Uma nova aventura se inicia. E se acham que é pouco, esperem para ver os próximos capítulos.
Thiago se apoiou no parapeito da janela, estava realmente revoltado pelo o que sua mãe acabara de dizer. Apesar de saber que ela estava certa, ele não podia deixar de sentir uma pontada de desgosto. Em meio de seus devaneios, ele ouviu um farfalhar, um farfalhar leve de quem não quer ser ouvido, que ele próprio só ouviu por causa do poder-do-universo que havia permanecido mesmo após ele ter provocado a morte de Baltazar. Com a raiva transparecendo por ter sido interrompido em seu “santuário”-quarto, ele se virou bruscamente e quase soltou um “quê?” quando viu Mariana.
Mariana havia chegado de mudança logo após a volta do futuro que agora não existe mais, dois meses atrás. Depois disso, ele só falou com elas duas vezes, trocando um singelo oi. Mesmo após tanto tempo depois que eles se viam, ele ainda ficava constrangido perto dela.
- É... Sua mãe falou que você estava no quarto! – se apresou para explicar a presença.
Um logo minuto de silencio se apossou do quarto, não agüentando mais, ele replicou:
- Estou, mas o que você gostaria?
-... Bem... É... Convidar você para... Bem...
- Já to achando que você logo vai me chamar de benzinho.
- Eu vim aqui te convidar para minha festa de quatorze anos! – disparou ela quase gritando
Thiago ficou mudo, e, reunindo forças para falar perguntou:
- Só eu?
- Sua família também
- Aonde?
- Aqui... Na minha casa – consertou.
- Quando?
- Depois de amanhã
Thiago não resistiu à piada
- Droga! Agora vou ter que te convidar para ir à minha festa de aniversario daqui a cinco dias!
- Sério? – ela não conseguiu esconder a cara de incrédula
- Sim, bem, se você me der licença eu preciso de me trancar no quarto...
Já era onze horas e Thiago ainda não havia conseguido dormir. Cara... Convidado para um aniversário!... Será que ela desconfia?Ou será que ela apenas convidou? Desde que ele tinha visto ela pela primeira vez, ele tinha gostado dela, e depois de dois meses passando na frente da casa dela e convivendo com ela – mesmo só de vista – o gostar dele para com ela havia se transformado em apaixonar, por ela.
Ele ainda estava meio confuso com relação aos seus sentimentos, mas tinha certeza que realmente era paixão; já que não tinha como explicar o fato de ter frios na barriga quando eles se encontram ou a confusão quando é ele que puxa assunto.
E ele também estava abismado por ela fazer aniversário tão próximo do seu, ela fazendo aniversário no dia treze e ele no dia dezesseis, num sábado. Que coincidência, ele respirou fundo e se virou na cama para ficar confortável, apesar de estar apaixonado, eu consegui – por dois longos meses – disfarçar o que eu sinto.
Ele estava feliz consigo mesmo, por ter disfarçado tudo com “indiferença amigável”, ele olhou para o radio relógio – eram mais de meia-noite – e respirou fundo. Mais longo que esses dois dias é impossível.
Ele se ajeitou na roupa, apesar de ele ter escolhido suas melhores roupas, ainda estava insatisfeito com a aparência. Não pareço que vou a um aniversário, isso por que a roupa era a critério dos convidados, eu vou assim por que ela conhece o meu estilo... Meus gostos... Minha vida – pela minha mãe, incompleto, porem minha vida – ela conhece ate demais sobre mim...
Tomando coragem desceu as escadas ate a porta para ir à festa, encontrar seus pais que tinha ido antes dele.
Ele se surpreendeu quando abriu a porta e viu Matheus, com o braço erguido para bater na porta, mas o estranho era que ele estava vestido para festa, aquela festa na casa ao lado.
- Matheus? Aonde você vai?
- Na festa
- Você a conhece?
- Estudei no presinho com ela
Thiago se sentiu traído.
- E você sabia?
- Até ontem não
- Como ela te reconheceu?
- Ela estava mexendo na comunidade da escola que tem no seu perfil, de lá ela me reconheceu, mas acho que ela não percebeu que somos amigos, ela também quase não sai de casa. Não deve ter olhado nos “amigos em comum”.
- Mas isso ainda não explica...
- A! – disse energicamente – ela viu uma comunidade minha escrita “Eu Estudei No Crescer Com Sabedoria”. Não ri do nome... – pediu.
- Vocês...?
Matheus riu assim que entendeu a frase
- Magina, somos só antigos amigos, mas fala, e qual é o seu interesse nela?
- Nada... Quer dizer, também somos amigos, mas nem tanto para...
- Namorar?
Thiago não respondeu antes de trancar a porta e começar a caminhar
- Ela com certeza não vai aceitar, ela é tão...
- Independente, eu me lembro.
- Então, com certeza ela não vai me querer.
- Você ainda esta traumatizado com a experiência passada?
Thiago engasgou para responder
- Sim... – por fim respondeu
- Com ela deve ser diferente...
- Vamos acabar com esse assunto por que já estamos chegando à festa e ela pode me ouvir.
A porta da casa estava aberta por causa da festa, então eles entraram na sala de estar toda decorada, tinha uns pequenos grupos de pessoas conversando no caminho pela casa ate o quintal, – como as casas da rua eram planejadas, todas tinham dois andares, um quintal à frente da casa, outro aos fundos (para aonde eles estavam indo), um salão independente (aonde o bolo será cortado), e um quintal em cima do salão que dá para ter varal (se armado) onde ela estava recebendo os convidados.
Eles começaram a subir as escadas e a dupla deu de cara com a Mariana e Lívia, que só Thiago intimamente conhecia como a anja que lhe estendera a mão no futuro. Ela tinha se mudado para o quarteirão vizinho junto de Mariana, as duas eram grandes amigas e uma vivia na casa da amiga. Mariana percebeu que os dois eram amigos e perguntou.
- Vocês se conhecem?
- Um pouco... – começou Thiago a falar a frase combinada
- Só desde a primeira série... – Matheus fez a segunda linha
- E esse ano vai chegar à oitava... – Thiago deu a deixa para a ultima
- Só oito anos de amizade – finalizou Matheus
Mariana teve um ataque de risos sobre uma piada que só ela sabia.
- Quase um noivado – retrucou depois do ataque de risos
A festa foi desde as três da tarde ate as onze, tudo deu como o planejado, como falou Mariana para os dois antes de eles irem embora.
Após saírem da festa, Thiago passou em casa e buscou sua mochila em casa e rumou junto com Matheus para a casa dele, já que eles haviam combinado de Thiago dormir lá aquela noite, coisa que só foi aceita por que ele morava na frente, o caminho podia ser feito a pé.
Caminhando o Thiago puxou assunto:
- Você acha que ela vai se importar se eu...
- Disser para ela o que você sente?
Thiago balançou a cabeça de concordância
- Bem... Não tenho certeza... Ela não respondeu bem, um dia quando nos estudávamos juntos, a um colega que falou que o cabelo dela era ruim.
Eles ficaram em silencio por mais alguns metros
- Você tem realmente certeza que não sabe da reação dela? – perguntou Thiago
Matheus refletiu um pouco
- Prever as reações dela é mais complicado do que ter que salvar um país de um tirano que mantém uma cidade sob o domínio de criaturas que tem aversão ao sol.
Thiago não conseguiu se conter:
- Vai por mim, não é não.
Thiago não conseguiu dormir imediatamente (como conseguia fazer normalmente), pois suas emoções estavam tão intensas quanto o possível, só lá para as duas da madrugada ele caiu no sono.
Ele olhou para abaixo e viu o chão – eu estou voando – pensou, antes de perceber uma coluna de ar de um quilometro de diâmetro se elevar no céu de dentro de um galpão, ate poucos metros abaixo dele, depois ele avistou o que queria – um ponto escuro do outro lado da coluna.
Então a imagem tremeu.
Ele se viu numa sala sem mobílias (apesar de estar vendo-as), do outro lado estava Baltazar velho e absurdamente calmo, ele abriu a boca.
- O que você esta fazendo aqui? – cortou Thiago
- Só vim para avisá-lo de que não sou o único que quer a sua destruição e é fruto de seu corpo...
Então a imagem tremeu.
O chão passava velozmente sobre seus pés, que na verdade eram pés e mãos, porem não era dele, pois eram peludos.
Então a imagem tremeu.
E Thiago não estava vendo nada, mas sentiu uma sensação gélida no peito.
Thiago acordou sobressaltado, ele olhou para os braços e viu que estava suando, ele também percebeu que o colchão estava molhado assim como seu cabelo estava grudado na cabeça, por causa do suor.
Matheus estava do lado dele arfando.
- Faz dez minutos que você está gritando “não, não” ai você diz “nããããããããããããão”.
- Eu... Tive um pesadelo.
- Você disse que não tinha mais pesadelos... O que aconteceu?
- Bem... – ele pensou bem antes de prosseguir, mas ele chegou à conclusão que nada aconteceria – um... Estranho... E ele falou algo, eu não me lembro.
- Você realmente está bem?
- To. – bufou e se virou de costas para Matheus.
Querendo meu mal... Fruto do meu corpo... Outro clone?
Meio impossível, pois as pesquisas estão estagnadas... A única pessoa capaz de fazer isso é o dono da empresa Corpus, que já produziu um clone de um ratinho. Mas um ser humano. Nem no futuro, que só tinha um.
E ele morreu com quatorze.
Ele fingiu que estava dormindo para Matheus. Estava agitado demais para dormir novamente.
Mas lentamente o sono embalou-o, e ele reviveu novamente imagens da Avenida Capitalismo, e a imagem Titã do Baltazar. A morte lhe sussurrou “você está na lista”.
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