ALGUNS ANOS NO FUTURO
-... Aí ela me disse: “você não vai comprar?”, aí eu respondi: “claro que não!”.
Thiago estava conversando com o Matheus. Os dois estavam andando numa das calçadas de um dos quarteirões da Avenida Capitalismo. Estava um sol lindo de fim de tarde. De vez em quando passava um carro na avenida, e havia poucos pedestres como eles.
- Mas você não acha que foi um pouco grosso? – perguntou Matheus.
- A minha sogra quer me fazer comprar uma lavadora que eu não quero. E ainda por cima custa o meu fígado!
Nesse momento Thiago olhou para frente, e viu um casal acompanhado de um garoto de treze anos. Ele lhe era familiar. Thiago teve um momento de inspiração e lembrou-se dele, como num sonho distante, uma participação ínfima na vida dele, apesar de ter sido ao contrario. Ele ficou na frente do garoto e cumprimentou os pais dele:
- Olá, meu nome é Thiago – ele estendeu as mãos, que os pais do garoto apertaram – e gostaria de falar com o seu filho – disse apontando para o garoto.
Os pais dele ficaram desconfiados, se entreolharam, conversando com os olhos, mas permitiram. Sem antes o pai segurar firmemente no ombro dele.
- Oi Lucas – o garoto se surpreendeu pelo fato dele conhecer o seu nome, mesmo sem tê-lo dito – não espero que você se lembre, mas eu gostaria de te falar que eu consegui matar Baltazar.
- Eu não sei do que o senhor está falando. – respondeu meio desconfiado.
- Posso então te passar algumas lembranças?
Lucas olhou para o pai, que pensou um pouco e fez que sim com a cabeça, mas não soltou o ombro do filho, caso Thiago quisesse seqüestrar Lucas usando o relógio ou teletransportação, teria que levar o pai junto. Thiago e Lucas deram-se as mãos, e então Thiago passou para ele todas as suas lembranças desde a conversa que eles tiveram e que o Lucas tinha contado sobre os próprios pais, os acontecimentos na avenida e no galpão, finalizando quando a luz tinha tomado conta do seu corpo. Alguns fatos haviam se perdido com o tempo, mas faziam um todo coerente.
- Estou feliz por você – disse Lucas sinceramente – mas não consigo me lembrar de nada, nem lembro se já havia te visto alguma vez na vida.
- Tudo bem – disse Thiago decepcionado – só queria que você soubesse. Não sabia se haveria outra oportunidade como essa.
E então Thiago deu um toque no braço de Matheus, e eles recomeçaram a caminhada:
- Eu não quero comprar aquela lavadora sendo que nós já temos uma de ótima qualidade... – retomou a conversa com o Matheus. Se distanciando de Lucas. Uma das poucas pessoas que “poderiam” afirmar que “presenciaram” a decisão do destino de sua cidade.
Seu pai deu um toque no ombro, indicando que era hora de andar. As lembranças que aquele cara tinha eram um ótimo enredo de jogo, mas ele não se lembrava se conhecia o homem. Quanto mais tentava se lembrar, menos conseguia. Algo no fundo dizia para ele: “você o conhece”, mas só isso não era suficiente para ele lembrar. Ficaria a duvida agora. Seus olhos saíram de foco, enquanto uma torrente de lembranças invadia seu cérebro. Ele parou no meio do caminho. Agora se lembrava. Ele se virou, ignorando os olhares dos pais.
- Thiago! – o homem adulto, que lembrava o Diogo, parou e se virou, com uma cara de “quê?” – eu me lembro. Obrigado por ter trazido os meus pais de volta!
Thiago deu um sorriso, retirando de sua memória à cara de raiva inchada que ele tinha mantido da “ultima” vez em que haviam se visto, quando Lucas estava agonizando numa hemorragia interna incurável. Ele recomeçou a sua caminhada com o amigo, que mantinha a mesma idade das lembranças de Lucas.
Ele começou a caminhar, seguido pelos seus pais. Eles mantinham a cara de interrogação.
- O quê que você lembra Lucas? – perguntou a mãe.
- É uma longa historia. – ele preparou a garganta – Num presente que não vai mais acontecer, tinha um homem chamado Baltazar. Ele...
fIM
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