Thiago naquele dia não comeu.
Só no dia seguinte Sara havia chegado (três horas mais cedo). Ela pegou Thiago abatido e sem animo, tentou perguntar para Thiago o que aconteceu com Diogo e ele respondeu:
- O tempo dele acabou ele foi embora com o relatório.
Três dias depois Thiago se encontrava sozinho de novo, pois a mãe foi na festa de inauguração da loja APSE.
No dia seguinte Sara pediu para Thiago comprar um xampu na loja APSE, que ela havia esquecido de pegar.
Chegando lá, ele se impressionou com o tamanho dela, coisa que ele não havia percebido antes: quinze andares de loja.
Lá dentro tudo tinha jeito de shopping, até o elevador tinha espaço para o carrinho de compras.
Thiago foi ao andar de higiene, pegou o xampu da mãe, pagou e saiu.
Quando tomou o rumo de casa percebeu que o cadarço estava desamarrado, ele se abaixou para amarrar. Nesse momento um caminhão chegou, e dele saíram policiais.
Foi nisso que um barulho de vidro quebrando, chegou aos ouvidos de Thiago.
Thiago gelou quando uma lembrança veio subitamente:
“Pegou uma pedra e tacou na vitrine da loja, ela acertou em cheio a vidraça.
- Por que... – Diogo estava com cara de bronca
- Por causa dele! – apontou para o garoto – a culpa vai cair totalmente nele, distraindo os policiais.
- Ele sou eu!”
Thiago teve uma leve tontura, tudo girava em sua cabeça.
Frases, expressões, comportamento, tudo se encaixava. Diogo era Thiago adulto.
Por que então ele escondeu isso? Por que ele não lhe contou algo tão importante?
Será que ele julgava que isso não tinha importância?
Os policias terminaram a bronca – que Thiago não ouviu uma só palavra – e foram para trás do caminhão e exclamaram, eles haviam sido roubados.
Enquanto voltava para casa Thiago ruminava o assunto.
Diogo era ele mesmo! Ele sabia o que ia acontecer lá, por isso estava estranho, por isso sabia que não ia voltar!
Outra frase veio a sua cabeça:
“-Meu nome é T... Diogo, meu nome é Diogo, e o seu?”
Ele ia falar Thiago!
Por isso ele tava chorando.
“– eu... Você não merece chorar por mim de no...”
Por isso do “de novo”! Por que já havia acontecido!
Eles eram a mesma pessoa! O tempo todo eles eram a mesma pessoa.
Thiago ao chegar à rua chamou o Matheus e o levou junto para a casa, entregou o xampu para a mãe, dizendo que o Matheus estava lá para ver um programa que ele havia baixado e ambos esperaram que ela ligasse o chuveiro.
Assim que ele estava ligado Thiago começou:
- Matheus! Você não sabe o que eu descobri...
- É sobre o seu amigo? Se for eu já vou dizendo que eu não acredito que ele exista...
Como Thiago não tinha tempo a perder ele levantou a mão como se tivesse segurando algo e quis que tivesse uma chama na sua mão.
Mas algo estranho aconteceu.
Por causa das emoções confusas, a pilha de nervos que ele estava e todos os acontecimentos, a pressa que tudo se resolva, ele mal estendeu a mão o fogo apareceu, ele mal quis que o fogo viesse e ele veio. Ele podia até jurar que nem precisava querer.
Por isso ele mesmo, junto de Matheus, levou um susto.
- Meu Deus! Então é verdade...
Então Matheus começou a bambear
-... Nossa! To com tontura...
Thiago reconheceu que tinha longe demais, por isso colocou a mão na cabeça de Matheus, e puxou a tontura da cabeça dele, o que durou alguns minutos.
- Melhorou? – perguntou meio nervoso depois que terminou
- Sim... Mas acho que sua mãe desligou o chuveiro.
Thiago apurou o ouvido, tinha se esquecido completamente da mãe, ela agora estava enxugando o banheiro.
Com a pratica que tinha levou rapidamente o pulso para configurar o relógio, se concentrou na sala e pegou no braço do amigo. A fumaça subiu.
Quando ela cessou os dois estavam sentados no sofá da sala.
Matheus quase perdeu o equilíbrio:
- Nossa!... Por que aqui e não no quarto?
- Para nós nos encontrarmos e acontecer algo... Não. Nós nesse momento estamos no meu quarto conversando.
- Nossa!...
- Matheus! É o seguinte... – cortou – eu e Diogo somos a mesma pessoa!
- Como?
Sem pestanejar Thiago pegou novamente na cabeça de Matheus e lhe passou as lembranças de quando eles foram para o futuro pegar o poder do universo e o incidente da pedra, e depois disso o que tinha acontecido hoje de manhã, contando até com o que Thiago sentiu, a mesma reação do amigo.
- Só não consigo entender uma coisa – falou Matheus – se o que você adulto disse é verdade... Não era para acontecer um raio ou sei-lá-o-que?
- Parece que o futuro está armando algo para que eu ganhe... – o relógio apitou – pegue no meu braço – pediu assim que começou a mexer no relógio.
- Para quê? – perguntou depois de obedecer
- Pra isso! – então a fumaça subiu.
Eles apareceram sentados na cama do outro lado que estavam antes.
Do outro lado tinha no lugar uma coluna de fumaça.
Thiago olhou para o computador espontou para ele, e no mesmo instante ele ligou do nada com uma janela já aberta.
- Preciso que você vá de vez em quando à minha casa – brincou Matheus – meu computador é daqueles que ligam depois de meia hora de espera, dá até para tomar banho.
Tiago subiu correndo as escadas depois que trancou a porta para mãe, chegou ao quarto, trancou a porta e pegou o relógio.
Fazia quatro dias que descobrira o “segredo” de Diogo, e durante esse tempo estudou formas de ter um encontro com Baltazar. E no dia anterior descobrira que Baltazar ficaria sozinho no dia doze às treze horas.
A fumaça subiu. E nisso o relógio já colocou em primeiro plano uma configuração que Thiago tinha colocado como “secundária”.
Thiago apareceu num escritório vermelho sangue, com Baltazar de pé e de costas na sua frente, e a porta acabando de ser fechada.
Mal Baltazar percebeu que Thiago tinha aparecido e ele o tocou, fazendo a fumaça aparecer novamente.
Quando a fumaça cessou eles apareceram num salão abandonado, nas paredes haviam pregado quatro extintores, um em cada parede, que na verdade tinha algo inflamável, que Thiago não sabia o que era, já que o tempo tinha apagado a etiqueta, o que era visível era o desenho de fogo e uma de caveira. O chão do salão estava coberto por uma camada fofa de cinco centímetros de poeira acumulada. Que com a chegada dele levantou levemente.
Baltazar rapidamente se virou e fez uma pequena condensação de ar e a expandiu, jogando Thiago longe. Quando ele aterrissou levantou uma faixa de poeira.
- O que você espera me trazendo aqui? – perguntou com um tom de sarcasmo
Thiago evocou uma super-velocidade e, em um segundo, cobriu a distancia de dez metros – levantando outra faixa de fumaça – e deixou que a inércia fizesse o resto, jogando o impulso todo em Baltazar – a freada dele também levantou a poeira – que voou metros para trás, caindo numa parte de poeira mais alta – elevando-a cinematograficamente.
Baltazar com raiva fez o mesmo, porem Thiago havia calculado que ele faria o mesmo, por tanto, evocou uma combustão sem fogo.
Além de ela ter jogado Baltazar com tudo em uma parede (que vinha com a super-velocidade, e tinha batido na parede de combustão feita por Thiago, que vinha na direção contraria), levantou toda a poeira acumulada de anos sem uma vassoura, obscurecendo a visão.
Baltazar aproveitou essa distração e jogou um poder de energia.
Thiago viu uma luz vindo na sua direção e desviou, o poder bateu em um dos frascos de metal que continham gás inflamável, que explodiu, tirando o equilíbrio de Thiago e derrubando mais uma vez o Baltazar. Além disso, derreteu os cabos de plástico dos extintores das paredes ao lado, abrindo um buraco em cada uma e jogando o gás para dentro do salão.
Thiago percebeu um cheiro de gás, e convocando uma visão diferenciadora de gases, viu que os gazes inflamáveis tinham sido soltos. Ele então fez um poder que fez que Baltazar não percebesse. Alem disso ele viu que a fumaça abaixava.
“Tenho que agir rápido” – pensou
Lenvantando-se rápido, Thiago fez uma bola de campo de força, alimentou-a de oxigênio e então produziu uma chama, nisso arrumou o relógio.
Baltazar o percebeu.
Ele acionou o relógio.
Então tudo aconteceu num segundo.
–
Ele estava cansado, para chegar à casa velha tinha que subir uma colina mal-formada, além disso, não tinha certeza se o alarme não era outro falso. As pessoas costumavam a inventar fatos para ficar esperançosa.
- Povinho... – o que ele viu tirou o fôlego dele
–
Baltazar mal viu Thiago ele ficou desconcertado.
Thiago assim que deixou o salão ficou longe demais para segurar o campo de força, que se dissipou, deixando que o gás entrasse em contato com o fogo, explodindo tudo.
A força da explosão foi tão forte que levantou todo o pó e jogou Baltazar para trás, contra uma parede, quebrando-a em circulo da onde ela a pegou, e quando a placa de concreto tocou o chão Baltazar rolou três metros, antes de ficar de pé e ver que, da parte que ele voou e rolou a grama tinha ficado coberta de pó, e que tinha acontecido uma segunda explosão.
Baltazar ficou contente por conseguir ser transportado sem a ajuda de um relógio, então a imagem se dissolveu.
–
O que Romeu viu foi uma explosão na casa velha, que destruiu com metade dela, e da outra metade, em uma das paredes, saiu um pedaço da parede – seguido por um rastro de fumaça – e quando tocou o chão uma pessoa rolou e ficou de pé, como um militar, a tempo de ver uma segunda explosão, então a pessoa se dissolveu.
“Só uma pessoa consegue se dissolver desse jeito!”
Ele engoliu a seco, Baltazar!
Romeu terminou o trajeto correndo e quando chegou ao topo da colina pegou o simulador de situação baseativo e verificou o que aconteceu.
Uma briga!
Uma briga que Baltazar perdeu. Pois não havia corpo.
–
Thiago assim que chegou a casa ouviu um carro chegar.
Sua mãe esquecera algo.
E ele estava todo coberto de pó.
“Minha bolsa, como fui esquecer a minha bolsa?”
Thiago rapidamente recorreu ao poder, puxando todo o pó que ele trouxe da briga – limpar o quarto em dois minutos e deixa-lo brilhando era meio estranho – fazendo uma bola de quinze centímetros de poeira.
A mãe abriu a porta da frente.
Rapidamente Thiago correu até a pia do banheiro e levitou a bola de pó em cima, e a transformou em água, soltando-a ralo abaixo.
“A água do mundo não estará totalmente perdida, afinal!”
Foi só nesse momento que ele sentiu uma dor nas costas, ele se virou de costas na frente do espelho e viu as costas. “Nossa!” exclamou assim que viu que as costas inteiras estavam roxas. “Ainda bem que eu tenho poder”, então ele curou as costas.
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