Passara três dias antes de Thiago achar o relógio que ganhara três anos atrás, na festa de aniversario de dez anos.
Ele pegou o relógio nas mãos e olhou para a carta na cômoda (limpa), respirou e disse bem alto – já que a mãe não estava em casa – a frase:
- Relógio meu, serás meu transporte via espaço tempo!
O relógio na mão dele tremeu e ascendeu, como se fosse um farol, antes de apagar e voltar a ter a aparência normal.
Acreditando cada vez mais no estranho, ele pegou o relógio e colocou as coordenadas para aquele mesmo dia, há um minuto, durante três segundos, se concentrado no próprio corredor na frente do quarto. Ele travou o relógio.
Uma cortina de fumaça o envolveu completamente, e quando cessou, ele se viu no corredor, rapidamente ergueu o braço e bateu na porta.
Só que o tempo se esgotou, levantando de novo a coluna de fumaça, e cessou novamente.
Thiago abaixou o braço ainda levantado, respirou fundo e caminhou até a porta.
Uma fumaça entrou por debaixo da porta, então ele ouviu darem uma batida na porta e a fumaça aumentar.
Rapidamente ele abriu a porta a tempo de ver a coluna chegar ao teto e se dissipar.
Então é verdade!
Porém um barulho chamou a atenção dele. A mãe dele havia chegado.
Com uma pressa que atrapalha, pegou a carta e configurou o relógio, se concentrou no endereço e travou o relógio, depois de trancar a porta do quarto.
A fumaça subiu mais uma vez, e cessou.
No lugar do seu quarto estava um quarto de hotel médio, vivível, como costumava dizer, e na sua frente estava o dono da carta.
Era um rapaz de vinte nove anos, como havia dito, mas aparentava ser cinco anos mais velho do que realmente era, tinha cabelos castanhos e olhos escuros, era alto.
- Quem é você? – perguntou para o estranho
- Meu nome é T... – ele se calou, sabendo que estava indo para um mau caminho – Diogo, meu nome é Diogo, e o seu?
- Thiago, você que me mandou a carta?
- Sim...
- Por quê?
- Te respondo assim que estivermos seguros; a pol... – ele foi interrompido por uma explosão.
A parede direita havia desmoronado, e da fumaça saíram dez policiais.
Diogo gritou um “configura” antes de se jogar em cima de Thiago, no momento em que tocaram o chão, Thiago percebeu que os policiais estavam atirando, eles aparentemente se assustaram e mudaram a mira para o chão.
Porém a coluna de fumaça apareceu levando os dois.
Assim que a coluna cessou Diogo percebeu que estavam no quarto de Thiago, seus olhos brilharam por um instante, porem ele fechou os olhos antes que Thiago percebesse:
- Da próxima vez avisa que você... – ele foi interrompido por batidas na porta e a mãe gritando “Thiago, o que você esta aprontando?”.
Thiago soltou um “O radar” antes de perguntar
- E agora?
Diogo fechou os olhos como se estivesse se lembrando:
- Você que mora aqui, diz você.
Thiago ficou vermelho, nesse momento a mãe fez de novo o mesmo ritual de “abre a porta agora”, e ele percebeu que Diogo estava de social e tinha uma mala.
- Você que é o mais velho e... – ele olhou para a janela, ele sabia que tinha uma varanda bem próxima dela, que ele tinha usado uma vez quando a maçaneta havia quebrado... – a janela! Tem uma varanda do lado!
Diogo deu um sorriso “ta tudo certo” e cumpriu a ordem.
Assim que ele sumiu Thiago abriu a porta
- O que você estava fazendo mocinho? – perguntou enquanto entrava no quarto
-... Nada... – disse Thiago num tom “desculpe, já estou me sentindo culpado por estar fazendo nada, não precisa brigar”.
Ela olhou para ele e começou a falar algo quando a campainha tocou:
- Salvo pela campainha! – por fim disse ante de sair do quarto
Thiago caiu na cama.
- Sim? – perguntou do jeito mais polido que conseguia
- Você é a mãe do Thiago Vinicius Ribeiro?
- Sim. – respondeu meio desconfiada – O que aconteceu?
- Bom dia, eu sou T... Diogo Rodrigues, inspetor de ensino, foi enviado pela escola de seu filho para ficar aqui por uns dias – ele engasgou um riso. Só uns dias mesmo. Pensou antes de prosseguir – pois me disseram que seu filho se envolveu em uma briga hoje de manhã.
- Foi assim tão feio?
- Não fui informado, sou na verdade de outra cidade, a senhora – ela tremeu por causa da palavra – poderia me informar onde tem um hotel aqui perto?
Ela o encarou. Tomara que isso não tenha saído do circulo
- Você pode ficar aqui – disse ela deixando espaço para ele entrar
Quando ela fechou a porta deu um grito
- Thiago! Vem aqui! Tem um inspetor dizendo que você brigou na escola!
- Mas mãe... – disse ele, que tinha escutado tudo.
Ele então se calou quando viu Diogo, ele deu uma piscadinha.
- É verdade? – perguntou para ele
- Mas... – Thiago se virou e subiu as escadas correndo e bateu a porta, para parecer contrariado.
- Adolescentes! – exclamou
- Senhora...
- Sara – cortou antes que começasse a se irritar com “senhora”
- Sara – repetiu Diogo – posso pedir um favor?
- Sim
- Enquanto eu estiver aqui eu posso vestir uma roupa menos quente?
- Claro! Depois que a raiva dele passar ele mostra para você onde poderá dormir, ta?
- Esta bem.
Sem esperar mais ela se virou para a cozinha.
Diogo suspirou. Até aqui tudo certo.
Passadas duas horas Thiago “concordou” com a estadia de Diogo, ele “recebeu” no quarto e eles haviam se trancado.
- Agora você pode falar – começou Thiago
- A historia é longa
- Estou disposto – afirmou Thiago
- Esta bem... – disse Diogo preparando o tom de voz monótono – no futuro as pessoas são pressionadas a ficar na “linha”, não fazer nada de errado aos olhos do governo, pelo próprio.
- O governo? – disse Thiago com cara de incrédulo
- Aí esta o ponto da questão – falou Diogo mais entusiasmo – o que responde a governo na verdade é Baltazar, o comandante da policia do futuro, irmão do presidente...
- Quantos anos têm o presidente?
- Ele é o mais novo da historia, tem 26, mas voltando ao assunto, eles são irmãos, e Baltazar faz tudo, exatamente tudo, em nome do governo, ele é extremamente opressor, e... Aí que vem o que se chama de thananãns. – disse Diogo quase gritando, Thiago quase pediu para ele para de gritar.
Ele fez uma pausa de cinco minutos, foi aí que Thiago percebeu que tinha que perguntar:
- E qual é?
- Você não percebe?
- Não.
Diogo ficou triste
- Mesmo?
- Mesmo
- Ta né, fazer o que? – disse ele depois de um suspiro – é o seguinte, quando Baltazar faz algo... Por exemplo, faz um ataque a uma casa, diz que eram “perigo mortal ao presidente” – disse gesticulando – o presidente em questão não pode demiti-lo, pois também esta em perigo de morte.
“Ou seja” continuou “O presidente na verdade não tem domínio sobre Baltazar, e ele próprio não faz questão de esconder isso”.
Thiago arregalou os olhos
- Quer dizer que...
- Baltazar é totalmente independente de governo para fazer qualquer coisa, pra falar a verdade, ele próprio é o governo.
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