segunda-feira, 6 de abril de 2009

COMEÇAM AS AVENTURAS

Thiago repassou o plano novamente, estava tão ansioso que tremia, o relógio indicou onze horas, era à hora.
O plano consistia em ele e Diogo irem ao futuro no primeiro distrito policial recuperar o relógio e voltarem para a casa.
Para sair eles dependiam do humor da mãe de Thiago e da rotina de todos os sábados: Thiago acordando as onze.
Agora ele já estava na cozinha, na mesa estava Sara servindo o café e Diogo tomando, ambos na mesa, ele pegou o final da frase.
-... Ele morreu há dois anos e... – ela olhou para Thiago – bom dia dorminhoco, se não fosse à visita eu já teria ligado o radio!
- Vocês estavam falando do pai? – Thiago, que em outras ocasiões teria tremido a voz de ansiedade, tremeu em um quase-choro.
- Filho... – ela parou quando Diogo levantou meio sem graça e disse “vou escovar os dentes”

- Sara? – perguntou lentamente Diogo
Ela olhou para ele e parou de cortar a carne
- Sim? – só agora ela percebeu Thiago
- Bem eu vim avisar que eu vou para o campinho com o seu filho. – ele parou e se dirigiu para o Thiago – Thiago, vai lá buscar as coisas. – Thiago entendeu a deixa, quando ele sumiu Diogo retomou a conversa – então Sara... Eu vou com o seu filho para o campinho, no caminho de ida e volta vou lhe fazer algumas perguntas, do estilo “você sempre briga? Por que você brigou?”, mas por enquanto ele acha que só vai ser um passeio.
- Tudo bem. – respondeu Sara, que por alivio de Diogo não foi acionado o radar. – eu vou fazer compras mesmo.

Como havia previsto Thiago, o campinho há àquela hora estava vazio, eles se posicionaram no meio Diogo acionou o relógio. A fumaça subiu.
Quando ela cessou Thiago quase perdeu o equilíbrio.
No lugar do campinho, prédios pequenos e a praça da cidade de Thiago se viam agora uma grande avenida, que ia de horizonte a horizonte, e tinha quatro faixas de uma mão e quatro de outra, e prédios enormes.
- Nossa...! – disse Thiago, fascinado.
De vez em quando passava um carro ou outro, só tinha uma pessoa além deles a pé.
- Gostou?
- A-do-rei.
Thiago ergueu a cabeça mais uma vez e viu um poste de sete metros segurando um letreiro digital transparente escrito: Avenida Capitalismo.
Um vento passou e Thiago sentiu um papel no pé, o que mais parecia uma tela de computador.
- As pessoas davam mais valor quando ele era comprado. – disse Diogo antes de se abaixar e pegar o papel – Jornal eletrônico – explicou
Thiago leu: Romeu e Liza são soltos depois de confirmado que provas são falsas.
Diogo tentou esconder um sorriso.
Então retomaram caminho para o prédio mais alto de todos, inteiramente de vidro exteriormente.
Ao entrarem Thiago sentiu um calafrio, pois todo o interior do prédio era de mármore preto, tinha também duas estatuas uma de leão feito de mármore preto com a pata ameaçadora, de frente para eles, e a outra de ouro puro, de uma águia levantando vôo.
Eles foram para o elevador, subiram até o décimo quinto andar, pegaram vários corredores e entraram numa sala cheia de caixas de madeira:
- Ali! – disse Diogo apontando para uma caixa de um palmo de altura.
Ele a abriu e tirou o relógio, que assim que foi tocado brilhou, colocou no pulso e disse: “vamos embora”.
Thiago começou a andar quando foi barrado por Diogo.
- Thiago, deixa ver seu relógio.
Thiago o mostrou, então Diogo desconfigurou o relógio dele.
- Você devia ter me perguntado!
- Por quê?
Eles recomeçaram a andar.
- Porque não da para sair do prédio... Aqui... Do prédio através de relógios, por... Aqui... Causa de sistemas de segurança que acionam e... Ali... Impedem de sair.
Thiago olhou pra ele
- E...?
- Põe ai o relógio para ser acionado daqui a quinze... – ele parou bruscamente.
Eles estavam na ponta do corredor, e da outra ponta, a quinze metros, estavam dois policiais parados, com as armas a postos.
Diogo olhou para Thiago e percebeu que ele tava com a mão no relógio.
- Thiago... Discretamente configure o relógio e põe para daqui a quinze segundos, porém não o trave.
- Vamos correr? – perguntou meio entre dentes
- Só quando eu gritar, as armas deles estão a postos... Você topa dar a volta no prédio?
- Sim.
- Já está configurado?
- Já.
Mal Thiago deu a resposta Diogo gritou “corre”, e se virou, Thiago meio atrás dele também fez o mesmo, eles começaram a curva – que estava logo atrás deles – e correram.
Thiago olhou para trás, a tempo de ver os tiros pegar onde eles estavam:
- Não se preocupe, nós temos quinze metros de vantagem.
As portas passavam tão rápidas que mal dava para lerem o que estava escrito.
Quando eles chegaram à curva do corredor, os policiais aparecerem e começou a atirar, um tiro passou raspando pela cabeça de Thiago, perto do braço dele, outro espatifou um quadro na parede ao lado dele, quando ele ouviu um grito.
Era Diogo.
- O que aconteceu? – perguntou sem parar de correr
- Eles... Hum... Pegaram a minha perna. – disse com um pouco de dificuldade
Thiago ameaçou parar
- Não pare! – gritou Diogo meio bravo, eles dobraram o corredor, só faltava mais um – Estou feliz pela preocupação, mas não, o tiro só pegou de raspão, não é nada grave.
Os tiros recomeçaram quando eles dobraram de novo o corredor. O elevador apareceu.
- Mas os policiais não vão estar nos andares acima ou abaixo de nós?
- Mas não na tubulação.
Thiago quase perguntou o que significava, mas viu Diogo tirar do bolso um sinalizador.
Ele então o apontou para a grade de tubulação de ar, e, com um tiro certeiro, explodiu a grade, uma densa nuvem de fumaça se espalhou. Diogo gritou “se prepara” e pulou com os pés voltados para a tubulação para lá dentro, só faltava meio corpo entrar quando ouviu.
- Trava.
Thiago travou e pulou.
Ele sentiu Diogo segurar a perna dele e gritar
- A tubulação tem quinze segundos de distancia.
A queda era vertiginosa, as demarcações da solda eram só borrões indistinguíveis, e a mão de Diogo o puxava para mais perto a cada possibilidade.
Foi quando ele sentiu uma curva que quase o quebrou no meio, então ele teve uma visão de tirar o fôlego.
A saída da tubulação era no teto do segundo andar do prédio, o que supera qualquer medo da vida de alguém, ainda mais se a queda é na rua e esta vindo um caminhão rapidamente na sua direção, como era o caso.
Alguns centímetros perto do chão, a coluna de fumaça apareceu.

Thiago sentiu um tranco assim que a fumaça cessou.
Também não havia adiantado nada, por que a poeira do campinho subiu assim que eles pousaram – embolados – mas em segurança.

Mal chegaram um péssimo pressentimento se apossou de Diogo, do tipo que acontece em quem experimenta – pelo que seja só uma vez na vida, nem precisa estar com ele ativo – o poder do universo. Rápido pela pratica, pegou o relógio e o travou assim que ouviu:
- Atirem!

Thiago ouviu um ruído de armas e logo após um grito conhecido:
- Atirem!
Era Baltazar.
Porem antes de o primeiro barulho ser acionado, a fumaça subiu.

Quando a fumaça re-cessou, um tiro – que entrou na influencia do relógio – rebateu na parede do quarto.
- Quanto tempo? – perguntou Diogo
- De cinco a dez minutos – se referindo a mãe
- Pega o aspirador.
Enquanto Thiago fio pegar o aspirador, Diogo pegou um quadro na parede e tirou o prego.
- Você tem algum livro de capa dura? – perguntou
- Terceira gaveta!
Diogo retirou o livro e posicionou o prego, uma batida só foi o suficiente para afundar metade do prego, ele pegou e guardou-o na gaveta, Thiago chegou nesse momento.
- E agora?
- Aspira o pó que ficou na nossa roupa.
Assim que Thiago começou Diogo olhou pelo quarto: as etiquetas! Exatamente como antes.
- Thiago... Você tem alguma etiqueta de sobra?
- Tenho, por quê?
- Para tampar o furo do prego
Thiago assim que terminou de aspirar Diogo apontou para a gaveta do meio, e começou a se limpar.
Pegando uma etiqueta media, assim como as outras na parede, ele colou bem em cima do furo.
Um barulho chamou a atenção.
Sara havia chegado.

Um sentido dizia “ele esta aprontando”, ela trancou o carro e se dirigiu a casa.
Assim que ela entrou, foi direto para a cozinha deixar as compras. Dez minutos que eu quero voltar. O meu “radar” nunca foi tão estúpido.
Ela começou a subir as escadas, chegando lá em cima deixou a bolsa na cama e foi para o quarto de Thiago.

Os últimos preparativos estavam na metade: arrumar o quarto para que parecesse que tudo estivesse bem, a qualquer momento ela iria abrir aquela porta...

Que cara cansada.
Pensou Sara, assim que viu o próprio rosto no espelho do corredor, ela se aproximou mais do espelho.
Esse radar estúpido vai ter de esperar mais uns minutos.
Ela tocou a pele, tentando ver o que havia de errado...

Diogo quase capotou quando tropeçou na mochila de Thiago, porém Thiago o segurou pelo braço e girou no próprio corpo para jogá-lo na cama. Com o giro e o peso de Diogo, ele caiu em cima dele...

Sara finalmente soltou o cabelo e caminhou para o quarto, pegou na maçaneta e a abriu.
-... Então quer... Sara! – exclamou Diogo assim que viu ela
Ela fechou a porta e começou a descer
Radar estúpido.

As semanas – três – passaram voando, nesse meio tempo Diogo deu varias instruções.
Contou para Thiago sobre a historia – coisa que era necessária, já que ele precisava saber de tudo.
Contou sobre eventos da vida dele que poderiam ajudar na luta.
Técnicas de combate usando poder. Além disso ensinou Thiago tudo sobre os poderes que ele poderia ter – se ele quisesse inventar podia.
E contou sobre os efeitos mais esquisitos do poder do universo:
- O poder do universo, quanto mais tempo de uso tem te dá efeitos esquisitos, como por exemplo a “sensação”, que você sente se vai acontecer algo de errado e “divagação momentânea”, que a pessoa, durante um segundo, tem o raciocínio rápido. Teve uma mulher que teve “uma hora” de divagação.
O treinamento também era físico. Diogo o treinava para ser flexível – coisa que não cria muitos músculos, não chamando tanta atenção.
Foi quando o prazo terminou.

Dando outro passeio, Diogo convenceu Sara a aceitar.
- Tem certeza que ela não esta alarmada? – tentou se certificar Thiago
- Absoluta.
Eles chegaram ao campinho e Thiago suspirou: tinha gente jogando.
- E agora? – perguntou meio incrédulo
Diogo fechou os olhos como se lembrasse.
- Aqui tem banheiro?
- Sim
- Me leva até lá – pediu.
Eles foram numa velocidade meio-rápida, foi quando avistaram o vestiário, e do outro lado os banheiros.
Eles entraram no banheiro, e então Diogo configurou o relógio e disse:
- Segure no meu bra... – ele foi interrompido pela porta que abriu.
Rapidamente eles foram cada um para um banheiro, fechando a porta e escutando a pessoa: um bêbado.
Foi quando Thiago percebeu o pé de Diogo embaixo da divisória do banheiro. Rapidamente ele encostou o pé no de Diogo – quase do mesmo tamanho 38 – e a cortina de fumaça subiu.
Eles então viram, quando a fumaça cessou, que estavam de pés encostados, de frente a uma casa, do outro lado à loja APSE, – Armarinhos, Presentes, Souvenir e Escolares – e um garoto saindo da loja.
- Levei a gente para algum tempo no futuro – o garoto parou para amarrar o tênis.
- Percebi, pois a loja ainda esta em construção, por que aqui?
- Por causa do carregamento que vai chegar à loja, essa é a data que ele – o p.d.u – começou a ser comercializado.
Um caminhão chegou.
Dele saíram policiais.
Thiago pegou uma pedra e tacou na vitrine da loja, ela acertou em cheio a vidraça.
- Por que...
- Por causa dele! – Thiago apontou para o garoto – a culpa vai cair totalmente nele, distraindo os policiais.
- Ele sou eu!
Diogo se calou. Agora fui longe demais! Dei a dica! Quando o dia chegar... Ele irá perceber de vez!
- Desculpe... – pediu meio sem graça.
- Tudo bem, a idéia é boa.
Com uma descrição enorme, Thiago e Diogo caminharam até o caminhão, dali puderam ver os policiais brigando com o Diogo garoto.
Eles pegaram uma caixa de vidrinhos de poder do universo, e foram até um beco.
- Desculpe... – pediu Thiago antes de a fumaça subir
Diogo havia levado eles para instante que saíram, por isso, a fumaça foi duas vezes mais volumoso. O bêbado, completamente entupido gritou:
- Jeshus, me acode! O demônio ta chhegando!
E saiu correndo.
Eles não puderam evitar voltar para casa rindo do bêbado.
Uma das ultimas ocasiões que eles iriam rir.

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