Thiago foi dormir dez e meia, e assim que trancou o quarto, vedou-o com um poder Contra-Auditivo, para impedir que qualquer som saísse de lá. A finalidade disso é que agora ele iria ligar o computador, para ver onde será o próximo ataque, e os pais dele deixaram uma regra em casa: “nada de computador ligado depois das nove e meia”.
Parte 3
O parque da cidade é composto de Três mil metros quadrados de área arborizada...no meio do parque há um lago...7h30min da manhã...
Ele desligou tudo depois de ler essas informações. Preciso acordar as quinze para sete. Fico lá esperando... Mas os portões do parque só se abrem as oito... Dã, eles não querem publico.
Ele programou o despertador do celular para despertar quinze para sete e foi dormir, embalado pela expectativa.
–
Ele andava no corredor do prédio abandonado, em direção à Sala de Reuniões. Andrews repassava tudo o que teria que falar agora. Ele tinha adorado a repercussão que tinha tido o primeiro ataque, ainda mais a cara de bobo do apresentador do jornal quando viu a imagem aérea.
Andrews não gostava muito do que estava fazendo, atacar a própria cidade, mas era necessário. Ainda mais agora, que começaram. Tinha deixado de ser brincadeira quando os três rapazes tinham se unido naquele quarto, no dia 15 de agosto de 2008, uma sexta-feira. Ele se lembrava de tudo.
O local era um Centro de Tratamentos Psicológicos filiada à empresa de manipulações genéticas Corpus, apesar deles não terem nenhuma doença mental.
Na tarde daquele dia, 15 de agosto, ele e mais dois rapazes, Jorge e Bruno, de vinte um anos de idade cada, foram chamados à diretoria do Centro, e eles passaram vários minutos discutindo sobre medicina com o diretor. O que os mantiveram prestando atenção no diretor do Centro foi à primeira frase que ele disse: “Vocês vão descobrir o porquê de estarem aqui”.
No meio da conversa apareceu um homem esquisito de 36 anos, que pediu desculpas pelo atraso e perguntou se ele tinha contado.
- Não – respondeu o diretor.
Então quem tomou o rumo da conversa foi o outro, que se disse dono da empresa Corpus. Ele deu uma aula rápida de como é feito o corpo humano, e Andrews achou que era pelo mesmo motivo do diretor: não saber outro tipo de assunto, a não ser medicina. E depois de um pequeno discurso sobre um grupo de estudos, revelou a eles o verdadeiro motivo de estarem ali.
O choque inicial foi substituído por uma raiva imensa e, à noite, os três se reuniram, planejando destruir a cidade que tinha destruído o sentido da vida deles.
Eles fugiram na mesma noite e, depois que se instalaram naquele prédio abandonado, começaram a juntar pessoas à sua própria causa. Alguns eram mauricinhos endinheirados que patrocinaram a maior parte dos equipamentos (ilegais). Tanto que todos que estavam lá, com exceção dos três, era por motivos de revolta com o sistema político, e não vingança.
Ele abriu a porta do cômodo, e foi recebido por varias repetições do seu próprio nome. Ele localizou Bruno e Jorge na sala, e depois notou os outros trinta que levavam o terrorismo deles à sério.
- Está indo tudo de vento em polpa. Tanto que ganhamos um nome da polícia: Invisível. Sinceramente eu gostei do nome. Agora, falando dos ataques, a nossa idéia deu mais que certo. Todo mundo ta doidinho. Mas parece que temos um problema.
–
Thiago acordou com o segundo toque do celular, e se perguntou como os seus pais não acordaram com a barulheira. O poder Contra-Auditivo. Me esqueci de tirá-lo.
Ele se trocou correndo, já que faltavam cinco para as sete. Quando estava pronto, desceu silenciosamente as escadas e saiu de casa sem fazer nenhum barulho. Olhou para a rua com um momento de “o quê que eu faço” e lembrou para que direção era o parque.
Ele parou assim que deu o primeiro passo. Se eu for a pé só vou chegar lá umas oito horas. Ele pensou em uma alternativa e riu dela. Se eu pegar o carro do meu pai ele vai arrancar meu couro... Como eu chego lá? Ele olhou para as próprias mãos, Poder.
Ele fechou os olhos e quis estar no parque.
Depois de contar até cinco, abriu os olhos, relutando em voltar a dormir. Preciso voltar a acordar cedo, senão não vou acordar quando as aulas voltarem.
A ultima vez em que ele tinha estado no parque foi quando ele tinha nove anos, num passeio. Por isso ele mal se lembrava do parque. A uns três metros dele tinha um mapa do parque, com um ponto totalmente visível a Thiago escrito “você esta aqui!”. Ele se aproximou e gravou o melhor lugar para chegar mais rápido no lago. Vai ter que ser pela mata fechada.
Ele caminhou por cinco minutos entre as árvores, indo sempre em direção reta, para não se perder. Enquanto andava, ele viu um vulto passar entre duas árvores a uma distancia considerável:
- Quem está aí? – perguntou.
Um silêncio respondeu de volta. Foi uma ilusão. É de manhã, to com sono, e estou coberto por árvores, dá pra se confundir. Ele sentiu-se obrigado a segui-lo, mas olhou no relógio: 7h18min.
Mais um pouco de caminhada deu no lago de cem metros de distancia, de uma margem a outra. Ele estava numa depressão no solo, cercado por várias colinas que, em relação ao lago, chegavam a quarenta metros de altura. Onde estava Thiago era o final da área arborizada, e o começo da graminha que se estendia morro abaixo até as margens do lago. Pela hora da manhã, poucos raios de sol atingiam o lago, impedidos pelas arvores, deixando o lago preto-amarelado. Velejando nele ia um barquinho de um metro de comprimento, ele se mexia de acordo com o vento, que o levava para o meio do lago. Thiago pensou ter visto outra sombra, mas negou a si mesmo. To com sono.
Ele olhou no relógio: 7h22min. Ele se acomodou numa das raízes de uma das árvores da borda e fechou os olhos.
O bip do relógio o acordou. Ele olhou para o pulso: 7h29min15seg. Ele se desencostou do tronco e se manteve sentado na raiz, mas sem encosto.
Demorei só quinze segundo para acordar? Que milagre.
Ele olhou para o lago, depois que o relógio marcou 35 segundos. Ele se xingou baixinho por não ter lido o passo três até o final. Ele pensou que seria um míssil, já que o lago era raso o suficiente para a explosão. Mas por que o lago? E se não for explosão? E se for uma radioatividade?... To viajando. Mas se for algo não visível?
Sua conta mental chegou a 50.
Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois...
O barquinho que estava no meio do lago explodiu, e com a explosão uma onda de calor se chocou contra Thiago, o derrubando para trás, no mesmo instante que um som cem vezes mais forte de explosão comprimiu seus tímpanos.
Sentindo que seu corpo foi esfolado, ele abriu os olhos, para ver uma chuva de folhas caindo das copas das árvores, que voltavam à posição original, lembrando o final de uma ventania.
Ele se pôs de pé com um pouco de dificuldade, e olhou para o lago, para ver o que aconteceu. Assim que viu o lago, percebeu que o preto-amarelado da água não era cor original, mas era óleo. Gasolina.
O lago inteiro estava em chamas, com labaredas amarelo-ouro que ultrapassavam setenta metros. O calor lá estava insuportável, e as chamas começavam a avançar pela grama.
A consciência de Thiago o mandava apagar o fogo antes que ele incendiasse o parque inteiro, mas a razão o mandava voltar para casa. Não podia correr o risco de ser descoberto.
Desculpe-me mata, mas não dá.
Ele configurou o relógio dele para 7h28min naquele mesmo dia, e imaginou o próprio quarto. A fumaça o envolveu. Assim que ela cessou, ele estava novamente em casa. Thiago colocou o pijama novamente e deitou na cama.
Um som grave ecoou no quarto, vibrando as janelas. Era o som da explosão, pois o rádio-relógio marcava sete e meia. Mas não fazia lógica, uma vez que a casa deles ficava a dois quilômetros do parque.
A imagem das labaredas o lembrou que a explosão foi em nível do barulho.
- Thiago? Você está aí? – perguntou a mãe dele enquanto batia na porta.
- To. – respondeu.
- E você ouviu?
- Sim. – ele se levantou e abriu a porta.
- O que você acha que foi?
Ele balançou a cabeça negativamente.
- Tomara que não foi um posto de gasolina. – Thiago reprimiu uma risada. Mães tinham a mania de achar que tudo de ruim pode acontecer.
- Vou dormir. – ele respondeu.
- Você se revirou pouco essa noite, hein.
- Por quê?
- Ta todo descabelado.
Ele fechou a porta e, antes de voltar a dormiu, foi ao banheiro verificar o que sua mãe tinha dito. Mas eu penteei o cabelo antes de sair de casa e...
Thiago verificou que sua mãe não havia mentido: estava todo descabelado. A explosão deve ter me descabelado... Preciso cortar o cabelo, daqui a pouco o gel não vai dar conta.
Ele voltou para debaixo das cobertas.
Amanhã... Hoje, sem falta, eu entrego esse cd. Está tudo compatível.
Eu entrego, e me livro das responsabilidades.
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