Menos duas horas.
Menos uma hora e meia.
Menos uma hora.
Menos meia hora.
Lívia e Baltazar estavam visivelmente cansados, mas mesmo assim nenhum dos dois estava disposto a perder. Os Seres lá embaixo não se cansavam, pois eram substitutos dos mortos, a Resistência estava cansada e as munições estavam no fim.
Menos quinze minutos.
O braço de Lívia tremia enquanto aparava os golpes, resistindo até o ultimo.
Menos dez minutos.
Um dos mísseis da Resistência foi desviado com um poder, atravessou toda a avenida e se chocou com a barreira, produzindo um barulho descomunal que estilhaçou todas as janelas dos prédios vizinhos. Pelo menos estavam no lugar, e não caíram. A combustão do fogo fez o prédio tremer levemente. Intrigado, Thiago tentou ver o que pôde ter feito uma explosão tão descomunal, e viu que os Seres tinham colocado, às escondidas, combustível nas partes alcançáveis da barreira, que rachou perigosamente.
Um segundo míssil foi desviado, e antes que Thiago pudesse fazer algo, o míssil atingiu a barreira, com uma explosão bem menor.
A barreira desmoronou e os Seres Malignos, antes confinados, entraram no combate no exato instante em que as munições acabaram.
Menos cinco minutos.
A Resistência, desesperada, retrucou o ataque com poderes visíveis naquela noite. Pois o importante não era mais ficar invisível, mas sim sobreviver.
Menos um minuto.
Lívia agora se mexia com dificuldade, estava extremamente cansada, e Baltazar parecia ter tirado forças de algum lugar. Thiago lentamente e discretamente se postou para ficar à frente de Baltazar. Era agora ou nunca.
Por causa do cansaço e da lerdeza de Lívia, Baltazar logo tomou o comando da briga, e numa seqüência brilhante de espada, desarmou-a. Com uma batida da parte plana da espada de energia no lado de trás dos joelhos, ele fez com que Lívia caísse de mão e joelhos no chão. Ele se curvou para trás, rindo, segurando a espada de energia, pronto para decapitá-la.
- Hei! Baltazar! – gritou, desviando a atenção dele.
Baltazar olhou furioso para Thiago, que esticou o braço para o céu, apontando para algo. Ele seguiu como o olhar e seus olhos pararam direto no eclipse.
O relógio no pulso de Thiago apitou na hora marcada: meio-dia. A lua se deslocou mais rápido que a Terra, fazendo-a sair da frente do sol.
Agora que só lhe restava aguardar, Matheus estava jogando um joguinho de um dos computadores da empresa. Não podendo ir à batalha, para não se pôr em risco, ele estava entediado. O seu relógio disparou, dera meio-dia.
Ele correu para a janela para olhar o céu. A lua saiu lentamente da frente do sol, deixando cair uma estreita faixa de luz desceu céu abaixo em direção à avenida. Os Seres explodiram instantaneamente ao toque da luz. A faixa se alargou e cresceu a cada segundo, matando mais Seres do que qualquer coisa naquele dia.
Os Seres correram rapidamente em direção às vielas escuras entre os prédios, para se proteger. Sem sucesso. Quando os raios solares entraram em contato com os vidros dos prédios, os acenderam como se fossem faróis. E como numa reação em cadeia, um prédio foi ascendendo o outro, assim sucessivamente. A luz ofuscou Matheus assim como iluminou quaisquer canto da cidade, aniquilando os Seres.
–
- Querido, eu já falei! Estamos a sete quilômetros da Avenida Capitalismo! – explicou Clara.
Ela e o marido estavam de passeio na cidade, e ela insistira para ver a maior avenida do país. E ela estava como “navegadora”, com o mapa na mão enquanto o marido dirigia.
- Nós temos que pegar a próxima rua à direita, senão não chegamos lá hoje! Você devia ter...
Ela se calou assim que uma luz entrou pela sua janela. Só dera tempo de ver uma luz engolindo um pedaço da cidade – o mais cheio de prédios – e se estendendo para todos os lados.
–
Antes que Matheus ficasse cego, ele re-sujou os prédios com um aceno de mão. A luz diminuiu de intensidade até ficar igual à luz do meio-dia. Estava terminado. Pelo menos os Seres haviam morrido.
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