sábado, 18 de abril de 2009

RECUPERAÇÃO TRÁGICA

Duas semanas depois eles se encontravam sozinhos em casa. A mãe foi numa viagem de negócios e só voltaria no dia seguinte.
Eles se trancaram no quarto, para não correr riscos, e então Diogo começou:
- É o seguinte Thiago: não é seguro que eu volte.
- Por quê?
- Não é em sentido de “segurança”, mas eu não tenho certeza que eu irei voltar.
Thiago ficou confuso. O plano era bem simples, ir, pegar a Essência, e voltar.
- Por quê?
Diogo bufou:
- Eu acho que Baltazar não vai deixar barato o que nos conseguimos fazer. Por isso eu não vou voltar.
-... A... Por quê?
Diogo se descontrolou:
- Caramba! Hoje é por acaso o dia do “por quê?”? Se eu disse que não tenho certeza se vou voltar, é por que eu não tenho certeza que vou voltar, Baltazar não é do tipo que deixa as coisas sem ter a parte dele de satisfação, se foi para a gente ter roubado o poder do universo, é por que nós roubamos. Já faz duas semanas ou mais que roubamos os frascos e ninguém veio até nós, e não foi por falta de endereço, se ele não atacou vai atacar. E se eu digo que não tenho certeza se vou voltar, é por que eu o conheço, e sei do que ele é capaz. Eu já te disse: ele não tem limites, se for para ele explodir a Avenida Capitalismo ou me tacar meio prédio, ele faz isso sem medo. Agora se por algum acaso, – acaso viu? – eu não voltar, não quero saber de tristeza – Diogo começou a chorar, alguma magoa esquecida havia sido cutucada – eu... Você não merece chorar por mim de no...
Diogo tentou disfarçar, mas Thiago sabia que o final da frase era um “de novo”.
- Diogo... Vamos de uma vez?
Digo aceitou bem a mudança de assunto.
- Vamos – sua voz voltou ao normal – de uma vez, não quero perder tempo para salvar a humanidade.
- Humanidade? – Thiago não conteve a pergunta
Diogo olhou serio para ele.
- Você acha que ele vai se contentar com essa cidade?
- Por que essa cidade?
- Por que é aqui que o presidente mora... No futuro.
- Aqui?
- Sim, é a cidade natal dele, ele instalou uma verdadeira capital aqui. Mas como eu ia dizendo, você acha que ele ia se contentar com essa cidade? Ele com certeza vai querer depois o estado, depois o país (que já deve estar no poder dele mesmo) e depois, o mundo. Não é tão difícil quanto parece.
- Cara... To pasmo – disse Thiago
- Guarde seu passismo (palavra nova) para mais no futuro. Ele tem mais coisas t te esperando a cada esquina.

Quando a fumaça cessou Thiago se viu na frente o primeiro distrito.
Eles entraram discretamente, rumaram para os elevadores e de lá para o décimo andar.
- Diogo... Você realmente deixou a essência aqui?
- Sei que parece coisa de burro, mas sim, foi.
Eles então entraram numa sala toda climatizada, fecharam à porta. Nesse momento Diogo deixou cair uma lagrima.

Chegou o meu fim, não posso deixar que isso mude... Me dá uma dó... Ele terá que ser forte.

Diogo parou a meio caminho da parede e abraçou Thiago, um abraço de despedida, todo o carinho possível foi passado.
Thiago, sabendo no fundo do coração, porem se consciente não soubesse o porquê, retribuiu o abraço e ambos choraram a despedida.
Diogo se livrou do abraço, de cara inchada, chegou à parede e a abriu com um poder, retirou a essência, pos no bolso e deu um outro, o “ultimo”, abraço em Thiago.
- Que lindo! – Thiago estremeceu por causa da voz.
Ele se virou e olhou para a porta.
Nela estava Baltazar.
- Deixe a essência no chão e a empurre na minha direção.
Meio hesitante pegou e essência e fez o que lhe foi mandado.
- Muita audácia a sua colocar a essência justamente aqui, no primeiro distrito. – zombou – por isso eu vou matar você primeiro.
Baltazar então ergueu o braço direito e soltou uma bola de energia na direção de Diogo, Diogo por sua vez se jogou para o lado e rolou pelo chão. A bola espatifou a parede.
Diogo então revidou, jogando uma placa de mármore preto do teto na direção de Baltazar, que fez uma finta e desviou da placa, que espatifou na parede deixando uma rachadura.
Baltazar jogou uma bola de água na direção de Diogo, que a poucos centímetros de Diogo se transformou em gelo. Porem ela transpassou o corpo dele com se ele fosse uma sombra.
Diogo fez uma conjuração e a liberou em forma de combustão, que esbarrou em Baltazar tacando-o na parede, mas em Thiago só fez cócegas.
Baltazar se recuperou do choque e soltou uma luz sólida na direção de Diogo, jogando-o na parede.
- Você é patético! – gritou Baltazar
Reconhecendo essa frase Diogo deixou cair uma ultima lagrima.
Diogo gritou “Thiago” e tacou algo. Que Thiago pegou no ar de reflexo.
Com rapidez assustadora Baltazar pegou a arma e deu um tiro certeiro no coração.
Diogo caiu no chão agonizante, com o peito vermelho, deu um ultimo suspiro e morreu.
Só nessa hora que Thiago olhou para o que tinha nas mãos.
Era uma pedra de dois centímetros azul, e o relógio de Diogo. Que marcava: 9, 8, 7, 6,5...
- Agora você... – sentenciou Baltazar.
3, 2, 1,0.
O relógio apitou assim que o gatilho foi acionado.
A fumaça o tirou dali.
Quando ela cessou estava no quarto, sozinho, na casa até o dia seguinte.
Thiago correu pela casa inteira gritando o nome de Diogo, foi quando olhou pela janela e viu Matheus, ele abriu a porta e foi correndo de encontro ao amigo.
- Você ficou aqui o dia inteiro? – a pergunta era tosca, já que ele foi enviado para o mesmo minuto que ele e Diogo tinham saído.
- Fiquei.
- Você viu Diogo sair?
- Não.
Thiago não agüentou e caiu sentado na escada da frente da casa do Matheus e começou a chorar.
Matheus atônito pela reação do amigo, pegou-o e tentou a muito custo levanta-lo.
Cinco minutos depois – com Thiago ainda corando – Matheus conseguiu convencê-lo a ir para casa.
Chegando lá Matheus o levou direto para o quarto e o deitou na cama.
- O que aconteceu?
- Não... – outra crise de choro – sei se devo contar...
- Corro perigo?
- Sim.
- Então eu vou correr.
Thiago então contou tudo desde o dia em que ele achou a carta.
Para sua surpresa Matheus não sofreu do choque temporal.
- O que você acha? – perguntou Thiago que já tinha se acalmado
- Se o que você me disse é verdade...
- E é!
-... Então meu conselho é vingar o seu amigo.

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