A História chegou ao fim.
Depois de uma longa temporada, postei o último capítulo.
Longas aventuras seguiram na primeira hítória de Thiago, que agora volta à normalidade... Ou assim pensa. Seguem agora spoilers que eu cederei da próxima história, Terrorismo, e que não revelaram (óbvio) o final.
Thiago se apaixona;
O que causa todas as compliações da história é um cd;
Cd esse que, se Thiago não o tivesse concertado, não teria ocorrido nada;
Lívia entra nessa história adolescente.
Vários acontecimentos estão previstos para acontecer no segundo.
Mas ainda não acabou. Serão cinco histórias (uma já acabou) que acontecerão, na ordem:
A CARTA, A PEDRA E A ESSÊNCIA;
TERRORISMO;
DRAGÕES;
A CÓPIA VOL. 1 - Morte
A CÓPIA VOL. 2 - Vingança.
Nos proximos volumes, eu irei criar um nome para saga, mas por enquanto, mantenho Aventuras de Thiago.
sábado, 17 de outubro de 2009
EPÍLOGO
ALGUNS ANOS NO FUTURO
-... Aí ela me disse: “você não vai comprar?”, aí eu respondi: “claro que não!”.
Thiago estava conversando com o Matheus. Os dois estavam andando numa das calçadas de um dos quarteirões da Avenida Capitalismo. Estava um sol lindo de fim de tarde. De vez em quando passava um carro na avenida, e havia poucos pedestres como eles.
- Mas você não acha que foi um pouco grosso? – perguntou Matheus.
- A minha sogra quer me fazer comprar uma lavadora que eu não quero. E ainda por cima custa o meu fígado!
Nesse momento Thiago olhou para frente, e viu um casal acompanhado de um garoto de treze anos. Ele lhe era familiar. Thiago teve um momento de inspiração e lembrou-se dele, como num sonho distante, uma participação ínfima na vida dele, apesar de ter sido ao contrario. Ele ficou na frente do garoto e cumprimentou os pais dele:
- Olá, meu nome é Thiago – ele estendeu as mãos, que os pais do garoto apertaram – e gostaria de falar com o seu filho – disse apontando para o garoto.
Os pais dele ficaram desconfiados, se entreolharam, conversando com os olhos, mas permitiram. Sem antes o pai segurar firmemente no ombro dele.
- Oi Lucas – o garoto se surpreendeu pelo fato dele conhecer o seu nome, mesmo sem tê-lo dito – não espero que você se lembre, mas eu gostaria de te falar que eu consegui matar Baltazar.
- Eu não sei do que o senhor está falando. – respondeu meio desconfiado.
- Posso então te passar algumas lembranças?
Lucas olhou para o pai, que pensou um pouco e fez que sim com a cabeça, mas não soltou o ombro do filho, caso Thiago quisesse seqüestrar Lucas usando o relógio ou teletransportação, teria que levar o pai junto. Thiago e Lucas deram-se as mãos, e então Thiago passou para ele todas as suas lembranças desde a conversa que eles tiveram e que o Lucas tinha contado sobre os próprios pais, os acontecimentos na avenida e no galpão, finalizando quando a luz tinha tomado conta do seu corpo. Alguns fatos haviam se perdido com o tempo, mas faziam um todo coerente.
- Estou feliz por você – disse Lucas sinceramente – mas não consigo me lembrar de nada, nem lembro se já havia te visto alguma vez na vida.
- Tudo bem – disse Thiago decepcionado – só queria que você soubesse. Não sabia se haveria outra oportunidade como essa.
E então Thiago deu um toque no braço de Matheus, e eles recomeçaram a caminhada:
- Eu não quero comprar aquela lavadora sendo que nós já temos uma de ótima qualidade... – retomou a conversa com o Matheus. Se distanciando de Lucas. Uma das poucas pessoas que “poderiam” afirmar que “presenciaram” a decisão do destino de sua cidade.
Seu pai deu um toque no ombro, indicando que era hora de andar. As lembranças que aquele cara tinha eram um ótimo enredo de jogo, mas ele não se lembrava se conhecia o homem. Quanto mais tentava se lembrar, menos conseguia. Algo no fundo dizia para ele: “você o conhece”, mas só isso não era suficiente para ele lembrar. Ficaria a duvida agora. Seus olhos saíram de foco, enquanto uma torrente de lembranças invadia seu cérebro. Ele parou no meio do caminho. Agora se lembrava. Ele se virou, ignorando os olhares dos pais.
- Thiago! – o homem adulto, que lembrava o Diogo, parou e se virou, com uma cara de “quê?” – eu me lembro. Obrigado por ter trazido os meus pais de volta!
Thiago deu um sorriso, retirando de sua memória à cara de raiva inchada que ele tinha mantido da “ultima” vez em que haviam se visto, quando Lucas estava agonizando numa hemorragia interna incurável. Ele recomeçou a sua caminhada com o amigo, que mantinha a mesma idade das lembranças de Lucas.
Ele começou a caminhar, seguido pelos seus pais. Eles mantinham a cara de interrogação.
- O quê que você lembra Lucas? – perguntou a mãe.
- É uma longa historia. – ele preparou a garganta – Num presente que não vai mais acontecer, tinha um homem chamado Baltazar. Ele...
fIM
-... Aí ela me disse: “você não vai comprar?”, aí eu respondi: “claro que não!”.
Thiago estava conversando com o Matheus. Os dois estavam andando numa das calçadas de um dos quarteirões da Avenida Capitalismo. Estava um sol lindo de fim de tarde. De vez em quando passava um carro na avenida, e havia poucos pedestres como eles.
- Mas você não acha que foi um pouco grosso? – perguntou Matheus.
- A minha sogra quer me fazer comprar uma lavadora que eu não quero. E ainda por cima custa o meu fígado!
Nesse momento Thiago olhou para frente, e viu um casal acompanhado de um garoto de treze anos. Ele lhe era familiar. Thiago teve um momento de inspiração e lembrou-se dele, como num sonho distante, uma participação ínfima na vida dele, apesar de ter sido ao contrario. Ele ficou na frente do garoto e cumprimentou os pais dele:
- Olá, meu nome é Thiago – ele estendeu as mãos, que os pais do garoto apertaram – e gostaria de falar com o seu filho – disse apontando para o garoto.
Os pais dele ficaram desconfiados, se entreolharam, conversando com os olhos, mas permitiram. Sem antes o pai segurar firmemente no ombro dele.
- Oi Lucas – o garoto se surpreendeu pelo fato dele conhecer o seu nome, mesmo sem tê-lo dito – não espero que você se lembre, mas eu gostaria de te falar que eu consegui matar Baltazar.
- Eu não sei do que o senhor está falando. – respondeu meio desconfiado.
- Posso então te passar algumas lembranças?
Lucas olhou para o pai, que pensou um pouco e fez que sim com a cabeça, mas não soltou o ombro do filho, caso Thiago quisesse seqüestrar Lucas usando o relógio ou teletransportação, teria que levar o pai junto. Thiago e Lucas deram-se as mãos, e então Thiago passou para ele todas as suas lembranças desde a conversa que eles tiveram e que o Lucas tinha contado sobre os próprios pais, os acontecimentos na avenida e no galpão, finalizando quando a luz tinha tomado conta do seu corpo. Alguns fatos haviam se perdido com o tempo, mas faziam um todo coerente.
- Estou feliz por você – disse Lucas sinceramente – mas não consigo me lembrar de nada, nem lembro se já havia te visto alguma vez na vida.
- Tudo bem – disse Thiago decepcionado – só queria que você soubesse. Não sabia se haveria outra oportunidade como essa.
E então Thiago deu um toque no braço de Matheus, e eles recomeçaram a caminhada:
- Eu não quero comprar aquela lavadora sendo que nós já temos uma de ótima qualidade... – retomou a conversa com o Matheus. Se distanciando de Lucas. Uma das poucas pessoas que “poderiam” afirmar que “presenciaram” a decisão do destino de sua cidade.
Seu pai deu um toque no ombro, indicando que era hora de andar. As lembranças que aquele cara tinha eram um ótimo enredo de jogo, mas ele não se lembrava se conhecia o homem. Quanto mais tentava se lembrar, menos conseguia. Algo no fundo dizia para ele: “você o conhece”, mas só isso não era suficiente para ele lembrar. Ficaria a duvida agora. Seus olhos saíram de foco, enquanto uma torrente de lembranças invadia seu cérebro. Ele parou no meio do caminho. Agora se lembrava. Ele se virou, ignorando os olhares dos pais.
- Thiago! – o homem adulto, que lembrava o Diogo, parou e se virou, com uma cara de “quê?” – eu me lembro. Obrigado por ter trazido os meus pais de volta!
Thiago deu um sorriso, retirando de sua memória à cara de raiva inchada que ele tinha mantido da “ultima” vez em que haviam se visto, quando Lucas estava agonizando numa hemorragia interna incurável. Ele recomeçou a sua caminhada com o amigo, que mantinha a mesma idade das lembranças de Lucas.
Ele começou a caminhar, seguido pelos seus pais. Eles mantinham a cara de interrogação.
- O quê que você lembra Lucas? – perguntou a mãe.
- É uma longa historia. – ele preparou a garganta – Num presente que não vai mais acontecer, tinha um homem chamado Baltazar. Ele...
fIM
ATUALIZAÇÕES
O refrão final da musica “When Love Takes Over” chegou aos seus ouvidos assim que sentiu uma leve pressão nos ouvidos. Seus olhos estavam fechados. Ele estava estranhamente descansado, comparando os fatos recentes.
Enquanto a musica tocava, ele sentiu a claridade diminuir sobre seus olhos, chegando ao ponto de uma luminosidade normal. Lentamente ele abriu os olhos, relutante para saber dos perigos que havia à espreita.
Não tinha nenhum.
Ele se encontrava num corredor bastante conhecido, mas não se lembrava da onde era. A pressão nos ouvidos eram os fones.
Ele reconheceu o corredor. Estava em casa.
Após ter matado Baltazar jovem, ele impediu que o mesmo crescesse e, por subseqüente, não cometesse os atos maléficos dele. Em resumo: não poderia tornar a vida de Thiago adulto num inferno, ao ponto de buscar ajuda ao Thiago jovem, portanto, esse não precisaria sair do conforto da sua casa, deixando uma brecha para a morte da própria mãe. Em mais resumo ainda: tudo estava em ordem.
Ele caminhou lentamente até o próprio quarto, saboreando cada pisada. Era um alivio estar de volta.
Desinteressado de ouvir rádio – começou a tocar uma musica que ele odiava – ele retirou os fones. Assim que ele foi desligar o aparelho teve uma surpresa: o seu mp3 não era mais um mp3, mas sim um mp4.
Devo ter ganhado, mas o que faria a minha mãe comprar um aparelho mais avançado?
Retirando essa questão da cabeça, ele abriu a porta do próprio quarto.
A primeira coisa que notou de novo era a cor das paredes. Ao invés daquele cinza que era antigamente, agora tinha uma coloração azul-escurecida. As paredes havia se estendido, deixando o quarto maior. Os moveis eram melhores e o ultimo adesivo que tinha colado sumira. Indo direto para a cama, ele conferiu a coxa branca, sem nenhuma marca de fuligem.
Meio camuflado com a cor da coxa, havia uma carta endereçada ao Thiago.
Ele a pegou, temendo que algo tivera acontecido de errado. A abriu lentamente e tirou de dentro uma folha de caderno dobrada quatro vezes. Ele a abriu para revelar uma única palavra:
Obrigado.
A carta se desfez em sua mão, virando pó, fazendo milhares de pedaços voarem até a janela. Ele os seguiu. Novamente ele percebeu outra mudança no quarto: a mesinha de estudos foi para baixo da janela. Lá estavam os cadernos, gibis, canetas e outras tralhas dele.
Se apoiando na mesinha, ele deu boas vindas ao dia.
Estou livre. Finalmente livre. Sem responsabilidades, sem pessoas a ajudar. Livre!
Um barulho o alertou que tinha alguém na porta. Um segundo depois uma voz chegou aos seus ouvidos, uma voz que ele não ouvia há dois anos.
- Filho?
Thiago se virou rapidamente, não acreditando em seus ouvidos. Porém eles estavam mais do que certos. Seu pai estava de volta.
Mas não era para ele ter vindo. Quer dizer... Ele tinha morrido muito antes dessa historia toda! A não ser que Baltazar tenha o matado.
- Pai?
- Achou que fosse quem? – ele riu devido à própria piada. Ele estava segurando um copo de água na mão esquerda e uma revista enrolada na direita. Estava de chinelos, algo que sugeria folga.
- Ninguém... Imagina. Cadê a mãe?
- Ela foi fazer compras, como tínhamos combinado ontem.
Assim que a última palavra foi proferida, uma torrente de memórias se relanceou em sua mente. Atualizações de todos os últimos dois anos. Todas as noites que a mãe dele passou chorando foram substituídas por noites de muitas risadas. Os aniversários foram incluídos o pai dele, passeios feitos, reforma da casa, uma viagem, o cemitério não visitado mais... Ele contando para Sara que ia estar de folga no dia 25, e ela se recusando que ele fosse ao mercado, que ela ia de qualquer jeito.
Mesmo assim, as lembranças de antes se mantiveram em sua mente, para lembrá-lo do que custou a briga com Baltazar. Agora ele tinha tanto as memórias do pai morto quanto dele vivo.
Um carro estacionou na garagem. Thiago se virou para ver quem era e se deparou com um Novo Ka, segundo suas memórias um presente de aniversário para Sara.
- Sua mãe chegou, vou ajudá-la com as compras. – dito isto ele se retirou.
Thiago se ajoelhou na frente da janela. Obrigado Deus, valeu mesmo. Rapidamente se levantando, ele olhou para baixo, para ver o seu pai chegar até sua mãe e se abraçarem, parecendo que não se viam há dois anos, mesmo sem entenderem o porquê de tanta saudade. Tecnicamente eles NÃO se vêem há dois anos, mas na pratica...
Repentinamente ele sentiu sede, desejando um copo de água loucamente, e se lembrou que não tomou nada desde as oito horas da manhã do dia do eclipse. De lá se passaram cinco horas, e mais meia ou uma hora da briga com o Baltazar jovem. Não contava o fato de ele ter tomado um copão de água há vinte minutos.
Seus olhos caíram repentinamente na mesinha de estudos, então ele notou um copo de água, que supostamente nunca estivera lá. Impossível... Isso é impossível!
Cogitando ainda menos a teoria que acabara de forjar, ele tocou a ponta do dedo no copo – cuja água estava fresca – e quis que a água gelasse.
Fios brancos saíram do ponto em que tocava, no lado de dentro do copo, em direção ao vidro do outro lado. Toda vez em que tocava o vidro, o fio branco se expandia, para então tocar em outra ramificação, congelando toda a água.
Estupefado, ele pegou o copo e virou o conteúdo na mão esquerda, soltando uma pedra de gelo com o formato do copo, ela deslizou, mas manteve-se equilibrada.
Devolvendo a peça ao copo e secando as mãos ele pensou. Isto é impossível. Era para os poderes se extinguirem assim que eu matei o Baltazar. Não era para eles terem vindo comigo...
Ele foi até a caixa de tranqueiras que ele mantinha embaixo da cama, retirou-a de lá e a colocou em cima da cama.
Ele revirou o conteúdo, retirando tudo aquilo que não o interessava, e em baixo das cartas que ele tinha recebido de aniversario, cursos e coisas do genero, estavam o poder-do-universo e a essência.
- Isso é impossível – exclamou – a não ser que tenha alguém tentando me ajudar! Mas quem... Não tem ninguém que eu conheça que tenha poderes o suficiente para tal façanha! E se existe, no momento não se lembra de nada!
Ele guardou tudo de volta na caixa e a alojou em baixo da cama. Preciso de um lugar melhor para guardar minhas coisas. Principalmente a essência. Mas ele logo retirou essas questões da cabeça. Afinal, ele tinha todo tempo do mundo.
Finalmente podia dormir sossegado! Baltazar não podendo crescer, ele estava sem problemas, e ainda, estava com um pai de novo! Chega de lembrar como era ter um pai, pois agora era só pensar em como é ter um pai.
Ele postou-se no seu lugar perto da janela. E ficou observando os seus pais descarregarem as compras do carro, eles pareciam excessivamente felizes.
Um barulho puxou a sua atenção, vindo do final da rua. Um caminhão virou na esquina e veio em sua direção, estacionando na casa da Elza.
Thiago se lembrou que a Elza tinha se mudado na semana retrasada, estressada por causa das brincadeiras de Thiago e de Matheus, e que tinham comprado a casa dela na quarta-feira, e iriam mudar-se hoje, sexta-feira.
O caminhão que estacionou era o da mudança, e atrás dele veio um carro preto, que o ultrapassou e estacionou na frente dele, perto dos pais de Thiago.
Do carro saiu um casal, eles conversaram com o motorista do caminhão, que desceu e foi direto para a traseira, onde estava a equipe de mudança. O casal então satisfeito foram até os pais de Thiago, receber as boas-vindas.
Tomara que esse casal seja legal, pensou Thiago, tomara que sejam diferentes da Elza. A porta de trás do carro se abriu, revelando um par de pernas. Eles têm um filho! Tomara que seja legal, senão eu e o Matheus faremos um inferno na vida dele! O garoto arrumou algumas malas dentro do carro, atrasando a sua saída de dentro dele.
O garoto que estava dentro do carro fez o movimento de levantar-se, revelando uma juba de cabelo em ondas castanho-claro até os ombros, que no momento cobria-lhe o rosto. O garoto jogou os cabelos para trás, revelando-se uma menina.
Thiago suspirou. Era a garota mais bonita que ele já havia visto na vida. Ela não possuía o “padrão de beleza” imposto todos os dias, mas ela possuía algo que encantava o Thiago. O coração dele bateu mais rápido. Sentiu-se estranhamente tolo, e excessivamente feliz. Era como se todo o sol tivesse se focado nele. O dia tinha ficado com uma beleza exótica.
Ela olhou para os adultos reunidos em casais, eles se cumprimentaram, e então, junto dos próprios pais, ela perguntou algo, e o pai de Thiago apontou para a janela dele. Ela o olhou.
Seus olhos se encontraram. Thiago se sentiu tão mexido por ela que suas pernas bambearam.
De súbito ele sentiu um calafrio, tão forte ao ponto de balançar os seus braços. Mas não era um simples calafrio. Era o calafrio provocado pelo poder-do-universo. Era aquele que indicava que algo realmente perigoso estava para acontecer. Acontecer com aquela garota. Acontecer com ele.
Mas ele não sabia o que era. Nem o que estava para acontecer. Estava tudo nas mãos do destino. Uma nova aventura.
Enquanto a musica tocava, ele sentiu a claridade diminuir sobre seus olhos, chegando ao ponto de uma luminosidade normal. Lentamente ele abriu os olhos, relutante para saber dos perigos que havia à espreita.
Não tinha nenhum.
Ele se encontrava num corredor bastante conhecido, mas não se lembrava da onde era. A pressão nos ouvidos eram os fones.
Ele reconheceu o corredor. Estava em casa.
Após ter matado Baltazar jovem, ele impediu que o mesmo crescesse e, por subseqüente, não cometesse os atos maléficos dele. Em resumo: não poderia tornar a vida de Thiago adulto num inferno, ao ponto de buscar ajuda ao Thiago jovem, portanto, esse não precisaria sair do conforto da sua casa, deixando uma brecha para a morte da própria mãe. Em mais resumo ainda: tudo estava em ordem.
Ele caminhou lentamente até o próprio quarto, saboreando cada pisada. Era um alivio estar de volta.
Desinteressado de ouvir rádio – começou a tocar uma musica que ele odiava – ele retirou os fones. Assim que ele foi desligar o aparelho teve uma surpresa: o seu mp3 não era mais um mp3, mas sim um mp4.
Devo ter ganhado, mas o que faria a minha mãe comprar um aparelho mais avançado?
Retirando essa questão da cabeça, ele abriu a porta do próprio quarto.
A primeira coisa que notou de novo era a cor das paredes. Ao invés daquele cinza que era antigamente, agora tinha uma coloração azul-escurecida. As paredes havia se estendido, deixando o quarto maior. Os moveis eram melhores e o ultimo adesivo que tinha colado sumira. Indo direto para a cama, ele conferiu a coxa branca, sem nenhuma marca de fuligem.
Meio camuflado com a cor da coxa, havia uma carta endereçada ao Thiago.
Ele a pegou, temendo que algo tivera acontecido de errado. A abriu lentamente e tirou de dentro uma folha de caderno dobrada quatro vezes. Ele a abriu para revelar uma única palavra:
Obrigado.
A carta se desfez em sua mão, virando pó, fazendo milhares de pedaços voarem até a janela. Ele os seguiu. Novamente ele percebeu outra mudança no quarto: a mesinha de estudos foi para baixo da janela. Lá estavam os cadernos, gibis, canetas e outras tralhas dele.
Se apoiando na mesinha, ele deu boas vindas ao dia.
Estou livre. Finalmente livre. Sem responsabilidades, sem pessoas a ajudar. Livre!
Um barulho o alertou que tinha alguém na porta. Um segundo depois uma voz chegou aos seus ouvidos, uma voz que ele não ouvia há dois anos.
- Filho?
Thiago se virou rapidamente, não acreditando em seus ouvidos. Porém eles estavam mais do que certos. Seu pai estava de volta.
Mas não era para ele ter vindo. Quer dizer... Ele tinha morrido muito antes dessa historia toda! A não ser que Baltazar tenha o matado.
- Pai?
- Achou que fosse quem? – ele riu devido à própria piada. Ele estava segurando um copo de água na mão esquerda e uma revista enrolada na direita. Estava de chinelos, algo que sugeria folga.
- Ninguém... Imagina. Cadê a mãe?
- Ela foi fazer compras, como tínhamos combinado ontem.
Assim que a última palavra foi proferida, uma torrente de memórias se relanceou em sua mente. Atualizações de todos os últimos dois anos. Todas as noites que a mãe dele passou chorando foram substituídas por noites de muitas risadas. Os aniversários foram incluídos o pai dele, passeios feitos, reforma da casa, uma viagem, o cemitério não visitado mais... Ele contando para Sara que ia estar de folga no dia 25, e ela se recusando que ele fosse ao mercado, que ela ia de qualquer jeito.
Mesmo assim, as lembranças de antes se mantiveram em sua mente, para lembrá-lo do que custou a briga com Baltazar. Agora ele tinha tanto as memórias do pai morto quanto dele vivo.
Um carro estacionou na garagem. Thiago se virou para ver quem era e se deparou com um Novo Ka, segundo suas memórias um presente de aniversário para Sara.
- Sua mãe chegou, vou ajudá-la com as compras. – dito isto ele se retirou.
Thiago se ajoelhou na frente da janela. Obrigado Deus, valeu mesmo. Rapidamente se levantando, ele olhou para baixo, para ver o seu pai chegar até sua mãe e se abraçarem, parecendo que não se viam há dois anos, mesmo sem entenderem o porquê de tanta saudade. Tecnicamente eles NÃO se vêem há dois anos, mas na pratica...
Repentinamente ele sentiu sede, desejando um copo de água loucamente, e se lembrou que não tomou nada desde as oito horas da manhã do dia do eclipse. De lá se passaram cinco horas, e mais meia ou uma hora da briga com o Baltazar jovem. Não contava o fato de ele ter tomado um copão de água há vinte minutos.
Seus olhos caíram repentinamente na mesinha de estudos, então ele notou um copo de água, que supostamente nunca estivera lá. Impossível... Isso é impossível!
Cogitando ainda menos a teoria que acabara de forjar, ele tocou a ponta do dedo no copo – cuja água estava fresca – e quis que a água gelasse.
Fios brancos saíram do ponto em que tocava, no lado de dentro do copo, em direção ao vidro do outro lado. Toda vez em que tocava o vidro, o fio branco se expandia, para então tocar em outra ramificação, congelando toda a água.
Estupefado, ele pegou o copo e virou o conteúdo na mão esquerda, soltando uma pedra de gelo com o formato do copo, ela deslizou, mas manteve-se equilibrada.
Devolvendo a peça ao copo e secando as mãos ele pensou. Isto é impossível. Era para os poderes se extinguirem assim que eu matei o Baltazar. Não era para eles terem vindo comigo...
Ele foi até a caixa de tranqueiras que ele mantinha embaixo da cama, retirou-a de lá e a colocou em cima da cama.
Ele revirou o conteúdo, retirando tudo aquilo que não o interessava, e em baixo das cartas que ele tinha recebido de aniversario, cursos e coisas do genero, estavam o poder-do-universo e a essência.
- Isso é impossível – exclamou – a não ser que tenha alguém tentando me ajudar! Mas quem... Não tem ninguém que eu conheça que tenha poderes o suficiente para tal façanha! E se existe, no momento não se lembra de nada!
Ele guardou tudo de volta na caixa e a alojou em baixo da cama. Preciso de um lugar melhor para guardar minhas coisas. Principalmente a essência. Mas ele logo retirou essas questões da cabeça. Afinal, ele tinha todo tempo do mundo.
Finalmente podia dormir sossegado! Baltazar não podendo crescer, ele estava sem problemas, e ainda, estava com um pai de novo! Chega de lembrar como era ter um pai, pois agora era só pensar em como é ter um pai.
Ele postou-se no seu lugar perto da janela. E ficou observando os seus pais descarregarem as compras do carro, eles pareciam excessivamente felizes.
Um barulho puxou a sua atenção, vindo do final da rua. Um caminhão virou na esquina e veio em sua direção, estacionando na casa da Elza.
Thiago se lembrou que a Elza tinha se mudado na semana retrasada, estressada por causa das brincadeiras de Thiago e de Matheus, e que tinham comprado a casa dela na quarta-feira, e iriam mudar-se hoje, sexta-feira.
O caminhão que estacionou era o da mudança, e atrás dele veio um carro preto, que o ultrapassou e estacionou na frente dele, perto dos pais de Thiago.
Do carro saiu um casal, eles conversaram com o motorista do caminhão, que desceu e foi direto para a traseira, onde estava a equipe de mudança. O casal então satisfeito foram até os pais de Thiago, receber as boas-vindas.
Tomara que esse casal seja legal, pensou Thiago, tomara que sejam diferentes da Elza. A porta de trás do carro se abriu, revelando um par de pernas. Eles têm um filho! Tomara que seja legal, senão eu e o Matheus faremos um inferno na vida dele! O garoto arrumou algumas malas dentro do carro, atrasando a sua saída de dentro dele.
O garoto que estava dentro do carro fez o movimento de levantar-se, revelando uma juba de cabelo em ondas castanho-claro até os ombros, que no momento cobria-lhe o rosto. O garoto jogou os cabelos para trás, revelando-se uma menina.
Thiago suspirou. Era a garota mais bonita que ele já havia visto na vida. Ela não possuía o “padrão de beleza” imposto todos os dias, mas ela possuía algo que encantava o Thiago. O coração dele bateu mais rápido. Sentiu-se estranhamente tolo, e excessivamente feliz. Era como se todo o sol tivesse se focado nele. O dia tinha ficado com uma beleza exótica.
Ela olhou para os adultos reunidos em casais, eles se cumprimentaram, e então, junto dos próprios pais, ela perguntou algo, e o pai de Thiago apontou para a janela dele. Ela o olhou.
Seus olhos se encontraram. Thiago se sentiu tão mexido por ela que suas pernas bambearam.
De súbito ele sentiu um calafrio, tão forte ao ponto de balançar os seus braços. Mas não era um simples calafrio. Era o calafrio provocado pelo poder-do-universo. Era aquele que indicava que algo realmente perigoso estava para acontecer. Acontecer com aquela garota. Acontecer com ele.
Mas ele não sabia o que era. Nem o que estava para acontecer. Estava tudo nas mãos do destino. Uma nova aventura.
ESCOLHAS II
Continuação...
Interpretem os pensamentos filosóficos dele, depois eu vou configurar o texto.
Ele piscou ao reconhecer onde estava.
Ele estava naquele galpão, era obvio. O tempo estava parado, obviamente, uma vez que tudo tinha ficado estático e mudo. Mas o que era diferente era a posição em que se encontrava: estava de pé, a dois metros de distancia de si próprio, que estava deitado no ar, segurando uma espada de energia, a sete metros do peito de Baltazar, sua cara era de espanto, ao passo que a de Thiago era de pura raiva misturada com cara de vitória.
Então ele se lembrou da carta: “e esse poder irá parar o tempo para que você possa fazer uma escolha. Pois essa escolha envolve um perigo.”.
Ele olhou atentamente em volta, para ver que perigo seria aquele.
Seus olhos vasculharam o galpão, mas não via nada que pudesse ser tão perigoso assim. Ele notou as ondas de poeira; os vidros estilhaçados das janelas indo à direção ao chão; viu os raios desintegrando tudo; Lucas jorrando sangue; ele próprio; a cara de curiosidade de Baltazar; a nuvem descendo pela coluna, mas só na metade do caminho; e a essência.
Ela estava a dez metros atrás de Thiago. Ele se aproximou e seu medo aumentou: ela havia caído.
Como Matheus tinha lhe avisado, “se ela cair no chão, pode acontecer uma mega-explosão”, e Thiago não precisara de algo mais detalhado para entender o contesto: se a essência cair de modo violento no chão, explode.
Ele examinou minuciosamente o frasco. Estava de pé, inclinado levemente. Seu fundo tocava o chão. O frasco estava quebrado, varias partes de vidro haviam sumido. A essência havia adquirido um tom vermelho enquanto se expandia em pequenas cordilheiras entre os espaços que dividiam o vidro, para consumir o galpão com fogo.
Então é isso, pensou, meu perigo é esse, a explosão da essência. Se eu decido que não haja explosão, Baltazar continua vivo. Se eu mato Baltazar, morro junto devido à explosão. Minha vida ou a liberdade do povo, ele riu devido à questão diplomática, não me vejo morrendo pelo povo.
Devo escolher o que é certo. Mas o que é certo? Se eu morro agora, outros Thiagos morrerão. Se eu não o mato, vou falhar assim como os meus antecessores. E provavelmente ele não deixará isso barato.
O que o Diogo escolheria? Dã, ele sou eu. E o pior, foi um perigo diferente.
Ele me disse que só tinha falhado na segunda decisão, ou seja, passou por essa. Se ele passou, tenho condições de passar.
Se fiando nesse raciocínio, pensou em como chegar a Baltazar antes da essência ao chão. Uma frase apareceu em sua mente: “faça a escolha certa, e, se optar por ela, vá com mais velocidade”.
Então era isso! Ele (Diogo) tinha adivinhado o que ia acontecer.
Aproveitando a deixa de estar ali, com o tempo parado, ele deitou no chão (que esquisitamente estava quente) e começou a descansar.
Se eu posso aproveitar... Por que não?
Quando se passou o equivalente há cinco minutos (equivalente, ao passo que o tempo estava parado), ele levantou-se, tirou a poeira da roupa e deu uma ultima examinada nele mesmo.
O conjunto da obra dava uma ótima imagem promocional de um filme. Seu toque estiloso dera a cena um tchan especial, já que tinha deixado o zíper da blusa aberto. As abas da blusa esvoaçavam-se do lado dele.
Achando que já descansou o suficiente ele decidiu ir em frente.
Confiante, seguiu até ficar ao lado dele mesmo e pensou mentalmente na resposta.
Nada.
Ele segurou a própria mão – dele que estava deitado – e pensou com toda força de vontade possível na sua decisão.
Nada.
Então ele percebeu que era mais simples do que tinha imaginado.
Ainda segurando a própria mão, e falou calmamente:
- Eu quero continuar.
Uma dor lacinante penetrou na sua carne.
-... Por nós! – foi o único aviso.
Segurando a espada acima da cabeça com as duas mãos, ele inclinou-se para frente, um pouco antes de cair no chão, ele voou. Voou direto ao coração de Baltazar.
Seu vôo foi tão rápido que poderia ter cruzado a distancia que os separava em um segundo, mas Baltazar havia lançado um poder Extensivo, jogando o braço esquerdo da direita para o seu respectivo lado, fazendo que cada metro real percorrido por Thiago parecesse cem.
Nesse tempo extra garantido, Baltazar começou a entoar um cântico para que o processo duplicativo de poder andasse mais rápido.
Ele sentiu, agora que estava atento, a corrente em que estava pendurada a essência balançar-se perigosamente no pescoço. Um dos elos se partiu, deixando-a escapar.
Ele triplicou a velocidade.
Thiago estava a dois metros reais da coluna de ar, sua blusa de moletom chicoteava os lados do corpo. Ele esticou mais os braços. Baltazar hesitou. A famosa Curiosidade Adolescente. Era tudo que ele precisava. Thiago guinou para frente. Em direção ao peito de Baltazar.
Então, finalmente naquele dia, ele fincou a espada no peito de Baltazar.
Sem parar, ele virou-se para a esquerda – mantendo a mão direita no punho da espada – e apontou a mão para o frasco, tudo em questão de segundos.
Uma cúpula envolveu a essência, ela explodiu, transformando o escudo numa lâmpada. O fogo manteve-se por dois segundos e então se apagou devido à falta de oxigênio, deixando em seu lugar apenas fuligem e uma cratera.
O impulso do vôo fez com que Baltazar cambaleasse para trás. Assim que Thiago pôs os pés no chão, soltou a espada, deixando o Baltazar cair de joelhos. Ele liberou o fluxo do poder, deixando a espada sumir, e, assim que ela deixou de existir, o sangue brotou do furo, empapando a camisa de Baltazar.
Com essa distração, Baltazar manteve suas atenções na dor, retirando-se do ritual. Então a coluna de ar se desfez, do chão para cima, parando o fluxo; fazendo as nuvens se dispersarem (um tanto delas tocou no teto e condensou, fazendo pequenos fios de água). A poeira se assentou e os raios restantes calaram-se.
Apesar de todos esses motivos, o galpão estava quieto demais, exceto os gemidos de dor de Baltazar.
Thiago parou para pensar. Não pode ser o poder que o Diogo fixou em mim, senão ele teria especificado dois não um. Isso é um Poder de Tempo, obvio, já que tudo está parado. Ele deu uma vasculhada no galpão. Uma camada de poeira flutuava acima do solo; pingos de água flutuavam no espaço; e o corpo agonizante de Lucas estava parado. Tudo indicações de Paralisante Temporal, mas tinha algo que o intrigava. Por que cargas da água Baltazar está se mexendo então? Será que eu devo matá-lo? Mas ele está praticamente morto.
Antes que ele pudesse convocar uma espada, uma voz ressoante e tão profunda quanto qualquer assunto mórbido ecoou no galpão, reverberando no crânio de Thiago:
- Não adianta.
Ele se virou assustado, para então dar de cara com um vulto alto. Seu corpo estava coberto por uma capa preta que cobria o seu rosto, pés e mãos. E na mão direita ele segurava uma espada. Essa espada era de prata pura, estava tão lisa e imaculada que ele poderia jurar que era novinha em folha. Ela brilhava intensamente, mesmo sem nenhuma luz encostar-se a ela.
A figura em si lembrava algo para Thiago. Uma figura má. A própria...
- Olá, eu sou a Morte. – sua voz veio como uma pancada de água fria. Talvez por ser quem era. Talvez por ser um homem, e não mulher como a maioria das pessoas achavam.
Thiago recuou dois passos:
- Você não tinha uma foice? – foi a única coisa que escapou da boca de Thiago.
- Foice era para antes, antiquado. Espada é mais bonita. E armas-de-fogo não têm a sutileza necessária para o meu ofício.
- E por que não adianta? – seu corpo tremia violentamente para que fugisse dali.
- Por que sou eu que decido quem vive e quem morre. Acima de mim, as ordens vêm de lá – ele apontou para o teto com a mão esquerda, sem mostrar a mão – o resto fica por minha conta. Uma pessoa pode muito bem estar entre a vida e a mim, mas se eu decidir que ela deve continuar viva, ela continua, mesmo se ela ficar em coma por uma década. Mas se uma pessoa totalmente saudável pinicar a ponta do dedo uma vez só com um alfinete, e eu decidir se ela morre, ela morre. E quando se vai ver... Foi tétano. Pura falta de sorte.
- Você vai devorar a alma dele?
- Por que deveria? – sua voz adotou um tom irritado – o problema dos humanos é acharem que eu me alimento das almas. Eu não sou uma criatura monstruosa. Esse é meu emprego. Como qualquer outro. Desde que a humanidade tomou a consciência de cidade, de vida, e de bando, um indivíduo foi selecionado para este emprego, e desde então, toda vez que uma Morte se aposenta, outro da mesma linhagem de sangue vem fazer uma substituição. Senão os seres vivos seriam imortais. É só um emprego como qualquer outro. As almas que eu encaminho vão ao Pré-Julgamento, em que se é decidido se vão para cima, ou para baixo. E esperam até o Último-Julgamento, em que se é balanceado as atitudes humanas, e se é decidido se o lugar pré-escolhido foi o certo. E nesse dia, junto à bancada do Juiz Supremo, estará o representante da Morte da época, e o representante do Destino da época, outro empregado divino. E – se antecipando à pergunta de Thiago – não adianta me perguntar, por que nem o próprio Juiz Supremo sabe quando será do Último-Julgamento. Tudo depende das atitudes humanas.
“Mas voltando à linha de raciocínio, não preciso me alimentar de almas para me manter vivo, não quando não sinto fome. Um dos poucos males de se ser a Morte.”
- E por que você quer ele vivo?
A Morte deu uma gargalhada. Algo assustadoramente cruel.
- Por que eu deixei isso para você. Uma decisão que você terá que tomar: mato ele ou não mato? – sua voz tinha um tom alegre, de quem esta achando graça.
Thiago olhou em duvida para o Baltazar agonizante. Ele está sofrendo. Não foi assim que fui criado. Fui criado para evitar ser injusto para com as pessoas. Não posso afirmar que eu abomino qualquer tipo de morte, sendo que eu mesmo já matei vários insetos.
O problema é que não é um simples inseto, mas um humano. Um igual – literalmente falando. Ele está sofrendo muito, mesmo que esteja estagnado nesse ponto de morte.
Como Diogo havia falado, não posso fraquejar agora. Preciso me manter nessa mesma opinião. Mas isso requer que eu vire um juiz e o condene. Apesar de ele ter feito isso com centenas de pessoas, não me vejo fazendo o mesmo.
Vou pedir para que ele o mate.
- Mate-o. – disse solenemente.
Uma pequena ondulação percorreu o teto de ponta a ponta, tão pequena que Thiago não percebeu. Porém a Morte a viu.
- Mesmo? – sua voz tinha o mesmo tom dos professores que queriam confundir os alunos. Mesmo que a resposta esteja certa, ele pergunta “mesmo?” num tom que confunde o aluno e o força a fazer a escolha errada.
Devo declinar? Perguntou-se, ele não merece viver, mas eu tenho esse direito sobre essa decisão?
Tenho.
- Mesmo. – outra ondulação percorreu o teto, só que mais forte, ao ponto do teto se afundar e depois se elevar cinco centímetros do teto original. Esse Thiago percebeu, e seus pêlos se arrepiaram. Decisões importantes estavam sendo tomadas.
- Tem certeza? – perguntou calmo e inflexível, no mesmo tom anterior.
- Por que pergunta tanto? Ta com medo de abrir mão de quem te encaminha tantas almas?
- Você não ouviu nada do que eu disse. Não me importa se ele morrer agora do que depois. A pessoas que ele matou vão acabar morrendo de qualquer jeito.
- Mas você não me respondeu...
- Por que pergunto tanto? E só pra saber de uma coisinha só... Você vai agüentar viver com esse fardo? Ser o carrasco que decide quem vive ou quem morre?
Nem eu sei ao certo. Mas a questão é que eu preciso que ele morra. As esperanças de varias pessoas estão sobre mim.
- Posso conviver com isso. – outra ondulação ocorreu, de mais de meio metro.
- Se é assim que decides. – ele curvou os ombros.
Ele ergueu sua espada. Simultaneamente outra ondulação percorreu o teto, e Thiago adivinhou se era pelo fato de não ter impedido a Morte.
Ele colocou a espada apoiada sobre o ombro direito, se postando de frente ao Baltazar, com Thiago ao seu lado.
Após uma longa espera, Thiago se viu forçado a falar:
- O que está esperando? – e mais outra ondulação percorreu o teto. Só que a intensidade foi tanta que, da onde Thiago estava vendo, o teto recuou e de ergueu um metro e meio em relação ao original, essa mesma ondulação percorreu o teto de ponta a ponta.
- Como queira. – rosnou entre dentes a Morte antes de baixar a espada com tudo em direção a garganta de Baltazar.
A reação instintiva de Thiago foi fechar os olhos, mas ele se manteve forçado a olhar. O instinto levou a melhor fechando os olhos a espera do barulho de carne cortada e a cabeça rolando. O barulho veio instantaneamente...
Pec.
O barulho de carne batida foi tão inesperado que Thiago foi forçado a abrir os olhos.
Em vez de a Morte ter cortado a cabeça de Baltazar, ele simplesmente bateu com a parte plana da espada no pescoço de Baltazar, ainda agonizando.
A Morte agilmente fez a espada subir pescoço acima e, sem arrancar nenhum teco de carne da orelha, ele pôs a ponta da espada no topo da cabeça de Baltazar.
Fios prateados e insubistânciais da alma de Baltazar saíram da sua cabeça em direção a espada. Elas percorreram toda a sua extensão e penetraram no punho. Assim que elas o tocaram as paredes e o teto do galpão ficou instantaneamente branco, devido à luz que os cobriram.
No momento que o ultimo pedaço de alma de Baltazar sumiu, e esse caiu para o lado, quieto para todo o sempre, a luz avançou rapidamente em direção ao Thiago.
- Está feito. – disse a Morte.
A luz o engolfou vertiginosamente. Ela era salpicada de azul-claro. Imagens do que acabara de acontecer passaram aos olhos de Thiago, só que de traz para frente, e bem rápido.
Ele viu a si mesmo andando de costas entre os mortos; ele viu Baltazar reaparecer em cima do prédio; viu a lua reentrar na frente do sol. Tudo em tom azul-luz.
Uma dor penetrou nas pontas de seus dedos, todos eles.
Ele viu a si mesmo indo deitar de manhã, o sol se pondo às seis horas, para depois ele reabrir os olhos meia-noite, e ele acordando às seis da tarde.
A dor subiu perna acima e percorreu os braços, ele os olhou e viu que aonde doía estava com a mesma tonalidade da luz.
Ele viu o fogo reentrar na cripta, que se reconstruiu enquanto um míssil voava para trás, em direção a um caça no mesmo sentido; e ele correndo de frente para trás, de costas, entrando na cripta.
A dor chegou aos seus braços e coxas.
Ele viu a si mesmo ainda odiando o Lucas; chegando a Resistência; jurando fazer a diferença, só que agora notando uma luz em sua mão.
A dor chegou aos seus ombros e a cintura.
Ele se vingando de Baltazar; o conselho de Matheus; o tiro que matou Diogo saindo de seu peito em direção a arma na mão de Baltazar.
A dor parou de avançar nos ombros, mas continuou a subir cintura a cima.
Eles pegando o poder-do-universo; recuperando o relógio; Diogo explicando sobre o poder-do-universo; a visita de Baltazar.
A dor chegou à altura do coração, as imagens passavam cada vez mais lentas.
Ele indo salvar Diogo no futuro; soltando a carta na cama enquanto voltava para a porta, repondo os fones nos ouvidos.
A dor chegou ao seu cérebro, e a luz se tornou tão intensa ao ponto de cegá-lo.
Interpretem os pensamentos filosóficos dele, depois eu vou configurar o texto.
Ele piscou ao reconhecer onde estava.
Ele estava naquele galpão, era obvio. O tempo estava parado, obviamente, uma vez que tudo tinha ficado estático e mudo. Mas o que era diferente era a posição em que se encontrava: estava de pé, a dois metros de distancia de si próprio, que estava deitado no ar, segurando uma espada de energia, a sete metros do peito de Baltazar, sua cara era de espanto, ao passo que a de Thiago era de pura raiva misturada com cara de vitória.
Então ele se lembrou da carta: “e esse poder irá parar o tempo para que você possa fazer uma escolha. Pois essa escolha envolve um perigo.”.
Ele olhou atentamente em volta, para ver que perigo seria aquele.
Seus olhos vasculharam o galpão, mas não via nada que pudesse ser tão perigoso assim. Ele notou as ondas de poeira; os vidros estilhaçados das janelas indo à direção ao chão; viu os raios desintegrando tudo; Lucas jorrando sangue; ele próprio; a cara de curiosidade de Baltazar; a nuvem descendo pela coluna, mas só na metade do caminho; e a essência.
Ela estava a dez metros atrás de Thiago. Ele se aproximou e seu medo aumentou: ela havia caído.
Como Matheus tinha lhe avisado, “se ela cair no chão, pode acontecer uma mega-explosão”, e Thiago não precisara de algo mais detalhado para entender o contesto: se a essência cair de modo violento no chão, explode.
Ele examinou minuciosamente o frasco. Estava de pé, inclinado levemente. Seu fundo tocava o chão. O frasco estava quebrado, varias partes de vidro haviam sumido. A essência havia adquirido um tom vermelho enquanto se expandia em pequenas cordilheiras entre os espaços que dividiam o vidro, para consumir o galpão com fogo.
Então é isso, pensou, meu perigo é esse, a explosão da essência. Se eu decido que não haja explosão, Baltazar continua vivo. Se eu mato Baltazar, morro junto devido à explosão. Minha vida ou a liberdade do povo, ele riu devido à questão diplomática, não me vejo morrendo pelo povo.
Devo escolher o que é certo. Mas o que é certo? Se eu morro agora, outros Thiagos morrerão. Se eu não o mato, vou falhar assim como os meus antecessores. E provavelmente ele não deixará isso barato.
O que o Diogo escolheria? Dã, ele sou eu. E o pior, foi um perigo diferente.
Ele me disse que só tinha falhado na segunda decisão, ou seja, passou por essa. Se ele passou, tenho condições de passar.
Se fiando nesse raciocínio, pensou em como chegar a Baltazar antes da essência ao chão. Uma frase apareceu em sua mente: “faça a escolha certa, e, se optar por ela, vá com mais velocidade”.
Então era isso! Ele (Diogo) tinha adivinhado o que ia acontecer.
Aproveitando a deixa de estar ali, com o tempo parado, ele deitou no chão (que esquisitamente estava quente) e começou a descansar.
Se eu posso aproveitar... Por que não?
Quando se passou o equivalente há cinco minutos (equivalente, ao passo que o tempo estava parado), ele levantou-se, tirou a poeira da roupa e deu uma ultima examinada nele mesmo.
O conjunto da obra dava uma ótima imagem promocional de um filme. Seu toque estiloso dera a cena um tchan especial, já que tinha deixado o zíper da blusa aberto. As abas da blusa esvoaçavam-se do lado dele.
Achando que já descansou o suficiente ele decidiu ir em frente.
Confiante, seguiu até ficar ao lado dele mesmo e pensou mentalmente na resposta.
Nada.
Ele segurou a própria mão – dele que estava deitado – e pensou com toda força de vontade possível na sua decisão.
Nada.
Então ele percebeu que era mais simples do que tinha imaginado.
Ainda segurando a própria mão, e falou calmamente:
- Eu quero continuar.
Uma dor lacinante penetrou na sua carne.
-... Por nós! – foi o único aviso.
Segurando a espada acima da cabeça com as duas mãos, ele inclinou-se para frente, um pouco antes de cair no chão, ele voou. Voou direto ao coração de Baltazar.
Seu vôo foi tão rápido que poderia ter cruzado a distancia que os separava em um segundo, mas Baltazar havia lançado um poder Extensivo, jogando o braço esquerdo da direita para o seu respectivo lado, fazendo que cada metro real percorrido por Thiago parecesse cem.
Nesse tempo extra garantido, Baltazar começou a entoar um cântico para que o processo duplicativo de poder andasse mais rápido.
Ele sentiu, agora que estava atento, a corrente em que estava pendurada a essência balançar-se perigosamente no pescoço. Um dos elos se partiu, deixando-a escapar.
Ele triplicou a velocidade.
Thiago estava a dois metros reais da coluna de ar, sua blusa de moletom chicoteava os lados do corpo. Ele esticou mais os braços. Baltazar hesitou. A famosa Curiosidade Adolescente. Era tudo que ele precisava. Thiago guinou para frente. Em direção ao peito de Baltazar.
Então, finalmente naquele dia, ele fincou a espada no peito de Baltazar.
Sem parar, ele virou-se para a esquerda – mantendo a mão direita no punho da espada – e apontou a mão para o frasco, tudo em questão de segundos.
Uma cúpula envolveu a essência, ela explodiu, transformando o escudo numa lâmpada. O fogo manteve-se por dois segundos e então se apagou devido à falta de oxigênio, deixando em seu lugar apenas fuligem e uma cratera.
O impulso do vôo fez com que Baltazar cambaleasse para trás. Assim que Thiago pôs os pés no chão, soltou a espada, deixando o Baltazar cair de joelhos. Ele liberou o fluxo do poder, deixando a espada sumir, e, assim que ela deixou de existir, o sangue brotou do furo, empapando a camisa de Baltazar.
Com essa distração, Baltazar manteve suas atenções na dor, retirando-se do ritual. Então a coluna de ar se desfez, do chão para cima, parando o fluxo; fazendo as nuvens se dispersarem (um tanto delas tocou no teto e condensou, fazendo pequenos fios de água). A poeira se assentou e os raios restantes calaram-se.
Apesar de todos esses motivos, o galpão estava quieto demais, exceto os gemidos de dor de Baltazar.
Thiago parou para pensar. Não pode ser o poder que o Diogo fixou em mim, senão ele teria especificado dois não um. Isso é um Poder de Tempo, obvio, já que tudo está parado. Ele deu uma vasculhada no galpão. Uma camada de poeira flutuava acima do solo; pingos de água flutuavam no espaço; e o corpo agonizante de Lucas estava parado. Tudo indicações de Paralisante Temporal, mas tinha algo que o intrigava. Por que cargas da água Baltazar está se mexendo então? Será que eu devo matá-lo? Mas ele está praticamente morto.
Antes que ele pudesse convocar uma espada, uma voz ressoante e tão profunda quanto qualquer assunto mórbido ecoou no galpão, reverberando no crânio de Thiago:
- Não adianta.
Ele se virou assustado, para então dar de cara com um vulto alto. Seu corpo estava coberto por uma capa preta que cobria o seu rosto, pés e mãos. E na mão direita ele segurava uma espada. Essa espada era de prata pura, estava tão lisa e imaculada que ele poderia jurar que era novinha em folha. Ela brilhava intensamente, mesmo sem nenhuma luz encostar-se a ela.
A figura em si lembrava algo para Thiago. Uma figura má. A própria...
- Olá, eu sou a Morte. – sua voz veio como uma pancada de água fria. Talvez por ser quem era. Talvez por ser um homem, e não mulher como a maioria das pessoas achavam.
Thiago recuou dois passos:
- Você não tinha uma foice? – foi a única coisa que escapou da boca de Thiago.
- Foice era para antes, antiquado. Espada é mais bonita. E armas-de-fogo não têm a sutileza necessária para o meu ofício.
- E por que não adianta? – seu corpo tremia violentamente para que fugisse dali.
- Por que sou eu que decido quem vive e quem morre. Acima de mim, as ordens vêm de lá – ele apontou para o teto com a mão esquerda, sem mostrar a mão – o resto fica por minha conta. Uma pessoa pode muito bem estar entre a vida e a mim, mas se eu decidir que ela deve continuar viva, ela continua, mesmo se ela ficar em coma por uma década. Mas se uma pessoa totalmente saudável pinicar a ponta do dedo uma vez só com um alfinete, e eu decidir se ela morre, ela morre. E quando se vai ver... Foi tétano. Pura falta de sorte.
- Você vai devorar a alma dele?
- Por que deveria? – sua voz adotou um tom irritado – o problema dos humanos é acharem que eu me alimento das almas. Eu não sou uma criatura monstruosa. Esse é meu emprego. Como qualquer outro. Desde que a humanidade tomou a consciência de cidade, de vida, e de bando, um indivíduo foi selecionado para este emprego, e desde então, toda vez que uma Morte se aposenta, outro da mesma linhagem de sangue vem fazer uma substituição. Senão os seres vivos seriam imortais. É só um emprego como qualquer outro. As almas que eu encaminho vão ao Pré-Julgamento, em que se é decidido se vão para cima, ou para baixo. E esperam até o Último-Julgamento, em que se é balanceado as atitudes humanas, e se é decidido se o lugar pré-escolhido foi o certo. E nesse dia, junto à bancada do Juiz Supremo, estará o representante da Morte da época, e o representante do Destino da época, outro empregado divino. E – se antecipando à pergunta de Thiago – não adianta me perguntar, por que nem o próprio Juiz Supremo sabe quando será do Último-Julgamento. Tudo depende das atitudes humanas.
“Mas voltando à linha de raciocínio, não preciso me alimentar de almas para me manter vivo, não quando não sinto fome. Um dos poucos males de se ser a Morte.”
- E por que você quer ele vivo?
A Morte deu uma gargalhada. Algo assustadoramente cruel.
- Por que eu deixei isso para você. Uma decisão que você terá que tomar: mato ele ou não mato? – sua voz tinha um tom alegre, de quem esta achando graça.
Thiago olhou em duvida para o Baltazar agonizante. Ele está sofrendo. Não foi assim que fui criado. Fui criado para evitar ser injusto para com as pessoas. Não posso afirmar que eu abomino qualquer tipo de morte, sendo que eu mesmo já matei vários insetos.
O problema é que não é um simples inseto, mas um humano. Um igual – literalmente falando. Ele está sofrendo muito, mesmo que esteja estagnado nesse ponto de morte.
Como Diogo havia falado, não posso fraquejar agora. Preciso me manter nessa mesma opinião. Mas isso requer que eu vire um juiz e o condene. Apesar de ele ter feito isso com centenas de pessoas, não me vejo fazendo o mesmo.
Vou pedir para que ele o mate.
- Mate-o. – disse solenemente.
Uma pequena ondulação percorreu o teto de ponta a ponta, tão pequena que Thiago não percebeu. Porém a Morte a viu.
- Mesmo? – sua voz tinha o mesmo tom dos professores que queriam confundir os alunos. Mesmo que a resposta esteja certa, ele pergunta “mesmo?” num tom que confunde o aluno e o força a fazer a escolha errada.
Devo declinar? Perguntou-se, ele não merece viver, mas eu tenho esse direito sobre essa decisão?
Tenho.
- Mesmo. – outra ondulação percorreu o teto, só que mais forte, ao ponto do teto se afundar e depois se elevar cinco centímetros do teto original. Esse Thiago percebeu, e seus pêlos se arrepiaram. Decisões importantes estavam sendo tomadas.
- Tem certeza? – perguntou calmo e inflexível, no mesmo tom anterior.
- Por que pergunta tanto? Ta com medo de abrir mão de quem te encaminha tantas almas?
- Você não ouviu nada do que eu disse. Não me importa se ele morrer agora do que depois. A pessoas que ele matou vão acabar morrendo de qualquer jeito.
- Mas você não me respondeu...
- Por que pergunto tanto? E só pra saber de uma coisinha só... Você vai agüentar viver com esse fardo? Ser o carrasco que decide quem vive ou quem morre?
Nem eu sei ao certo. Mas a questão é que eu preciso que ele morra. As esperanças de varias pessoas estão sobre mim.
- Posso conviver com isso. – outra ondulação ocorreu, de mais de meio metro.
- Se é assim que decides. – ele curvou os ombros.
Ele ergueu sua espada. Simultaneamente outra ondulação percorreu o teto, e Thiago adivinhou se era pelo fato de não ter impedido a Morte.
Ele colocou a espada apoiada sobre o ombro direito, se postando de frente ao Baltazar, com Thiago ao seu lado.
Após uma longa espera, Thiago se viu forçado a falar:
- O que está esperando? – e mais outra ondulação percorreu o teto. Só que a intensidade foi tanta que, da onde Thiago estava vendo, o teto recuou e de ergueu um metro e meio em relação ao original, essa mesma ondulação percorreu o teto de ponta a ponta.
- Como queira. – rosnou entre dentes a Morte antes de baixar a espada com tudo em direção a garganta de Baltazar.
A reação instintiva de Thiago foi fechar os olhos, mas ele se manteve forçado a olhar. O instinto levou a melhor fechando os olhos a espera do barulho de carne cortada e a cabeça rolando. O barulho veio instantaneamente...
Pec.
O barulho de carne batida foi tão inesperado que Thiago foi forçado a abrir os olhos.
Em vez de a Morte ter cortado a cabeça de Baltazar, ele simplesmente bateu com a parte plana da espada no pescoço de Baltazar, ainda agonizando.
A Morte agilmente fez a espada subir pescoço acima e, sem arrancar nenhum teco de carne da orelha, ele pôs a ponta da espada no topo da cabeça de Baltazar.
Fios prateados e insubistânciais da alma de Baltazar saíram da sua cabeça em direção a espada. Elas percorreram toda a sua extensão e penetraram no punho. Assim que elas o tocaram as paredes e o teto do galpão ficou instantaneamente branco, devido à luz que os cobriram.
No momento que o ultimo pedaço de alma de Baltazar sumiu, e esse caiu para o lado, quieto para todo o sempre, a luz avançou rapidamente em direção ao Thiago.
- Está feito. – disse a Morte.
A luz o engolfou vertiginosamente. Ela era salpicada de azul-claro. Imagens do que acabara de acontecer passaram aos olhos de Thiago, só que de traz para frente, e bem rápido.
Ele viu a si mesmo andando de costas entre os mortos; ele viu Baltazar reaparecer em cima do prédio; viu a lua reentrar na frente do sol. Tudo em tom azul-luz.
Uma dor penetrou nas pontas de seus dedos, todos eles.
Ele viu a si mesmo indo deitar de manhã, o sol se pondo às seis horas, para depois ele reabrir os olhos meia-noite, e ele acordando às seis da tarde.
A dor subiu perna acima e percorreu os braços, ele os olhou e viu que aonde doía estava com a mesma tonalidade da luz.
Ele viu o fogo reentrar na cripta, que se reconstruiu enquanto um míssil voava para trás, em direção a um caça no mesmo sentido; e ele correndo de frente para trás, de costas, entrando na cripta.
A dor chegou aos seus braços e coxas.
Ele viu a si mesmo ainda odiando o Lucas; chegando a Resistência; jurando fazer a diferença, só que agora notando uma luz em sua mão.
A dor chegou aos seus ombros e a cintura.
Ele se vingando de Baltazar; o conselho de Matheus; o tiro que matou Diogo saindo de seu peito em direção a arma na mão de Baltazar.
A dor parou de avançar nos ombros, mas continuou a subir cintura a cima.
Eles pegando o poder-do-universo; recuperando o relógio; Diogo explicando sobre o poder-do-universo; a visita de Baltazar.
A dor chegou à altura do coração, as imagens passavam cada vez mais lentas.
Ele indo salvar Diogo no futuro; soltando a carta na cama enquanto voltava para a porta, repondo os fones nos ouvidos.
A dor chegou ao seu cérebro, e a luz se tornou tão intensa ao ponto de cegá-lo.
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