Thiago pela primeira vez ficou sozinho depois de duas semanas, pois todos queriam falar com ele, ser prestativo a ele.
Romeu e Liza tiveram que mudar ele de quarto varias vezes até as pessoas não o acharem – no décimo andar.
No segundo dia sem ser encontrado, Thiago começou a esvaziar a bolsa e colocar os objetos num armário. Quando ele tirou todas as roupas ele viu os poderes do universo no fundo da bolsa, e se lembrou que o pessoal da Resistência não tinha poderes. “Eles precisam...”
Thiago então chamou uma pessoa que trabalhava lá de faz-tudo – em um andar diferente – e pediu que colocasse no salão principal uma piscina de mil litros, de preferência vazia.
Depois que foi informado que tudo estava no lugar ele falou para Romeu chamar todos para lá.
Levou meia hora para todos se arrumassem, assim que a ultima pessoa se acomodou nas cadeiras Thiago chamou Romeu:
- Em quantos vocês estão? – perguntou
- Bem, se nós fomos excluir os velhos, mulheres e crianças nós somos...
- Não, eu perguntei no total.
- Em... 450 pessoas.
Thiago deu dois passos a frente e se postou diante da piscina e, evocando o poder, conjurou quatrocentos e cinqüenta litros de água em forma esférica e os despejou na piscina. Assim que toda a água estava despejada Thiago pegou os frascos de poder do universo e despejou tudo. Ao contato com o poder do universo, a água adquiriu a cor vermelha.
- Esse estoque de poder do universo é para vocês, bebam um pouco que é o suficiente, e, por favor, não deixem ele se acabar! Ele dará saúde de atleta para todos vocês, falo por experiência própria – avisou a todos.
Assim todos fizeram fila para pegar o seu estoque, e Thiago se retirou.
Depois de vinte minutos sozinho Liza, Romeu e Lucas entraram no quarto.
- E agora grande sábio? – ironizou Lucas ao se sentar.
- Bem, eu tenho uma idéia um pouco incompleta... Mas vocês podem me ajudar...
- Como? – perguntou Romeu.
- Meu plano por enquanto precisa de uma resposta... – Thiago se ajeitou para ficar de frente para Romeu – o que mata os seres malignos?
- Alem da luz?
- É.
- Bem... Seria algo grosso o bastante para perfurar o corpo deles e chegar ao coração, ou separa-los em dois ou ainda corta-los para deixar um ferimento mortal.
- Flechas de luz servem? – perguntou Thiago
- Não acredito que eu ouvi isso! – gritou Lucas
- Sim. – respondeu Romeu fingindo não escutar o Lucas
- Hum... O plano está feito. Quero, por favor, trinta homens, os mais saudáveis aparentemente...
- Você próprio disse que todos estão saudáveis... – Lucas resmungou
- Eu sei, mas Baltazar não. Vamos mostrar a ele que nos somos poucos, e mais, vamos mostrar que somos poucos capacitados à luta, Liza, precisamos que você trabalhe no primeiro distrito, que você faça parte dos funcionários de cargo mais alto de Baltazar, por que aí você precisara ter a mente vasculhada, para ele descobrir que você é da Resistência, assim, ele vai saber que nós somos quatrocentos e cinqüenta pessoas, e ainda, que de homens saudáveis, só trinta. Quando chegar à hora...
- Você já tem um plano? – isso foi o Romeu, já que a Liza estava tentando entender a lógica da parte dela no plano, e Lucas estava de queixo caído.
- Tenho... Quando chegar à hora, os velhos irão curvados, as mulheres com cara de “o que eu estou fazendo aqui?”, as crianças agarradas às mães, os doentes e os feridos caracterizados, e na hora, os velhos se ajeitam, mulheres e crianças arrumam à postura, os doentes e feridos mais ainda, vamos mostrar que não estamos para brincadeira. – Thiago deu uma olhada de canto de olho para Lucas – mas, por enquanto, vamos à avenida capitalismo...
No dia seguinte Thiago começou a arrumar o próprio “quarto” quando ele ligou o radio. Na radio o locutor começou.
- Olá a todos! E bem vindos a sua radio favorita... A 97.5 FM, e agora, com vocês, o momento mais esperado de seus pais... O MOMENTO RETRÔ! E hoje nós vamos mostrar para vocês o que se tocava nas rádios da... Primeira década do milênio... A primeira década do ano de dois mil... E a primeira musica é... Um dos maiores sucessos da época com a moçada (algum deles. Em minha opinião.)... Nely Furtado, promiscuous girl!
Quando a musica começou a tocar, Thiago aumentou o volume e começou a cantar.
Não que ele gostasse muito da musica, mas era uma musica que ele CONHECIA.
Terminando a musica passou a vinheta “momento... re-trô...” com uma mulher sussurrando, e começou uma das musicas que ele mais gostava, “Moony, i don’t know why”, e em seguida “Ian Carey, Keep On Rising”, “Guru Josh Project, Infinity”, “Spyzer, I Feel So Free”, “Justin Timberlake, LOVESTONED”, “September, Cry for you”.
Depois da ultima o locutor voltou e encerrou o MOMENTO RETRÔ, e Thiago desligou o rádio. Quando ele olhou para a porta viu o Lucas.
- Afe! Você gosta dessas musicas?
- Gosto! Por quê? – rebateu Thiago
- Por que são chatas, são antigas!
- Eu as escutava!
- A, esqueci que você não é desse tempo... – dessa vez Thiago notou que ele estava sendo sincero.
Lucas se sentou.
- Você quer ir mesmo? – Thiago perguntou
- Não... Quer dizer... Sim! Eu quero ir, mas... Não foi para isso que o Diogo formou a Resistência. Foi para nós nos OPORMOS a Baltazar, não tentar LUTAR contra ele.
- Mas você não percebe? – Thiago sentou na frente de Lucas e chegou bem perto – Baltazar sabe onde nós estamos escondidos, sabe nossos pontos fracos, sabe como nos esmagar. Você não percebe que o Diogo deve ter passado por isso? Assim como quem treinou ele, quem treinou quem treinou ele e todos os outros. O próprio Diogo deixou escapar que atrasou a entrega da carta para que o futuro não fosse o mesmo. Nós não vamos ganhar se ficarmos aqui parados, eu sinto que estamos na reta final de mudar a historia, de mudar o mundo. Mas para isso, nós vamos... – Thiago deu uma engasgada – nós vamos ter que por nosso “desentendimento” de lado. Topa? – Thiago estendeu a palma da mão. Como um convite.
Lucas hesitou e depois apertou a mão do seu novo amigo.
- Amigos? – perguntou esboçando um sorriso, guardando o resto para depois da resposta.
- Amigos! – terminou Thiago, sorrindo de volta.
De noite Thiago estava se remexendo na cama. Um pesadelo.
Ele estava sozinho, trancado no próprio quarto. Ele estava desesperado.
Uma mão tocou no seu ombro – apesar de ter girado e vasculhado todo o quarto, visto que não tinha ninguém lá dento –, ele se virou e deu de cara com o pai e a mãe, lado a lado.
- Filho... – disse Sara – nós te amamos tanto...
- Mãe? – interrompeu Thiago
- Por favor, filho, não me interrompa – pediu meio chorosa – o tempo é curto demais...
“Nós viemos aqui para te avisar umas coisas...” ela o sentou na cama “antes de você vir ao futuro... bem, você fez uma prece... uma prece para acabar com o Baltazar... bem você não viu... mas o seu desejo se tornou realidade”.
- O que você quer dizer? – perguntou aflito
- Que...
Mas a imagem tremeu. Ele estava no escuro. Ele olhou para o pulso. O relógio marcava três horas da tarde. Um ensudercedor grito de luta ressoava lá em baixo. Ele estava no alto de um prédio, o coração estava ansioso.
Então a imagem tremeu.
Ele olhou para abaixo e viu o chão – eu estou voando – pensou, antes de perceber uma coluna de ar de um quilometro de diâmetro se elevar no céu de dentro de um galpão, até poucos metros abaixo dele, depois ele avistou o que queria – um ponto escuro do outro lado da coluna.
Então a imagem tremeu.
O chão passava velozmente sobre seus pés, que na verdade eram pés e mãos, porém não eram dele, pois eram peludos.
Então a imagem tremeu.
E Thiago não estava vendo nada, mas sentiu uma sensação gélida no peito.
Thiago acordou sobressaltado. Estava encharcado de suor. Lucas estava ao seu lado.
- Você é estranho! – afirmou Lucas, encarando Thiago.
Era cinco e cinqüenta, o sol ia descendo no horizonte.
Thiago estava tremendo de ansiedade. O plano do supermercado só dera certo por puro golpe de sorte. Por que quando eles tinham violado o toque de recolher, quem tinha vindo verificar foi um ser maligno só. Agora, ele sabia que Baltazar ia mandar seres malignos a mais. Era agora que ele ia mostrar seu valor como líder, era agora que ele ia mostrar que ele podia ser capaz de vencer o Baltazar, se vencesse.
O sol estava pela metade no horizonte. Estava se pondo.
O sol sumiu. Deram seis horas. Os seres malignos podiam andar livremente.
Uma massa cinza apareceu na outra ponta da avenida. Eles estavam vindo. Alguém das trinta pessoas (homens aparentemente saudáveis, para não estragar o plano, o que na avenida dava a largura certa dela – com cada um com certo espaçamento com o próximo) falou para ele que tinham avistado exatos novecentos seres.
Thiago falou suficientemente alto para todos os membros presentes da Resistência ouvir:
- É o seguinte – sua voz vibrou de emoção – vocês sabem o que fazer, por favor, não fraquejem, é agora... Ah, mais uma coisa – disse Thiago meio energicamente – como são novecentos seres, vão dar trinta para cada um, mais ou menos trinta vezes o que combinamos, e, não se esqueça Carlos, na ultima fileira pare de matar – disse entoando, como sua mãe fazia quando ele não podia esquecer alguma ordem.
Os seres malignos pararam a uma distancia suficiente para o plano dar certo. E para melhorar havia trinta seres na primeira fileira, trinta na segunda e assim até a ultima linha.
Um dos seres da linha de frente se postou ante os outros e falou:
- Saiam da frente, seus humanos... – o ser pareceu reconhecer o Thiago, pois um sorriso cruel apareceu na sua cara de lobo – ora, ora, se não é o garoto que meu chefe quer...
Thiago prendeu a respiração. O coração dele parecia que ia sair do corpo.
- Bem... O Baltazar disse para nós não nos preocuparmos em matá-lo, ele só quer você morto, nada mais.
O ser deu uma gargalhada.
Thiago sem falar nada ergueu as mãos e tudo começou.
Todas as saídas da Avenida Capitalismo foram fechadas por um poder de escudo transparente, então Thiago gritou “se preparem” e os membros da Resistência ergueram a mão direita e delas produziram uma bola de luz, os seres começaram a caçoar e então Thiago gritou “apontar” as bolas de luz se transformaram.
Pontas saíram da bola de luz, uma para cima e outra para baixo, todas sincronizadas, então elas foram meio que para traz, e se uniram. Formando um arco. A da bola de luz saiu uma ponta que saiu horizontalmente. Formando a flecha. Thiago gritou “atacar” os membros da Resistência puxaram a corda do arco e soltaram as flechas de luz.
As flechas zuniram a atravessar o vão entre a Resistência e os seres, e acertaram o peito de seu respectivo ser maligno em cheio.
A primeira fileira de seres, após receber a flechada, se contorceu, todos emitiram um uivo de dor antes de se encolherem em uma bolinha e explodirem.
Consegui! Acertei o meu palpite! Uma flechada de poder de luz É um ferimento grave!
Thiago deu um outro grito para se preparem, e, enquanto produziam outra flecha, eles deram um passo à frente. Dessa vez os seres malignos, que sabiam o que ia acontecer, produziram um escudo de poder para tentar impedir a morte deles. Porém Thiago penetrou em todas as defesas e as desfez como se fossem de areia, e gritou novamente “atacar”. Isso se repetiu mais umas vinte e sete vezes, e no trigésimo ataque, como combinado, um deles deixou um ser maligno vivo.
Thiago mais a Resistência caminharam até ele e então começou:
- Você, não pense que eu tive misericórdia – disse para o ser ajoelhado e tremendo no chão, era estranho que aquilo estivesse acontecendo – só te deixamos você vivo para uma só finalidade: me dá a lembrança do que aconteceu aqui.
Thiago não sabia como aquilo poderia acontecer, mas mesmo assim estiou a mão pedindo para que lhe desse.
O ser pareceu engasgar, então, como se fosse vomitar, guspiu na mão de Thiago uma pedra azul de dois centímetros, igual a que recebera de Diogo.
Thiago abriu a boca para perguntar o que era aquilo quando um Carlos falou:
- Nossa! O ser maligno conseguiu!
- Conseguiu o quê? – perguntou Thiago, que tinha se virado de frente para ele, mas de olho no ser.
- Fazer isso! – respondeu apontando para a pedra na mão de Thiago – isso são pedras de memória, é muito difícil de produzi-las. E só se consegue se você tem poderes... E fica mais difícil estando sobre pressão ou com pressa.
Thiago então se lembrou do que acontecera com o Diogo:
“Diogo gritou “Thiago” e tacou algo. Que Thiago pegou no ar de reflexo.
Thiago olhou para o que tinha nas mãos.
Era uma pedra de dois centímetros azul, e o relógio de Diogo.”
Diogo definitivamente tinha produzido aquela pedra sobre pressão e... Tinha uma memória!
Feliz por saber que o seu eu do futuro tinha deixado uma pista, algo, um adeus talvez, ou uma explicação, Thiago produziu uma espada de luz, (meio tosca, pois era o básico do básico.) e cortou o ser maligno da cintura esquerda para o ombro direito.
O golpe fora tão forte que o ser se elevou e girou no ar antes de cair de barriga para baixo no chão. Ele se debateu um pouco e explodiu.
Feliz mais ainda por ter descoberto que tinha outro jeito de matar os seres, Thiago chamou Carlos:
- Quero que você garanta que isso cheque ao Baltazar. Vamos mostrar para ele que com agente não se brinca – e com todos os outros – vamos de volta para casa.
E com um aceno retirou todos os escudos das saídas da avenida.
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