Continuação...
A cara de Baltazar havia se transformado num enorme ponto de interrogação, enquanto digeria a idéia de que fora enrolado até o final do eclipse. E ele, na raiva, apontou a espada de energia para o peito de Thiago, que com a grossura e largura da espada seria dividido em quatro com um só golpe no coração.
Lívia se contorceu e bateu com toda a força possível no pulso de Baltazar com o braço esquerdo. A espada de energia escapou de suas mãos e voou para longe.
Thiago reagiu imediatamente, dando vida a um plano de ultima hora. Ele estendeu o braço direito bem acima das costas de Lívia e emitiu uma combustão violenta contra Baltazar. Por causa da pressa, esqueceu de especificar mentalmente que ele e a Lívia não eram para ser afetados pela combustão.
Assim que a massa de ar se deslocou do seu punho cerrado, ela bateu em Baltazar, e o jogou direto para fora do prédio. Ela também o atingiu, jogando-o apenas a alguns metros para trás – apesar dele não ter especificado que era para ele não ser atingido, ele continuava a ser quem conjurou, diminuindo as conseqüências – e também atingiu Lívia nas costas, prensando-a no chão, que, por causa da briga, estava fraco e com a combustão desmoronou. Thiago sentiu-se ligeiramente em gravidade-zero, para logo depois se chocar com o chão cheio de escombros. Um pedaço de concreto continuou inteiro – rachado, mas inteiro – mas declinou-se, deixando uma rampa em direção ao beiral do prédio, no lado da avenida.
Romeu olhava preocupado para os corpos, que com poderes dos sobreviventes haviam sido transformados de volta ao normal e enfileirados lado a lado na calçada, que estava cheia de pó que caia do céu, como neve. Haviam morrido duzentas pessoas, metade da Resistência estava inconsciente no chão, e entre os sobreviventes ele não viu o rosto de Liza.
Mas sua preocupação foi desviada por um impacto gigantesco às suas costas, fazendo o chão vibrar discretamente sob os seus pés. Ele se virou para ver o que aconteceu e se deparou com uma enorme cratera que se elevava do chão. O que tinha caído formara um enorme “berço” de concreto. Ele correu até a cratera para ver o que tinha feito aquilo, mas sem sucesso. Para poder ver o que estava ali ele teve que escalar montes de concreto e terra para ver. Assim que conseguiu olhar para baixo ele perdeu o fôlego.
No meio da cratera estava um corpo enorme, de cinco metros de altura, todo vermelho e com asas (faltavam-lhe alguns pedaços) e um cotoco de um rabo fino, de uns dois centímetros de espessura.
O bicho olhou para ele e apontou o dedo indicador. Seu corpo começou a perder volume e tamanho, suas asas entraram de volta no corpo enquanto o cotoco sumia, uma roupa ia aparecendo gradualmente ao mesmo tempo em que sua pele adquiria tom branco. Assim que estava com tamanho de humano ele sussurrou:
- M-me ajude...
Romeu continuou calado. Baltazar não merecia ser socorrido.
- P-por f-favor... M-me ajude...
Romeu mexeu a cabeça negativamente, embora sua palma formigasse para que ajudasse.
- E-eu n-não v-ou so-sobreviver...
- Peça para quem você matou. – respondeu firme.
- V-você v-vai ne-negar a-a-ajuda pa-ra alguém ne-cessitado?
- Só estou fazendo algo que você faz há anos.
- E-então mo-rra! – seu grito não saiu mais que um sussurro.
A energia mal se formou em sua mão e tornou a desaparecer, deixando a mão cair bobamente no asfalto, sem vida.
Romeu mal acreditou em que via. Baltazar estava morto! Ele se virou alegremente para a Resistência e gritou:
- Está morto!
O grito que veio lá debaixo foi como musica aos seus ouvidos. Baltazar morrera finalmente. Thiago se moveu lentamente para uma massa de um metro de altura entre os escombros, e a cutucou:
- Lívia? Ainda está viva?
Ela se levantou, sua cabeça saiu do limite do teto, agora inexistente.
- Baltazar iria precisar de mais do que isso para me matar.
Seu corpo re-transmutou de volta à forma humana. Mas suas asas continuaram para fora.
- Vou descer lá, ver o estrago. Você quer vir?
Thiago não tinha certeza se queria ver quem tinha morrido, mas acenou positivamente.
- Então venha.
Ela o guiou rampa acima até o beiral.
- Me abrace na cintura bem forte.
- Que? – perguntou tão espontaneamente que saiu como se fosse um grito.
- Me abrace na cintura. Ou você quer ir de elevador até lá embaixo?
- Mas e o relógio e poderes? – para Lívia sua duvida estava na cara o que queria evitar. Por isso ela começou a rir, deixando-o vermelho.
- Não tem problema, pode me abraçar. Ou quer perder a chance de voar comigo?
Suas bochechas queimaram como fogo enquanto abraçava a cintura dela, deixando um vão entre eles.
- Desse jeito você vai cair. – aconselhou ela.
Suas bochechas queimavam ao equivalente a febre enquanto se encostava a ela. Suas asas elevaram-se e ela flexionou os joelhos. Deu um impulso, subindo dois metros e oitenta para cima.
Num lapso de loucura ele olhou para o chão. Quase vomitou quando viu a paisagem dezenas de metros para baixo. Numa tentativa de se acalmar, ele olhou para o rosto de Lívia. Ela estava sorrindo enquanto inclinava o corpo para o chão, recolhendo as asas juntou ao corpo. Logo eles estavam em queda-livre, abraçados.
Nos últimos dez metros antes de chegarem ao chão, Lívia abriu as asas, diminuindo a velocidade. Ela planou um pouco para pousar suavemente.
Thiago largou o abraço correu para vomitar na sarjeta (uma boa desculpa para poder se recompor e perder o rubor das bochechas). Assim que terminou, limpou a boca com as costas da mão:
- Você foi mais forte que eu. No meu primeiro vôo eu vomitei no ar.
- Por que agente vomita? – ele percebeu que sua pergunta podia ser mal interpretada – quer dizer... No ar?
- É que não estamos acostumados a voar, senão teríamos nascido com asas.
Thiago se lembrou de algo e rapidamente a pôs em pergunta.
- Mas quando eu tomei o poder-do-universo, eu voei para experimentar os meus novos poderes, e não vomitei.
- Por que você não estava preocupado com a altura, mas sim com o vôo em si. Estava mais excitado do que outra coisa, fazendo-o esquecer do medo.
- Quase um placebo.
- Quase um placebo – afirmou.
Eles caminharam para as pessoas mortas, e Thiago logo reconheceu os cinco garotos que tinha conversado logo de manhã. Também viu várias outras pessoas, dentre elas quem mais lhe trouxe pesar foi a Liza. Mas ficou contente internamente em não ver o corpo de Lucas.
Se essa briga idiota não tivesse ter que acontecer... Estariam todos vivos. Pensou amargamente. Estariam todos felizes. Ele repentinamente se lembrou do que Baltazar lhe contara: “E o Diogo veio me fazer uma visitinha; e, apesar da tentativa, não conseguiu me matar, isso ajudou a alimentar a minha ira contra ele.”.
Então significava que Diogo tentara matar Baltazar. Mas por quê? A reposta veio tão imediata que um sorriso bobo estampou-se em seu rosto. Se Baltazar morresse jovem, essa briga nunca ocorreria, eles e minha mãe continuariam vivos, e eu então poderia voltar para ficar com ela.
Ele localizou Lucas entre um bando de garotos sentados na calçada que divisava as pistas da avenida.
- Lucas! Vem aqui, por favor. – chamou-o a três metros longe dos garotos.
- Sim.
Thiago lhe contou sobre a sua dedução.
-... Seria ótimo que isso acontecesse, mas você quer vir comigo?
- Vamos! Mas como vai fazer para ir até ele?
- Vou me concentrar numa imagem dele e vou fazer uma “regressão” com poder, para ter o rosto dele com quatorze anos, depois é só colocar no relógio o ano de dois mil e dez.
- Então vai.
Thiago se concentrou numa imagem mental de Baltazar, então ele a “regressou” para quatorze anos, e quanto à imagem estava pronta, ele apertou o relógio para o ano de dois mil e dez.
Um medo rápido se apossou dele quando pensou na possibilidade de Baltazar-jovem estar usando o banheiro no momento. Mas esse medo sumiu assim que a fumaça cessou.
Chegou o fim do capitulo (Aleluia!) mas ainda temos dois capitulos pela frente e um Epilogo (se não sabe o que é preocure no dicionário, burro) antes que possamos ir até o livro II - Terrorismo. Aproveitem esse desfecho, pois promete tantas emoções quanto esse que acabou de acabar.
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