sábado, 22 de agosto de 2009

A BATALHA DO CAPITALISMO - V

continuaçao.

Thiago sentiu-se atônito. Seu DNA serviu para criar um monstro!
- Mas eu irei acabar com isso! – gritou Lívia.
Logo após seu grito, seu corpo começou a se transmutar. Ela cresceu até chegar a uns cinco metros de altura, seus músculos cresceram de forma desordenada enquanto sua roupa aderia à pele, se transformando nela. Asas de pena que tinham trinta centímetros cresceram proporcionalmente ao corpo, que tinha uma tonalidade branca-acizentada. Assim que a transformação terminou Baltazar exclamou claramente calmo:
- Vai usar o Titã-Alma? – ele começou a rir – boba! – e então seu riso começou a engrossar e ter um som para dentro.
Seu corpo cresceu para o também cinco metros, sua roupa aderiram ao corpo, que se tornou avermelhado, seus músculos cresceram, juntamente com asas de morcego e uma cauda fina, suas unhas, ao contrario de Lívia, cresceram pontudas como garras.
Lívia já havia explicado que cada pessoa tinha um Titã-Alma em si. E que cada um correspondia à base de pensamentos da pessoa, como o caso da Visão Diferenciadora de Personalidade, em que pessoas boas teriam a forma em que Lívia se transformou, e más se transformariam no que Baltazar se transformou. Mas mesmo assim ficou surpreso com a transformação.
O chão rachou com o peso duplo, mas não cedeu. Os dois evocaram espadas de energia, que eram do tamanho de Thiago.
- Você pode ainda desistir Baltazar – gritou Lívia, e sua voz angelical se transformou num grito grave e monstruoso.
- Só se você me matar! – gritou em resposta, na mesma voz.
- À vontade!
Os dois se precipitaram para a batalha que custava a vida. Fagulhas causadas pelo choque das espadas voarão para todo lado, enquanto eles desferiam golpes complexos e ardilosos. O chão tremia perigosamente.
Como não tinha nada para fazer, Thiago continuou a se curar. Assim que terminou ele olhou no relógio: 09h56min da manhã. O barulho da batalha ecoava lá em baixo e, apesar de serem quase dez horas, se lembrou do sonho. “O relógio marcava dez horas da manhã. Um ensurdecedor grito de luta ressoava lá em baixo. Ele estava no alto de um prédio, o coração estava ansioso.”
Então ele tinha feito uma premonição! Ele previra o que iria acontecer, a hora, o a luta, o prédio, tudo. Em sua felicidade ele ficou mirando o relógio sem mesmo vê-lo, e quando retomou de seu devaneio, o relógio marcava dez horas da manhã.
Mas aquilo significava que iriam acontecer outras coisas, como aquele cone de ar, parecido com um furacão... O furacão de um quilômetro. Aquela estranha visão dos braços e pernas peludas e a dor no peito, tudo isso irá acontecer.
Sua atenção voltou para a briga que estava acontecendo lá em cima do prédio. Lívia e Baltazar ganharam inúmeros cortes. Penas brancas estavam espalhadas por todo lado, algumas caindo para a batalha lá em baixo, e pedaços da asa de Baltazar estavam espalhados perto da briga. Inúmeras marcas de queimados salpicavam o chão, causadas pela faíscas enormes. Pedaços do chão simplesmente sumiram, devido à violência da briga.
Thiago se virou desinteressado para a batalha lá em baixo. A imagem estava monótona. Ele não tinha mais nada para fazer. Agora era só esperar.

continua....

A BATALHA DO CAPITALISMO - IV

continuaçao. revelaçoes estao sendo feitas, e a historia está chegando ao final.
decisoes cruciais que podem decidir o futuro dos personagens estao prestes a serem feitas.


Apesar da situação, apesar de estar deitado numa escada de cabeça para baixo, cheio de cortes e possivelmente uma costela quebrada (a cada respiração era uma agonia), Thiago achou maravilhoso poder estar deitado, descansando o corpo. Thiago levemente abriu os olhos, e viu na escuridão Baltazar descendo as escadas, provocando a cada pisada uma avalanche de escombros, às vezes pequena. Uns três degraus ante de chegar ao Thiago ele teve que retirar um bloco da escada, jogando-a com bastante estardalhaço lá em baixo. Ele se agachou ao lado de Thiago e provocou:
- Ora, ora, o nosso querido Thiago – ele pronunciou o nome com uma voz fina de grito, imitando alguém pedindo socorro – está esparramado pelo chão, todo machucadinho.
Baltazar olhou para Thiago de cima a baixo, com os olhos da cor de uma berinjela. Estava fazendo uma inspeção raios-X dele.
- Hum... – tornou a dizer – o que você acha disso? – e então cutucou bem onde estava a costela quebrada.
O grito de dor escapou involuntariamente da boca de Thiago enquanto suas costelas doíam.
- Tadinho. – foi à única coisa que Baltazar falou, em tom sarcástico. – não vai me impedir.
- Não vou deixar você dominar o mundo.
Baltazar deu uma gargalhada.
- Quem lhe disse essa besteira? Acho que foi o Diogo. Mundo, mas que piada.
- Mas você só vai se contentar com esse país? – o tom da voz de Thiago o deixou vermelho. Sem aviso ele pegou na garganta de Thiago e o jogou direto no teto.
Thiago só teve tempo de convocar um escudo de energia antes de se chocar com o teto, evitando a morte causada pelo impacto, que destruiu o teto e ele ainda continuou a subir, devido à força de Baltazar. A pequena distração provocada pelo teto foi o suficiente para ele parar de produzir o escudo. Enquanto caía em direção ao chão, ele tentou absorver a queda com o braço direito, mas quando ele bateu no chão sentiu os ossos quebrarem. Agora ele não se importava mais com o que o Baltazar diria, e começou a chorar de dor.
- Ta chorando, ta? – disse Baltazar rindo, esticando o braço para matar Thiago.
- Fique longe dele! – gritou Lívia.
Uma expressão de puro espanto apareceu no rosto de Baltazar. Ele se virou:
- Lívia! A defensora dos fracos e oprimidos! O que veio fazer aqui nessa linda manhã de sexta? – disse ironicamente.
- Saia de perto do Thiago – ordenou
Um riso se formou na boca de Baltazar.
- Então vocês já se conhecem?
- Ela tem me ajudado muito nesses últimos dias. – disse Thiago meio entre dentes pela dor.
Apesar da intromissão dele na conversa, nem Lívia nem Baltazar tiraram os olhos uns dos outros. O ar lá estava tenso.
- Mas acho que ela não te contou o essencial... Ou será que ela te contou o fato de nós sermos irmãos?
Thiago se sentiu completamente sem chão. Será que todo esse tempo ela era só uma espiã de Baltazar? Será que todas aquelas ajudas foram simples fingimentos?
Thiago olhou para ela buscando respostas, que ela, mesmo sem desviar os olhos de Baltazar, respondeu:
- Olha quem fala! Me repreende por não contar que eu sou sua irmã, mas não fala pra ele que você é adotado.
A desconfiança em Lívia se abrandou, mas ainda estava tenso.
- É verdade – afirmou Baltazar, como se estivesse confirmando uma resposta certa – mas me diga: quem mais nessa cidade iria me aceitar? Quem nessa mixuruca de cidade iria aceitar um bebê-clone?
Thiago petrificou-se, parando no exato momento em que curava sua costela com a mão esquerda. Clone? Então...
- É, eu sou o primeiro clone humano da história. – disse como se tivesse lido os pensamentos de Thiago – e quem, em sã consciência, me aceitaria, um clone humano?
- Ainda não entendo. – disse Thiago, apesar de estar falando com o seu inimigo – não entendo por que alguém não aceitaria ficar com você. – ainda sim ele evitou um tom de compaixão na voz.
- Eu não sou um simples clone – respondeu no mesmo tom de antes – eu fui mudado geneticamente para que eu não parecesse exatamente com o meu “original”. O meu DNA foi recombinado para que meus traços básicos fossem completamente opostos ao garoto clonado.
- Ainda não entendo. – disse retomando a cura de seus ferimentos.
- Mas não foi só isso! Eu também fui programado para ter um crescimento acelerado, até que a minha idade se igualasse ao do clonado, que aconteceu quando eu tinha quatorze anos. E então, que família iria querer um garoto que tivesse um crescimento rápido, que depois de um ano ele já tivesse corpo de cinco? Mas então, a família dela me acolheu, dando casa e um quarto para dividir com o futuro presidente – então Lívia é irmã do ex-presidente! – e eu fui crescendo, crescendo, e continuando a ser o ultimo a ser lembrado pela família perfeita! Até que chegaram meus quatorze anos. E o Diogo veio me fazer uma visitinha. – apesar da história, os olhos dele não se moveram – e, apesar da tentativa, não conseguiu me matar, isso ajudou a alimentar a minha ira contra ele.
- Mas você foi clonado de quem? – perguntou enquanto curava o braço e a palma da mão.
- A... Venho esperando anos para responder essa questão para você.
- Eu?
- É... Não entende por que você?... Deixe-me esclarecer. Eu, Baltazar, fui clonado de... Você.

continua...

A BATALHA DO CAPITALISMO - III

continuaçao, e ainda falta bastante coisa


Cada membro da Resistência conjurou o próprio. Espadas de lâmina grossa, bastões com pontas afiadas, lanças, arcos e flechas e até armas de fogo surgiram na mão dos “Seres do bem”. Assim que sua arma estava pronta, eles começaram uma corrida desenfreada contra os Seres de verdade, que vinham na direção oposta. E as primeiras explosões surgiram enquanto a eficiência das armas era revelada. Thiago se manteve imóvel. Um dos Seres de áurea preta se aproximou com as garras a postos, para atacá-lo. Quando estava a poucos centímetros, Thiago conjurou um bastão que transpassou o Ser na barriga, sem o Thiago precisar se mover, pois o bastão se formou diretamente no peito do Ser. Com o impacto da corrida desembestada do Ser, Thiago cambaleou para trás e deu uma torcida no bastão, matando-o. O Ser explodiu, deixando Thiago coberto de pó, ele se desfez do bastão, jogando-o para o lado. Assim que deixou o contato com a mão dele, o bastão se desfez.
Agora ele percebera que, na confusão, que seu caminho para Baltazar fora fechado. Ele viu entre o tumulto da batalha a cabeça careca de Baltazar, estava imóvel, esperando-o. Thiago, que estava visível e não se importava muito, conjurou um outro bastão, só que de luz, e calmamente deu um passo à frente e golpeou um Ser claramente perdido, sem muita certeza se estava entre amigos ou inimigos, ou o dois misturado, hesitou em outro golpe quando viu a áurea branca dos dois à frente, que tiveram também uma súbita hesitação no ataque mútuo, se viraram, e atacaram os Ser Maligno inimigo respectivo.
Baltazar ainda estava a cinco metros de distancia, e os Seres não deixavam Thiago avançar sem um pouco de resistência, sem um pouco de luta. Em um trajeto de dois metros lhe resultou em inúmeros arranhões e cortes, que ele não fez a mínima questão de curar, já que não ofereciam riscos e se desviasse a atenção necessária poderia ser atacado sem dó.
Mas ele também não deixava barato. Desferia golpes sem culpa e sem hesitação. Toda vez que a sua frente tinha um amigo, ele lutava com outro até poder dar algum passo.
Os Seres conseguiram se situar e agora repeliam os ataques na mesma moeda, com espadas de energia negra. Por esse motivo Thiago ficara engajado em um duelo por quase quinze minutos, que só terminou quando fingiu atacar a perna-pata direta do Ser, e quando o mesmo chegou antes para aparar o golpe, Thiago subiu a espada por cima do ombro dele e lhe cortara a cabeça. Mas esses últimos segundos que precisou para tal façanha custou um naco de carne da coxa esquerda, cujo Ser arrancou, com um movimento hábil de sangue-frio, uma fatia de carne.
O corte podia ser pequeno, mas a dor era lacinante. Cada pisada que ele dava era uma onda de dor. Para poder se controlar Thiago mordeu a língua, deixando rapidamente o gosto de sangue na boca.
A única vantagem de lutar contra Seres Malignos era que eles não sangravam com cortes mortais, deixando ele limpo, salvo a mancha em sua coxa esquerda. Os únicos ferimentos causados ali nos Seres tinham a intenção de serem mortais, eram evitados cortes sem motivo, para poupar golpes. Mas isso preocupava Thiago, por que ele via poças de sangue no asfalto. E agora que percebera, havia também Seres jogados no chão, alguns deles imóveis, e todos esses tinham a áurea branca, que indicava amigos.
Quando Thiago deu por si, estava lutando com um Ser Maligno, e nas costas dele, outro Ser (da Resistência), que por sua vez lutava com Baltazar. Thiago matou o Ser mais rapidamente possível, pois sabia o fim que o membro da Resistência teria, e tentou tira-lo de lá. Mas foi tarde demais. Ele viu a ponta da espada de luz nas costas grandes e peludas do Ser, que foi jogado ao lado.
A situação de Baltazar não era melhor do que a de Thiago. Estava todo machucado e suado como ele, exceto o corte na perna que constantemente tirava a concentração de Thiago. Os dois se encararam por um tempo e Baltazar esboçou um riso sarcástico, que sumiu assim que um Ser se aproximou para matar Thiago.
- Ele é meu! – gritou enquanto emitia uma luz no monstro, explodindo-o.
O grito ecoou na avenida e silenciou por três segundos a luta. Depois, os Seres, amigos ou inimigos, se afastaram deixando três metros para a luta dos dois. Enquanto os Seres voltavam as suas lutas, tentavam evitar entrar no “circulo sagrado”.
- Meio apertado aqui não? – disse sarcasticamente
- Não muito para quem vai morrer... Ou você prefere morrer em um lugar espaçoso?
Baltazar não riu. Simplesmente deu um pulo para frente. Thiago de reflexo esticou o bastão, apontando-o diretamente no peito de Baltazar, que usou a espada de energia e desviou o bastão de Thiago enquanto erguia a mão esquerda, que esbarrou no ombro dele. Imediatamente a cena de dissolveu. Quando tudo se formou novamente, ele estava no terraço de um prédio. Ele escutou ao longe o som de luta.
Um barulho o fez virar bruscamente, custando uma fisgada de dor nas costas – por causa do músculo doído pelos movimentos usados para matar Seres – e outro na coxa. Ele viu Baltazar longe curando os ferimentos, um por um. Thiago fez uma proteção, para evitar surpresas, e foi até o beiral do terraço. Ele assobiou assim que viu a luta a quarenta andares abaixo. A aproximadamente dez andares abaixo, estava o ponto mais alto da placa de avenida que ele desprendeu do chão. O prédio em que estava era um dos dois prédios que tinham recebido a “barreira” na frente. De um lado estava a briga, do outro, os Seres desesperados para saber o que estava acontecendo, sem conseguir escalar. Thiago não sabia se era por medo ou coragem, mas nenhum deles fugiu. Thiago enviou uma mensagem mental para Lívia avisando onde eles estavam.
- Não vai curar os seus ferimentos?
Thiago se virou e deu de cara com Baltazar, do outro lado da proteção, tudo curado.
- É claro! – disse contrariado por ter que concordar com ele
A luz habitual cobriu o seu corpo enquanto se curava, e logo um alívio anestésico tomou conta de seu corpo assim que o ferimento da perna se fechou.
- Sabia que ainda há uma surpresa? – o tom de desafio em sua voz era uma das coisas que Baltazar não esperava.
Lentamente e tirou o walk-tock do bolso e apertou o botão:
- Pode atacar!

A espera era quase que insuportável. Thiago não dava sinal de vida. Matheus agora estava em um escritório dos mais luxuosos da cidade, no décimo andar. As cadeiras estavam vazias, já que os Toques de Recolher eram para qualquer tipo de noite. Até Baltazar foi à televisão explicar ao povo que deviam se manter em casa.
O mais angustiante era não saber o que estava acontecendo, nem sabia se Thiago morrera. Perde-lo tão logo que ele voltou não vai ser fácil.
Ele levou um sustou quando uma voz o chamou:
- Pode atacar!
E rapidamente ele quebrou o vidro-janela-parede que dava acesso à avenida e mirou sua bazuca para os Seres, e outros cem tipos de armas fizeram o mesmo. Mas a única variação eram armas de fogo.
E ele disparou o primeiro tiro.

Era um saco trabalhar para o Baltazar, ainda mais agora, que ninguém sabia o que estava acontecendo. Nisso um dos vidros de um dos prédios quebrou os vidros nem chegaram ao chão quando uma bazuca se revelou. Outros tantos de janelas quebraram, revelando outras armas. Um tiro ecoou na avenida, que veio da primeira bazuca. O míssil foi direto ao chão, explodindo. Mas em vez da esperada chama vermelha, um brilho branco revelou um dos seus temores: Luminosfato. Os Seres foram engolidos pelas chamas, enquanto quem estava próximo ficava em coma, por ter sido ofuscado pela luz. Explosões como essa ocorreram ao longo da avenida, elevando rapidamente uma fumaça resultante das mortes e do fogo. Acima desse barulho veio outro pior: tiros. Ele se virou a tempo de ver uma rajada vir em direção a ele, acertando outros Seres e o chão. Um tiro o acertou no ombro, mas não penetrou fundo na carne.
Ele tirou a bala cravada no ombro e viu que a ponta dele tinha um led vermelho que piscava constantemente, meio ofuscado pelo sangue. Assim que as piscadas ficaram mais rápidas ele viu flashes de luz em uma trilha, vindo em sua direção, semelhante aos tiros. Quando ele percebeu era tarde demais: a bala em seus dedos expandiu em luz, matando-o na mesma hora.

Depois de três mísseis lançados ele parou, pegou uma granada do seu estoque de dez e a lançou janela afora. Matheus a ficou espiando para vê-la em ação. No momento em que tocou o chão expandiu-se uma onda de combustão em meio aos flashes, amputando os Seres em um raio de dez metros, e um segundo depois, uma grande bola de luz engoliu os mesmo Seres amputados antes de sumir. Deixando uma enorme cratera no chão. Esse processo se repetiu na avenida. Outros seres avançavam. Era a melhor manhã de sua vida.

A cara de Baltazar se contorceu de raiva enquanto via as explosões de luminosfato, flashes de balas e bolas de fogo. Em sua súbita raiva ele desfez a proteção de Thiago em um só movimento, trazendo uma enorme agonia ao corpo de Thiago, uma dor de origem no meio da espinha que se espalhou por todo o corpo, que só foi superada pelo soco no estomago que levou logo depois, jogando-o dois metros para trás, chocando-o na porta da “casinha” que dava acesso às escadas do prédio, destruindo-a. Thiago por puro instinto tentou se agarrar à parede, porem a força do golpe e o estado de conservação dos tijolos tivessem provocado o desmoronamento total. Ganhando uma nova coleção de arranhões e cortes – principalmente na palma da mão direita e nas costas – ele caiu de para trás nos degraus logo abaixo e, com um escudo na forma de cone, fez com que os destroços não caíssem nele.

continua...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A BATALHA DO CAPITALISMO - II

Continuação

Os velhos e os aparentemente doentes ou incapacitados se aprumaram, as mulheres pararam de fingir, junto das crianças. Todos em posição de luta.
Baltazar recuou dois passos ao ver o montante de gente erguer o braço, não esperava que tivessem poderes, seu rosto expressava medo, medo que seu plano fosse por água abaixo. Mas parou para caçoá-los assim que formaram bolas de luz nas palmas. Numa “imitação” do supermercado.
- Bobões inúteis – disse às gargalhadas.
Logo após a ofensa de Baltazar, todos ergueram o braço para cima, numa inclinação clara que o alvo não era a linha de frente. Thiago percebera Baltazar provavelmente se xingando de burro, por não perceber que eles esperavam a ofensa e a usariam como sinal. Mas logo sua atenção foi puxada pelas bolas de luz, que voavam em direção aos Seres mais pro meio. Assim que elas tocavam o chão, se expandiam para mais de cinco metros de diâmetro, engolindo Seres Malignos e deixando mentalmente incapacitados aqueles que estavam perto demais da luz. E assim que elas chegavam ao seu máximo, se contraiam num pontinho de luz do tamanho de cabeça de alfinete e sumia.
Antes mesmo da ultima luz se extinguir, Thiago deu o próximo ataque:
- Agora! – Baltazar baixou o olhar para ele. Estava branco.
A segunda fileira da Resistência deu um passo à frente, passando pela primeira, empunhando arcos e flechas de luz. Dispararam uma saraivada de flechas horizontalmente, acertando os Seres à frente, explodindo-os como normalmente faziam, e uma segunda para cima, que descreveu um arco no céu. Enquanto os Seres eram pegos desprevenidos. A formação voltava a ser o que era antes e Thiago não pôde deixar de notar a fumaça de poeira que se elevava dos Seres atingidos. Baltazar parecia desnorteado.
Thiago conjurou uma bola de luz acima de sua própria cabeça, que foi alimentada por todos os outros, deixando-a com dez metros de diâmetro, e então ele a jogou para frente. A bola de luz girou verticalmente no próprio eixo no ar, e desceu em direção aos Seres, rolou enquanto os destruía, como se fosse uma bola de futebol rolando sobre varias peças de dominó posto em pé, e por fim impactou-se com o chão, produzindo um leve tremor. A luz tornou-se forte ao ponto de olhá-la ser insuportável e sumiu. Baltazar gritava ordens de costas a Thiago, mas não fora totalmente imprudente: tinha um escudo transparente protegendo-os.
Antes de dar o próximo passo o walk-tock de Thiago o chamou novamente:
- Thiago?
- Sim?
- Tenho algo horrível pra te contar.
- Então conta!
- Eles estão se matando! Os Seres Malignos estão matando os seus iguais, que estão incapacitados – Thiago se sentiu ligeiramente nauseado – podemos atacar?
- Não. Mantenha o plano. Ele estará preparado para ataques-surpresa. Deixe que eu te chame. Ele não esperara nenhum ataque surpresa depois que supostamente pararmos.
E Thiago tinha razão. O olhar de Baltazar estava esperando o próximo ataque. Um surpresa. Mas não do nível que Thiago providenciara. Ele elevou os braços acima da cabeça, e se concentrou o máximo que pôde.

Ele sabia o que estava acontecendo. Ele sabia que Thiago, o garoto desprezível a sua frente, estava fazendo. A cara de concentração o denunciava. Mas a questão era o que ele exatamente estava tentando fazer. Não havia nenhuma turbulência no ar, nada que indicasse que ele estava usando poder. A noite que se instalara momentaneamente dificultava sua visão, que só era auxiliada pelas lâmpadas que iluminavam a rua. Foi quando seus olhos se depararam com um vulto enorme se erguendo atrás da Resistência. Ele tinha que concordar. O garoto tinha uma inventibilidade que era admirável.

Seu próximo passo nasceu num momento de inspiração. O chão tremera rapidamente enquanto o pedaço da Avenida Capitalismo, atrás da Resistência, se desprendia da Terra. E ele ficou feliz de ver a cara de surpresa de Baltazar. Indicava que dera certo. Já que não tivera certeza que daria certo.
Thiago jogou os braços para frente, indicando o caminho a ser feito pelo pedaço de avenida que flutuava a suas costas. Ele sentiu uma lufada de ar e pingos de água quando o enorme pedaço, de uns trinta e três metros de comprimento, passou por cima de sua cabeça e se cravou alguns metros adiante, separando por volta de três mil Seres Malignos para lutarem com a Resistência. E ele tivera o maior cuidado de deixar o concreto do lado dos outros Seres, tornando mais difícil deles se juntarem aos companheiros escalando a barreira. Enquanto uma fumaça que juntava a da terra e os restos mortais dos Seres que foram esmagados se elevava, Thiago gritou:
- Acionem a Visão Diferenciadora de Personalidade! – e ele próprio o fez, e quando ele abriu os olhos, à sua frente havia vultos de um negrume que superava a noite, e os prédios estavam salpicados de estrelas negras e brancas; ele próprio olhou para as próprias mãos, com um temor infantil para saber aonde se encaixava, e se aliviou ao ver que ele desprendia uma luz branca, assim como os membros da Resistência. Mas os seus brilhos eram sujo, meio acinzentado, se comparado ao de Lívia, que ele viu quando olhou na direção que ela estava escondida – e agora... Transmutar!
Os membros da Resistência se contorceram, se transformando. Parecia uma cena de filme de lobisomem multiplicada varias vezes. Thiago não se transformara por que queria ser visível para Lívia, que achou que numa confusão de Seres Malignos duas pessoas seriam mais visíveis do que uma. Ao final da transformação Thiago gritara, mas fluentemente, uma vez que Baltazar e os Seres estavam paralisados, a ultima ordem da manhã:
- Armas e atacar!


continua...

A BATALHA DO CAPITALISMO

realmente esse capitulo ficou muito longo... por isso será dividido em algumas partes... coisa que tambem aumenta a ansiedade

Thiago acordou e o sol ainda estava pintando o quarto dele de vermelho. Ele olhou para o relógio e viu que ainda eram cinco e meia. Como ele já perdera totalmente o sono, ele se levantou. Uma pontada de dor na barriga o obrigou a ir à cozinha, e enquanto descia as escadas, via que mais ninguém tinha acordado. Ou pelo menos não levantara.
Assim que ele chegou à cozinha viu que tinha cinco garotos, com idades de quatorze a dezessete anos, conversando, cada um com um copo de leite com chocolate à mão. Ele foi até a geladeira, pegou um copo de leite, colocou duas colheres de chocolate, ferveu com um poder e se sentou na outra ponta da mesa, que geralmente é usada para cortar alimentos ou hora do almoço dos cozinheiros, que almoçam meia hora depois dos outros.
Os garotos ficaram em silencio até que o mais velho falou:
- Pode vir aqui... Se quiser.
Estava na cara que eles também estavam meio sem graça, tímidos. Thiago se levantou e se sentou no lado que só tinham dois, para fechar o grupo de seis.
- Nervosos? – perguntou, puxando assunto depois de cinco minutos de silencio.
- Um pouco – responderam ao mesmo tempo – nós dividimos o mesmo quarto – continuou o mais velho – e todos nós acordamos mais cedo do que o combinado, a propósito, meu nome é Jonathan. Esse é o Fábio e tem dezesseis, esse é o Silas e tem quinze, e esses dois são os gêmeos Gustavo e Carlo, de quatorze.
Thiago deu uma risada:
- Acho que todos vocês conhecem meu nome.
Pela primeira vez no dia ele e os garotos riram. E, em cinco minutos, todos estavam “amigos”. No que, de perto, parecia uns garotos nervosos e ansiosos com a batalha por perto, de longe pareciam garotos normais conversando sobre besteiras. E por uns minutos Thiago até se esqueceu que dia era aquele.
Duas cozinheiras passaram por eles levando bandejas de pão para os refeitórios. Thiago e os garotos mais novos olharam espantados já que ninguém tinha as visto entrando na cozinha:
- Elas passaram sim – respondeu o Jonathan, antes da pergunta – elas passaram há quinze minutos. Acho que já deu o horário combinado.
Eles rumaram para o refeitório, lá tiveram uma surpresa: todos já estavam vestidos, com exceção do Lucas, que veio ao encontro deles:
- To vendo que nós fomos os únicos que acordamos agora.
- Na verdade – Thiago o corrigiu – nós acordamos há algum tempo, e viemos direto para a cozinha passar um tempo. A única diferença é que eles se trocaram.
Em todo o café-da-manhã Thiago e os garotos se mantiveram em silencio, com o rosto ardendo de vergonha por estarem só de pijama.
Dando sete horas Thiago foi para o quarto se trocar. Ele pôs uma calça jeans, uma camiseta vermelha e uma blusa de moletom, que ele fez questão de deixar o zíper aberto, por questão de estilo. Ele se olhou no espelho, era agora ou nunca, era dessa vez que Baltazar ia pagar.
Ele deu uma ultima olhada no quarto, e seus olhos se deparou numa gaveta, a única, que ele nunca teve a mínima vontade de mexer. Ele a abriu, e lá dentro havia um envelope, endereçado a ele.
Thiago virou o envelope para ver de quem era, e tomou um susto ao ver o seu próprio nome de novo. Ele tirou a carta que tinha dentro e começou a ler:
Oi Thiago.

Se você achar essa carta antes do dia do eclipse, pare de lê-la, pois o poder que eu usei contra o choque-temporal só funciona nesse dia.
Mas se não, pode continuar a ler.
Eu escrevi essa carta para poder te contar algo que você precisará para a batalha da Avenida Capitalismo. Primeiro: não se deixe abalar com o que Baltazar irá te contar em cima do prédio; segundo: eu lancei em você, quando a gente se conheceu, um poder que você carrega até hoje. Esse poder só chegou e te envolveu quando você apareceu no meu quarto, e esse poder irá parar o tempo para que você possa fazer uma escolha. Pois essa escolha envolve um perigo. Não posso especificar por que comigo foi um perigo, e com o Diogo que eu conheci foi diferente. Resumindo: é um perigo diferente para cada Thiago.
Terceiro: você terá, uma hora, que fazer uma escolha. Essa escolha não é uma escolha qualquer, pois vai mexer com o que você acha que é certo e sua personalidade. E eu lhe peço, por favor, se mantenha firme. Não faça o que eu fiz. Não falhe. Foi por esse erro que eu tive que passar por tudo, foi por esse erro que você teve que passar por tudo.
Mais do que isso eu não posso lhe contar. Por tanto, eu termino fazendo uns pedidos a você: não se abale com o que Baltazar disser; faça a escolha certa, e, se optar por ela, vá com mais velocidade, e se mantenha na mesma opinião.
Não vou pedir para que entenda tudo isso agora, mas tudo irá se esclarecer na devida hora.
Cuidado. Algum Thiago tem que ter uma vida melhor.

Thiago Vinicius Ribeiro.

Thiago terminou de ler a carta com uma pontada de carinho, alem de um sentimento de “eu vou fazer o melhor”. Ele sentia como se aquele fosse um momento único da sua vida, um momento que iria definir sua vida. Um momento em que a musica que estava escutando na hora que ele achou a carta, “When Love Takes Over”, se encaixa perfeitamente.
Ele pegou a essência, que estava guardada numa das gavetas do armário e amarrou uma corrente nela e, certificando-se que não ia se soltar, a pendurou no pescoço, embaixo da camisa. Assim que terminou de se aprontar, ele desceu até a frente do prédio, esperou até a ultima pessoa chegar e então rumaram para a Avenida Capitalismo.
O sol da manhã banhou a todos, dando um ar de esperança à caminhada.
Baltazar ia pagar, com certeza.

Sete horas, cinqüenta e cinco minutos da manhã. Cinco minutos para o eclipse.
Todos os membros da Resistência empenhados na batalha estavam agora na Avenida Capitalismo, lotando-a em uma faixa de trinta metros. Thiago, na primeira linha, olhava ansioso do céu para a avenida e de volta ao céu. A lua estava bem próxima do sol e quase a tocava. Ele pensou pela ultima vez em seus pais e olhou para o relógio: sete e cinqüenta e nove.
Seus olhos subiram direto para o eclipse. Ele sabia muito bem que Baltazar não ousaria trazer à avenida os seus Seres Malignos antes que um último fiasco de sol sumisse. Com um poder ele tirou qualquer impureza dos vidros em um raio de seis quilômetros.
A lua tocou o sol. Uma onda de ansiedade passou por todos, tanto com relação a grande batalha que se aproximava e com o eclipse. O dia começou a escurecer, apesar de ser oito horas da manhã. Assim que o último raio de sol se escondeu, dando um ar de noite ao dia, instantaneamente um borrão cinza se materializou à sua frente. O walk-tock de longa distancia que tinha ficado com Thiago chamou pelo seu nome com o novo tom de voz de Matheus:
- Thiago?
Depois do susto inicial Thiago respondeu:
- Sim?
- Relatório, e dos mais alarmantes.
- O que aconteceu?
- Os Seres apareceram; só que eles lotaram a avenida até o seu final, que é muito longe, creio que assim que vocês mataram um, este vai ser logo substituído.
- Alguma estimativa de números?
- Alguma coisa entre dois milhões a dois milhões e meio. É difícil de saber.
- Muito obrigado – disse sem muita convicção – continue com o plano.
- O.k.
- O.k. – e desligou.
Baltazar se aproximou para começar a negociação. Coisa de praxe vindo dele. Romeu já tinha avisado que o melhor jeito de humilhar e pôr o corpo fora era esse: humilhava por que “mostrava” quem manda e punha o corpo fora pela desculpa “eu tentei negociar, mas ele não aceitou”.
- Típico – resmungou Romeu uns minutos antes – ele gosta de ser mal e deixar bem claro o fingimento de bonzinho, mas siga a carta, não se deixe abalar por nada que ele disser...
- Mas aqui ele só recomenda tomar cuidado em cima do prédio... – e apontou para a carta.
- Você não entendeu? Ele vai fazer chantagem emocional!
Então Thiago se preparara para qualquer chantagem envolvendo Resistência, família e amigos.
Baltazar parou dez metros à frente e falou com calma. Uma calma que alarmava.
- Está em tempo de desistir, assim ninguém irá morrer! – um sorriso desdenhoso se formou.
- Com receio que eu mate os seus servos? – repetiu no mesmo tom.
- Os meus Seres vão trucidar a Resistência. E você vai assistir isso tudo de camarote! Ou será que você acha, por algum acaso, que poderá me vencer sendo que eles – ele apontou para a Resistência – estão sem poder?
- AGORA! – todos da Resistência entenderam. Chegara à hora.

continua...

sábado, 8 de agosto de 2009

REENCONTRO

Mudando de assunto Romeu falou.
- Dá uma olhada nisso.
Ele esticou um jornal eletrônico para o Thiago. Ele o pegou e viu a pagina inicial do jornal.
- Coloca no caderno de astronomia.
Thiago pressionou o botão astronomia. Uma tela se abriu, no meio da pagina tinha um esquema do sistema solar, com a terra, a lua e o sol alinhados, e o titulo: eclipse de maior duração acontecera nesse milênio.

Na semana que vem acontecera um fato raro, um eclipse “demorado”. Nesse tipo de eclipse, que só acontece a cada dois mil e cem anos, a terra e a lua giraram juntos por cinco horas. Isso foi comprovado por estudos do solo, que encontraram uma parte correspondente a 65 a.C. com vestígios desse tempo sem sol.
“Nós teremos um grande privilégio” diz o astrólogo Renato de Assis “nunca que um ser humano que não acha que o sol é um de seus deuses viu esse fato. Em 65 a.C. as pessoas achavam que esse eclipse era mal, que eles tinham que oferecer sacrifícios aos deuses; já que em cinco horas dá pra perceber que tem algo “errado”. Nós agora que somos cientistas, vemos de outro ângulo, isso pode responder a várias perguntas”.

A reportagem continuava, mas a informação que ele precisava estava lá. Um eclipse de cinco horas! Um bom fato para os seres...
Thiago chamou Lívia, Liza, Lucas e Romeu para a sala no ultimo andar.
Ele os acomodou. Enquanto todos se sentavam, ele procurava as estimativas de horário.
- Tenho um plano melhor!
- Que tipo de plano? – perguntou Romeu.
- A tacada final em Baltazar. Eu tinha pensado num plano, que era bom, mas agora tenho um melhor.
- Do que você esta falando? – agora foi a Lívia.
- Estou falando que na semana que vem nós iremos acabar com o Baltazar.
- Como assim? – dessa vez foi Liza
- Semana que vem não vai ter o eclipse? – todos afirmaram – então, esse eclipse vai demorar cinco horas para passar, vai começar lá pelas oito da manhã e vai terminar ao meio-dia. Nesse meio tempo, os Seres poderão andar livremente pela rua.
- Ta, mas como fazer para nós nos encontrarmos?
- Nós vamos mandar um aviso para ele que nós vamos estar lá. Ele deve mandar todos os Seres Malignos existentes para lá, para agente acabar com eles de uma só vez.
- Como? – perguntaram em coro.
- Como vai estar escuro, todos os Seres vão poder andar livremente, e vamos usar isso contra eles. Na hora do ataque, nós, os membros da Resistência, vamos nos transmutar para ficarmos iguais aos seres, porém vamos deixar avisados a todos para ativarem a Visão Diferenciadora de Personalidade, para que nós, os membros da Resistência, não metemos nossos amigos. Isso os confundirá, por que eles não vão saber se o Ser Maligno da frente é um Ser de verdade ou um inimigo. Para piorar a situação nós vamos usar “espadas” de campo-de-força, que vai ser grossa o bastante para ferir os seres, e leve o bastante para todos a usarem, e caso você a deixe cair, pode produzir outra. No escuro ela vai ficar invisível para eles. Mas é claro que se alguém quiser fizer algo diferente, tipo bastão ou arco e flecha ou até armas pode, o importante é enrolar eles.
- Pra que? – Lucas foi mais rápido do que Romeu, todos estavam tentando absorver tudo, era muita coisa.
- Por que, quando terminar o eclipse, a luz... – ele refletiu um pouco – A, eu não contei a parte melhor! – e pulou da cadeira que estava sentado, estava tão ansioso que tremia – eu, um pouco antes do eclipse vou limpar todos os vidros do centro, já que no centro da cidade, envolta da Avenida Capitalismo, não há nada de diferente do que prédio. Todos eles são de vidro, não tem nenhum que tenha algo junto do vidro, exteriormente, assim que o eclipse acabar, a luz vai se refletir nos prédios, se espalhando para todos os cantos, acabando com todos os seres. Enquanto isso, eu e Lívia vamos tentar dar um cabo no Baltazar.

Depois de um tempo, Thiago escreveu todo o plano no computador e o pediu para o Romeu fazer uma copia para cada membro da Resistência. E pediu para que todos se encontrassem no salão principal.
Quando todos estavam lá, Thiago começou.
- Membros da Resistência, semana que vem nós vamos entrar em ação, e será tudo ou nada. Há uma hora eu bolei o plano que vocês tem em mãos, porem o que vocês tem ai é mais detalhado. Eu posso ter bolado o plano, mas depende de vocês a vitória. Durante o tempo que nós temos até o dia do eclipse, vou pedir a vocês que treinem suas habilidades, tanto físicas quanto poderisticas. Eu, com um poder, retirei o mato que tinha lá atrás no terreno e fiz um campo para vocês treinarem o uso das armas que vocês decidiram usar. Para vocês se treinarem, vocês poderão criar Seres Malignos de mentira para treinarem, quem escolher armas de fogo, de campo-de-força, é claro, fará os testes um pouco mais longe dos outros, para não machucar alguém. E a transformações em Seres Malignos também deverá ser treinada. Baltazar irá pagar por tudo!
Os membros gritaram. Thiago sentiu um entusiasmo tomar o seu corpo. O apoio deles era melhor do que qualquer remédio. Ele agora iria fazer Baltazar pagar.
Uma sirene tocou. Todos saíram correndo para o próprio quarto, menos Thiago, Lucas, Lívia, Liza e Romeu.
- O quê que é isso? – perguntou Thiago
- Lembra que nós temos a melhor tecnologia da região? – Thiago afirmou – então, essa sirene quer dizer que pessoas que não fazem parte da Resistência estão perto demais do prédio, perto o suficiente para ver que está habitado.
- Mas e eu e a Lívia? Nós entramos aqui e não teve sirene nenhuma.
- Mas você é o próprio Diogo, que criou esse sistema de segurança, e a Lívia foi a sua convidada, eu vi no sistema de segurança você dizendo: “vem fazer parte da Resistência” – tornou a responder Romeu
- E o...
- Gente! – interrompeu Lívia – depois você conversa sobre tecnologia de ponta, mas agora vamos impedir que invadam aqui, essa sirene ta me enchendo!
Thiago pareceu acordar para vida, tinha se esquecido completamente que estavam tentando invadir o prédio. Para compensar o fato ele saiu correndo na frente de todo mundo, os outros pegaram o pique dele.
Todos menos Thiago e Lívia tinham preparado uma bola de energia em cada uma das mãos, Lívia, por sua vez, emparelhou do lado de Thiago e abriu as suas asas.
Quando estavam todos no saguão principal, Thiago tirou a placa APSE da frente da porta, jogando-a para o lado. Todos saíram e ficaram um do lado do outro, quando deram de cara com por volta de cem pessoas.
Só que essas pessoas eram pessoas comuns, não eram soldados. Na frente delas tinha um homem da idade de Diogo, que Thiago jurava que conhecia. Esse homem deu um passo à frente e começou a falar:
- Nós viemos em paz. – sua voz também era familiar a Thiago – não queremos confusão, nós vimos o que fizeram com os Seres na avenida e queremos nos juntar à vocês e... – ele parou assim que notou o rosto de Thiago – não é possível... – sussurrou
O homem saiu correndo em direção a Thiago, o Romeu tentou impedi-lo porem foi jogado para o lado como se fosse três vezes mais leve do que parecia, Lívia tacou um poder no chão a frente do homem para tentar impedir dele continuar, porem ele pulou por cima e continuou. Assim que estava perto o suficiente deu um abraço bem apertado em Thiago e começou chorar num misto de alegria e mágoa profunda.
- Nem acredito que é você Thiago – falou o homem – nós achamos que você havia morrido! Sua mãe sofreu bastante, eu também sofri, nós éramos tão amigos, olha só pra você, não envelheceu nada desde o dia que sumiu e eu agora sou um adulto...
- Matheus! – Thiago agora o havia reconhecido o seu colega de infância – Romeu acomode todo mundo no salão, eu vou conversar um pouco com ele.
- Mas quem diria – exclamou Matheus – de um colega sumido para líder com uma amiga anja.
- De novo essa baboseira de anja – resmungou Lívia – to vendo que logo, logo vou ter que explicar mais uma vez.
- Vamos lá para cima. – Thiago se apressou em dizer, antes que rolasse um quebra-pau entre Matheus e Lívia.

- E aí? – perguntou Thiago
- Depois que você saiu? Sua mãe ficou muito aflita, mas nunca perdeu as esperanças, ela foi à televisão, nas rádios, jornais, sua mãe ficou conhecida no país inteiro. Aí, o seu corpo foi encontrado, nossa, como ela sof... – Matheus engoliu o comentário – eu mesmo não consegui acreditar, mas o enterro aconteceu, aí ela ficou abalada. Um dia minha mãe foi visitá-la, e, bem, acho que você sabe o que aconteceu.
Matheus podia ter crescido, mas ainda era o garoto que Thiago conhecia.
- Agora a minha versão dos fatos – Thiago repôs os fatos em ordem – eu sumi no dia para vir aqui me juntar a eles, eu queria voltar assim que possível, mas acho que não deu; o Baltazar, aproveitando que eu estava longe, usou um corpo qualquer e o modificou para que parecesse eu, provocando o suicídio da minha mãe...
- Mas logo você vai voltar para ela e vai viver feliz, não é?
Thiago agradeceu a intervenção do colega.
- Vocês querem entrar para a Resistência? – Romeu cortou o assunto
- Queremos – Matheus se virou para ele – vamos fazer o máximo que der para ajudar.
- Então – Thiago já se recompôs – Romeu, você vai ter que reimprimir mais cópias do manual.
- Que manual?
- É que nós da Resistência vamos atacar Baltazar na semana que vem, e vamos ter que seguir uma ordem de ataque, quase uma apresentação.
- Mas é que nós temos um trunfo nas mangas.
- Qual? – Thiago estava realmente interessado
- Um dos caras que veio com agente tem um estoque enorme de Luminosfato.
Thiago fez uma cara de interrogação.
- Luminosfato é uma substância encontrada recentemente, ela agora faz parte da construção de lâmpadas de baixo consumo elétrico. E adicionado a outras substancia combustíveis, como por exemplo, a pólvora, torna a chama branca. Coisa que seria bom...
- Contra os Seres Malignos – completou Thiago – vocês terão um manual diferente. Tenho um plano na minha cabeça, daqui a pouco eu chamo vocês para falar.
Thiago enxotou todo mundo da sala, trancou a porta e sentou na frente do computador.
- P l a n o d o s p r é d i o s, o s... – as idéias fervilhavam tanto na cabeça dele que ele não conseguia para de falar enquanto digitava.
Esse era o melhor plano de ataque que Thiago já fizera na vida, incluindo resgate de brinquedos confiscados até assinaturas para passeios.

Thiago abriu a porta trinta minutos depois, acomodou eles e então começou:
- Só para situar você – ele apontou para Matheus – nós... Você não vai querer que eu fale o plano inteiro, quer?
- Fala minha parte agora, depois eu leio o tal “manual”.
- É o seguinte: preciso que vocês fabriquem mísseis, e coloquem na composição o Luminosfato...
- Mas como que você quer que nós fabriquemos uma quantidade razoável de mísseis com Luminosfato em uma semana?
- Poder-do-universo. Tenho ainda um estoque para as cem pessoas. Aí vocês fabricam os mísseis, e na hora metade usa os mísseis e a outra metade usa armas.
- Então teremos que avisar ao Baltazar que nosso “contingente” aumentou? – Romeu perguntou tão ingenuamente que Thiago teve cuidado para responder.
- Na verdade, não. Porque Baltazar só vai se concentrar na gente. Por que ele acha que as únicas pessoas que tem peito para bater de frente com ele vão lutar. Assim que eu der o sinal e eles aparecerem explodindo tudo, ele vai hesitar, aí o esmagamos. – ele entoou o final da frase batendo a mão uma na outra.
A próxima hora foi de debates, discursos e preparativos. Essa rotina de preparos se estendeu para o dia seguinte, depois para o outro e logo menos faltavam dois dias para o eclipse.

Thiago estava separando as roupas que ele iria usar no dia do eclipse, quando o Matheus entrou no quarto.
- Oi Thiago! Pensei que eu não te acharia.
- Por quê?
- Ah... Por que você parece bem atarefado... – disse meio encabulado.
- Nem parece que você tem quase trinta anos, parece que você ainda tem treze anos.
- É por causa de você... – ele se calou.
Porem Thiago já tinha percebido. Ele devia ter feito uma falta quando “morreu”.
- Tudo bem.
- Como é que eles confiam tanto em você? – quando a resposta não veio ele tentou novamente – é que, tipo, eles confiam em você, sendo que tem gente com cinqüenta anos de idade, e você só treze.
- É que na verdade o meu eu cuidava daqui antes de mim; então eu só “herdei” o cargo. Eles confiavam em mim.
- Mas como você lida com tudo isso? – ele indicou com os braços o prédio – quer dizer, como você consegue liderar todos dessa sua forma? Contaram-me o que você fez. Parece até ficção.
- É por isso! – ele apontou para Matheus – na minha cabeça tudo tem um quê de absurdo, um quê de historia de livro. Ai os meus planos saem meio... Grandiosos. Se eu estivesse no nosso tempo, duvido que fosse sair desse jeito.
- Posso te falar uma coisa, mudando de pato pra ganso?
- Pode!
- É que eu vou te ensinar a história que só vai ser descoberta em 2022!
- Pode começar!
- Não tem os bruxos que eram queimados pela inquisição, na idade media?
- Sim – ele se interessou
- Eles tinham poderes de verdade!
- Como?
- É que a essência é natural. E tinha uma reserva logo abaixo de um lençol freático lá na Espanha. Essa reserva subiu e transformou um lago inteiro em essência. Só que esse lago era bem escondido, então só um grupo de pessoas conhecia ele, e só essas pessoas tomaram dela. Tornando-os bruxos. Ou melhor, “com poderes”. Por isso, adoravam a natureza, pois foi dela que ganharam poderes.
- Mas, e as varinhas?
- Quando o rio virou de água para essência, todas as árvores receberam na sua dose diária em vez de água, essência. E as pessoas achavam que ficava mais bonito agitarem varinhas em vez de usar a mão. E para ficar mais chique, diziam que tinha núcleo mágico.
“Acabou que, quando o grupo de pessoas tomou a essência, encheram o organismo de essência; de tanto passaram de geração a geração os poderes, e as varinhas.”
Thiago nem piscava.
- Mas, chegou uma geração que não queria uma varinha com poderes, ou elas quebravam, as fazendo sumirem do mapa. E conforme as gerações passavam, a concentração de essência sumia dos corpos, fazendo com que ninguém mais tivesse poder.
- Mas e o lago?
- Depois de tantas chuvas a essência acabou se diluindo, sumindo. E como as pessoas não acreditavam em “bruxaria”, as árvores foram derrubadas. Hoje podem existir casas com paredes com poderes; moveis com poderes; e ninguém para usá-los. Mas, teve um cara que achou prudente ter uma reserva.
- Reserva do que?
- O cara pegou uma garrafa e encheu de essência. Para guardar para ocasiões que necessitassem. Acabaram de sua família, os netos ou tataranetos, precisarem. Mas um garoto, de sete anos, achou legal guardar a essência num frasco. Um frasco que um oitavo de mundo quer durante oitocentos anos. E todo o mundo quer há vinte anos. E tem gente que mataria para consegui-lo
- Baltazar... – murmurou Thiago.
- E você, entre oito bilhões de pessoas no mundo, tem. Tome muito cuidado com ela.
- Por quê?
- Por que tem um boato que se ela cair no chão, pode acontecer uma mega-explosão. E eu não quero estar por perto para confirmar o fato.

O dia seguinte passou de grande emoção e ansiedade.
Todos estavam ansiosos para o eclipse, tanto de interesse acadêmico como por ansiedade de salvar o dia.
E Thiago percebia o primeiro, tanto que falou com Romeu.
- É uma pena que nós tenhamos que arrastar todos para isso. Perder o eclipse...
- Para salvar o dia! Alegre-se, é um momento único! Nem as cruzadas superam isso.
Todos já estavam com as habilidades ok. Mas no nervosismo Thiago mandou todos treinarem mais uma vez. Romeu, escondido, passou por cima e cancelou tudo. Depois teve uma conversa com Thiago, o fazendo decidir que para se desculpar dando um banquete na janta. Com tudo que se tem direito para se desculpar. (com as pessoas a mais, somou-se um andar aos outros três para as refeições, o que tornou o clima mais agradável, já que nesse andar as pessoas tiveram que comer em tapetes macios, pufes e almofadas, que junto de televisões transforma tudo em alegria).
E para finalizar o dia, Thiago mandou – com jeito – eles dormirem cedo. Apesar dele mesmo não conseguir dormir depois de meia hora.
Thiago estava sentado numa poltrona vermelha. O resto do lugar era um nada branco.
Thiago girou a poltrona e se deparou com Baltazar sentado numa cadeira.
- Pra que isso? – perguntou
- Para te dizer que você está dando muita dor de cabeça para o meu chefe.
- Pensei que você só obedecia a si mesmo.
- Mas eu tenho que obedecer ao meu criador – disse num tom calmo
- Seu pai?
- Amanhã você entenderá. Boa sorte – disse num tom amável.
- Espera um pouco! Você não é o Baltazar.
- Está na hora de você ir, e, a propósito, não, eu não sou.
Thiago nesse momento acordou. Tinha alguém tentando ajuda-lo. Alguém que queria sua vitória. Mas agora era hora de dormir. Meia-noite. Quem sabe daqui a doze horas o mundo esteja a salvo?