outra explosão:

Vejamos, não, isso não é uma pegadinha, por que acho que é impossível para o ano em que você vive se feito esse tipo de truque e, sobre a maquina, você pega um relógio que mais tiver valor sentimental, coloque-o entre suas mãos e diga em voz alta: “relógio meu, serás meu transporte via espaço tempo”. Eu não o faço por que uma vez feito não da para se substituir e confiscaram o meu.
Para vir onde eu estou você coloca no relógio: 12-04-2035
(Para diminuir a dúvida eu tenho 29 anos). Daí você imagina: Rua dos mercados, 223, centro. Não demore, por favor.
ai vai o primeiro capitulo:

O COMEÇO DE UMA NOVA ERA

Um barulho irritante o acordou.
Thiago abriu rapidamente os olhos, o barulho era uma musica da rádio com um bip alternado com outro a cada segundo. Era irritante.
Ele destravou o rádio relógio e olhou para o quarto meio escuro-avermelhado, por causa do amanhecer, e suspirou. Foi até a janela e abriu-a, dando umas boas-vindas para o sol. Com a janela já aberta foi para o espelho na cômoda do quarto, se olhou pelo espelho. Nem parece que é ultimo dia de aula. Suspirou de novo, seu ultimo dia na sétima serie.
Ficou contemplando seu rosto durante um minuto, contemplando o que puxara dos pais, os cabelos castanhos meio loiros e a pele branca da mãe, os olhos claros e corpo mediano, mas forte do pai. Pai... Uma lágrima escorreu pelo rosto.
Dez minutos depois ele já estava pronto para ir para escola, só tinha que tomar café e ir.

Na volta da escola ele e Matheus – seu melhor amigo – estavam conversando, estavam a pé por que as respectivas mães estavam trabalhando e não poderiam pegar os filhos. Thiago ia de cabeça baixa.
- Mas diz aí, quem foi o melhor, o Fê ou o Cássio? – perguntou Matheus sobre a discussão proposta pela professora para defender a “ré” do “julgamento”
- O Fê, é obvio! – respondeu rápido
- E aí, você vai poder dormir lá em casa?
-... Não, minha mãe acha que eu não sou merecedor de tal ato – zombou – mas ela disse que eu posso daqui a dois meses.
- Ano que vem então? – ele esperou que o amigo respondesse, e ganhou de volta um aceno de cabeça – aonde você irá passar as férias? – perguntou tentando mudar de assunto
- Em casa.
Logo Matheus percebeu que Thiago não queria conversa.
Ele se conteve para perguntar.
Mas não aquentou:
- O que foi? Sou eu?
Thiago finalmente levantou a cabeça
- O que?
- O problema. Você não fala mais do que sim, é obvio, não, pode ser, talvez. Isso enche! Eu vou perguntar de novo: sou eu?
Thiago teve que pensar um pouco antes de entender que o amigo estava falando
- Não.
Matheus teve um surto:
- É disso que eu estou falando
Thiago surtou também
- Lembra do meu pai? Hein? Lembra? Então?! Hoje faz dois anos! Dois, ta me ouvindo? Dois!
Matheus abaixou a cabeça
- Desculpe, eu esqueci.
- Esse é o meu problema: eu também estou quase me esquecendo
- Lembrar não vai lhe fazer bem.
Uma lágrima escorreu. A aquela altura já tinham parado a caminhada:
- Ele... Ele... – Thiago pegou coragem – ele era tão... – ela fugiu dele novamente
Matheus então esticou os dois braços em um gesto “dá cá um abraço!” Que todos da sala faziam de brincadeira com quem estava triste.
Thiago conhecia aquela brincadeira, por isso hesitou, mas Matheus abaixou de leve a cabeça em sinal de aprovação.
Thiago abraçou o amigo do abraço apertado. Matheus, que entendia o amigo, passou solidariedade para o amigo através do abraço, nesse momento, sentiu que o ombro estava molhando. Era o choro do amigo.
- Calma... – tentou
- Dois anos... Dois anos que ele morreu... Ainda sinto falta dele – desabou Thiago – nós ainda mal nos acostumamos com a vida sem ele.
Thiago se soltou para enxugar as lagrimas, só então perceberam que estava na divisão imaginária entre a casa da Elza, a vizinha encrenqueira, com a de Thiago, e do outro lado da rua a casa do Matheus.
- Bem preciso ir – disse Thiago – obrigado pelo apoio... Tenho que ir, se a minha mãe me pega em casa, sozinho e sem ter ajeitado o quarto eu fico de castigo.
E assim foi um para casa lado.
......

ainda nao terminou o 1 captulo